EM CASA

(ultima atualização em maio/2020)

Vivemos hoje um momento extremamente difícil e totalmente imprevisto. O mundo enfrenta a pandemia do novo coronavírus e pede para que todos nós façamos o isolamento social. Diante dessas circunstâncias, sabemos que para muitos artistas, além dos perigos à saúde, esta é um crise também do ponto de vista financeiro. Por isso, o Instituto PIPA decidiu destinar uma verba emergencial de R$50 mil para apoiar e incentivar os artistas.  O “PIPA em casa”, que recebeu trabalhos de 10 a 20 de abril de 2020,  é uma mostra virtual, com trabalhos que foram produzidos em sua maioria durante o isolamento social. Foram convidados para essa mostra apenas os 480 artistas que já participaram de pelo menos uma edição do Prêmio PIPA, desde 2010. No dia 05 de maio, dez artistas foram selecionados pelo Conselho do Prêmio PIPA e receberam, cada um, R$5 mil. Infelizmente não é possível apoiar todos, mas será da soma de iniciativas independentes que encontraremos caminhos para enfrentar a crise.

Conheça os selecionados:

– Agrade Camíz

– Armando Queiroz

– Castiel Vitorinno Brasileiro

– Denilson Baniwa

– Grupo EmpreZa

– Isaias Salles (Ibã Huni Kuin)

– Jaider Esbell

– max wíllà moraes

– Moisés Patrício

– Renan Cepeda

Leia o edital completo do “PIPA em casa” clicando aqui.

E veja abaixo a exposição virtual, que permanece no site por tempo indeterminado, como registro da pandemia. Os 126 artistas que participaram estão em ordem alfabética.

Clique nas imagens para ampliar.

Adriana Vignoli
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2016

“Em 2017, numa revista científica, me recordo de ler sobre “dois buracos negros distantes que espiralaram em torno um do outro numa dança mortal até se fundirem”. Em 2015, essas perturbações chegam na Terra. A distância destes buracos até o nosso planeta é de 1 bilhão de anos luz. O impacto sobre tal acontecimento foi tão grande que fiz anotações e desenhos do acontecimento, pois me provocaram a reflexão sobre como fenômenos tão distantes chegam até nós e nos afetam. A vida continua. Ser artista e mãe exige força e, em tempos de COVID-19, a atmosfera pede, sobretudo,  harmonia. Tudo contamina tudo. Enquanto isso, a semente cresce buscando luz que vem do espaço. Talvez uma possibilidade de dissolver novas fronteiras da escultura contemporânea seja através de substâncias orgânicas e não orgânicas advindas de geometrias da natureza, e espontâneas, advindas da imprevisibilidade da vida. Estas transubstanciações poderiam atravessar espaços imaginários e interagir, de alguma maneira, com o cotidiano. Para que ideia e energia se amalgamem, uma coisa toca a outra. A semente do abacate nasceu em casa e cresce na escultura há quase exatos dois meses. Aos poucos, vou inserindo novos elementos e seres na obra. Até então, eles têm convivido em harmonia. Ao acordar, todos os dias, há algo diferente acontecendo nesse espaço”.

Vidro laboratorial, terra vermelha, água, tubo latão, cabo aço, abacate, trapoeraba, jibóia e cerâmica. Dimensões variadas.

Agrade Camiz
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2020

“Sinta-se em casa mas lembre-se que não está”, 2020
Látex, acrílica, pastel oleoso, pastel seco e spray sobre lona de algodão, 200x210cm.

Alexandre Mury
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2016

“Estou enviando um dos trabalhos da série que chamo de “iconofobia”, que comecei em 2015.
Este, acabei de concluir recente (2020). A obra é uma fotografia intitulada “Saci Cafuçu”. A figura é uma peça escultórica, realizada por mim, faz parte de um conjunto de personagens do folclore brasileiro. Apenas uma entre as 12 esculturas feitas de papelão e papel reciclado. Embora as esculturas sejam obras em si, também serão fotografadas ocupando o lugar do performer, artista que outrora se travestia de personagens diversos. A escultura tem dimensões variáveis e proporções reais do corpo humano.” A fotografia tem 100x66cm.

“Saci Cafuçu”,2020
Fotografia, 100x66cm

Amanda Melo
Artista indicada ao Prêmio PIPA em 2010 e 2012

A série Cosmografias foi iniciada em dezembro de 2019 e resulta de uma pesquisa de imagens coletadas durante estudo e visitas a monumentos megalíticos, relações dos corpos com a paisagem desses sítios arqueológicos e a paisagem urbana. Atualmente as pinturas tem sido criadas a partir de imagens encontradas na internet em um deslocamento onde o corpo assume outros papéis. O trabalho tende a ser um conjunto de pinturas em telas de 20x20cm que ocuparão um espaço mínimo de 2x2m.

“Cosmografias”, 2019-2020
Acrílica sobre tela, 20cmX20cm

Ana Almeida
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2020

“Esta pintura acontece a partir do recorte de uma outra maior (270 cm x 150 cm) feita em 2018. O algodão foi recortado neste pedaço de 89,5cm x 102,5cm e retrabalhado durante a pandemia que vivemos. A obra é ao mesmo tempo a revisitação de um passado recente e um registro do tempo presente.”

Sem Título
Acrílica, pastel oleoso e óleo sobre tela, 89cm x 102,5cm

Ana Paula Oliveira
Artista indicada ao Prêmio PIPA em 2010 e 2014
Artista vencedora do PIPA Online 2010

“Ensaio para vôo”.

