FINALISTAS 2020

Com o objetivo de divulgar a arte e artistas brasileiros, além de estimular a produção nacional de Arte Contemporânea, anunciamos os quatro finalistas do Prêmio PIPA 2020. Nesta edição, enfrentamos muitos questionamentos, mas decidimos seguir a ideia original do prêmio, uma vez que a manutenção das instituições é também uma forma de resistência em momentos sociais críticos. Porém, algumas modificações são inevitáveis neste contexto de pandemia. Optamos por adiar a Exposição dos Finalistas no Paço Imperial para 2021, ainda sem uma data definida.

Os quatro finalistas escolhidos pelo Conselho do PIPA entre os 67 artistas participantes desta edição receberão, cada um, uma doação de R$30 mil, que será dividida em dois momentos. Este ano, ao assinarem o termo de compromisso, cada um recebe R$15 mil. No ano que vem, quando está prevista para acontecer a exposição, os quatro recebem mais R$15 mil. Os finalistas concorrem ao Prêmio PIPA, categoria da premiação em que o vencedor é escolhido pelo Júri de Premiação para receber uma doação adicional no valor de R$30 mil.

O Júri de Premiação terá como parâmetros para escolher o vencedor: o portfólio do artista, a(s) obra(s) apresentada(s) na exposição dos finalistas e uma carta de intenção do artista explicando para que utilizaria os R$30 mil como vencedor. Esse valor tem como objetivo viabilizar a realização de um projeto a escolha do artista, podendo ser para publicação de um livro, para uma residência artística, para uma viagem de pesquisa, ou qualquer outro projeto em que essa doação extra de R$30mil seja relevante em sua  carreira.

A definição dos quatro finalistas por parte do Conselho segue a orientação dada aos indicadores na primeira etapa do prêmio, a saber: apontar artistas com trajetórias recentes, porém já relevantes. O que entendemos por recente e relevante em uma trajetória, quando não há nenhuma especificação objetiva, implica sempre um debate acirrado. Não poderia ser de outro modo.

O que se busca com a escolha dos finalistas do PIPA é apresentar uma produção que vem sendo constituída nos últimos anos, que se destacou recentemente e que traduza a diversidade e a qualidade da nossa cena artística. No conjunto, essas trajetórias devem nos colocar, simultaneamente, diante das especificidades locais e dos desafios globais. Escolhas assim são sempre controversas, inúmeros outros artistas poderiam ser finalistas a cada ano. Entretanto, olhando retrospectivamente para os últimos 11 anos e fazendo projeções na continuidade do Prêmio, o que vemos com o grupo de finalistas é um bom retrato da melhor arte brasileira neste começo do século XXI.

Conheça os finalistas (clique nos nomes para acessar as páginas)

Gê Viana

Criar um caminho na arte hoje parte da ideia de denúncia, lançando mão das categorias estéticas. Penso no legado deixado pelxs fotógrafxs que denunciaram em cliques o cotidiano das grandes metrópoles, guetos e povos tradicionais. O meu trabalho se desenvolve no ato de fotografar corpos que assume vários recortes com a fotomontagem, retornando um segundo corpo e gerando lambe-lambe em experimentos de intervenção urbana/rural. Venho na busca por uma expressão artística não-linear, lanço-me sobre a pesquisa do corpo performático e dos corpos abjetos pela cultura colonizadora hegemônica e seus sistemas de arte e comunicação, (corpos marginalizados e invisibilizados). A partir de um processo em Santos com Lívia Aquino, pesquisadora do campo das artes visuais, resolvi pesquisar a “imagem precária” e os meios de apropriação das fotos históricas de fotojornalistas, já que na maioria dos meus trabalhos vê-se o uso de outras camadas fotográficas.

Maxwell Alexandre

Nascido no Rio de Janeiro em 1990, Maxwell Alexandre formou-se em Design pela PUC-RJ no ano de 2016 tendo participado, em 2009, do Curso de Fotografia para registros das Obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) nas favelas do Rio de Janeiro. A poética urbana do artista passa pela construção de narrativas e cenas estruturadas a partir de suas vivências cotidianas pela cidade e na Rocinha, local onde reside e trabalha. Sobre diferentes suportes como lonas de piscinas Capri, portas de madeira e esquadrias de ferro surgem personagens anônimos em situações recorrentes na favela. São pinturas em grande formato nas quais os corpos negros são apresentados de forma empoderada, mas também em momentos de confronto com a polícia, retratando uma rotina comunitária radicalmente contemporânea.

Randolpho Lamonier

Entre a periferia industrial de sua cidade natal, Contagem, e os grandes centros urbanos, Randolpho Lamonier desenvolve sua pesquisa visual a partir de diversas mídias e processos, num acúmulo de signos e gestos que refletem sobre a urgência na construção de identidades individuais e coletivas. Nos cruzamentos entre a vida íntima e os assuntos de ordem pública, se define uma articulação entre micro e macro política, um estado constante de reflexão e insurgência que faz presente no menor dos gestos uma postura crítica sobre o estado de normalidade.

Renata Felinto

Doutora e Mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP e especialista em Curadoria e Educação em Museus de Arte pelo Museu de Arte Contemporânea da USP. Artista visual e professora adjunta da URCA / CE, na qual compôs o Comitê de Pesquisa Científica, foi coordenadora do Curso de Artes Visuais e do subprojeto PIBID do mesmo curso e coordena o Grupo de Pesquisa NZINGA – Novos Ziriguiduns (Inter)Nacionais Gerados na Arte. A arte produzida por mulheres e homens de ascendência negro-africana tem sido o tema principal de sua pesquisa e o mesmo reverbera de muitas formas em sua produção de artes visuais.

Os 67 artistas desta edição, incluindo os finalistas, podem participar ainda do PIPA Online que terá início no dia 26 de julho. Além disso, todos os artistas vão fazer parte do catálogo bilíngue que será lançado ainda em 2020.

Para saber mais sobre os finalistas e os demais participantes do Prêmio PIPA 2020, visite suas páginas no site do Prêmio PIPA, contendo fotos de trabalhos, entrevistas, currículo e muito mais.


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