Trabalho em andamento.
Na parede um desenho de uma ave de rapina em nanquim nas dimensões de 60x60cm.
Na mesa três pilhas de desenhos nas dimensões 10x20cm. Nelas contém centenas de estudos também em nanquim. Na primeira pilha estudos da cabeça da ave na segunda as asas e na terceira as garras.
Na condição de isolamento em que nos encontramos onde tudo está sendo obrigatoriamente revisto, resolvi retomar este trabalho que me convoca através do exercício destes estudos a busca de um refinamento sutil.

Ana Ruas
Artista indicada ao Prêmio PIPA em 2015 e 2018
Artista vencedora do PIPA Online Popular 2015

“Nesta quarentena sigo pintando 8 horas por dia. Estou focada na continuidade de pinturas em pequenos formatos, que estavam de lado, além disso, tirei alguns projetos da gaveta. Dois dias por semana, pinto as florestas que são pinturas grandes , de 5m x 5m. ON LINE aproveito ofertas generosas de aprendizados, de filosofia à história da arte.
Faço minhas investigações pictóricas e também me aproximo da escrita. Escrevo sobre o meu processo de investigação ou sobre experiências pessoais. Escrevo nas paredes do ateliê, no caderno, no guardanapo,na terra, qualquer coisa ou lugar. Desenho, pinto, escrevo, como uma catarse!
Enquanto pinto, desprovida de pré conceitos, deixo que minha alma fique lavada, para recomeçar melhor.
Gosto da oportunidade de parar parar rever a caminhada. Entre as privações do isolamento, o que realmente me incomoda , é a ausência das crianças e das suas metáforas preciosas. Elas costumam frequentar meu ateliê, às sextas-feiras e sábados.
No momento, desenho e pinto com as víceras expostas, diante dos desafios e da beleza de ser artista nesta guerra. Seguirei pintando as dezenas de pequenos formatos in process, em cima da minha mesa e as lonas de médios e grandes formatos nas paredes.
Escolhi estas 3 imagens que fiz nos últimos dias, continuação de uma série, pois penso que condiz com o momento atual do respeitar, despertar e renascer.”

– Broto 1 / 2020, óleo sobre tela, díptico, 30 x 80cm ( 30 x 40cm cada parte)
Seco, ainda assim, existe. E, insiste.
Brota, Renasce!
Amém
– Broto 2 / 2020, óleo sobre tela, díptico, 30 x 80cm ( 30 x 40cm cada parte)
Se tenho tempo, viva estou!
VIVA!
– Broto-Só / 2020, óleo sobre tela, 30 x 40cm
Agenda cheia para os azuis. Sem tempo para morrer!

Ana Sario
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2020

Série “Polaroid”, 2020
10,5 x 10,5 cm

André Griffo
Artista indicado ao pr6emio PIPA 2014, 2018 e 2019

“O vendedor de miniaturas”, 2020
Tinta e pastel óleo, lápis de cor e grafite sobre lona, 177x223cm.

Andre Komatsu
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2010.
Finalista do Prêmio PIPA 2011.

“Erro cognitivo #2”,2020
Compensado laminado, concreto, parafuso, tela de aço, grafite, tinta e verniz acrílico, 43,5 x 63 x 1,5 cm

André Ricardo

Em minha pesquisa recente, tenho buscado formas icônicas e esquemáticas de representação, sendo a produção visual do antigo Egito uma das fontes de pesquisa que tem me interessado. A pintura que apresento para o “Pipa em Casa” teve, como ponto de partida, a figura do Ba, ou pássaro da alma, descrita no Livro dos Mortos de Tchenena, XVIII dinastia (1550 – 1295 a.C) Egito.
Ba , caracterizado pelo corpo de falcão e cabeça de homem, manifesta a plenitude da alma que, sobrevivendo a morte, é capaz de regressar ao corpo na tumba. Na pintura, não me restringi a descrição literal do mito, mas busquei evocar a força espiritual do pássaro por meios restritamente plásticos, como as proporções imponentes adotadas na representação do corpo e nas asas, bem como a adoção de um fundo dourado, que faz alusão a folha de ouro, material presente em uma vasta iconografia religiosa .
Iniciei a pintura na segunda quinzena de fevereiro de 2020, quando a epidemia da covid-19 começava a se alastrar por outros países, além da China. A obra foi concluída cerca de um mês depois, momento em que na Itália já se registravam mais de 800 mortes diárias, a Organização Mundial da Saúde já havia declarado pandemia, e muitos países começavam a aderir o regime de distanciamento social, incluindo o Brasil. Embora a realização da pintura não tenha sido motivada, pelo menos de forma consciente, pelos acontecimentos decorrentes da pandemia, ao longo do processo de sua realização fui compreendendo o sentido que o trabalho assumia nesse contexto, parecendo propor uma reflexão acerca da nossa relação com a morte e a crença na continuidade da vida.

“Pássaro Azul”, março 2020
Têmpera ovo sobre linho, 80cm x 60cm

Anna Costa e Silva
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2018 e 2020.

“Minha prática artística se dá a partir de práticas de encontro e intimidade entre pessoas, o que torna esse período um grande desafio. Com o desejo de continuar explorando afetos e proximidade, mesmo à distância, estou desenvolvendo o projeto “Para alguém que está me ouvindo”, de forma coletiva, com as performers-criadoras Ana Abbott, Luciana Novak, Maria Clara Contrucci e Nanda Félix, com quem venho colaborando desde 2016. “Para alguém que está me ouvindo” é um dispositivo de correspondências virtuais (videocartas) que tem o confinamento como ponto de partida para uma experiência de trocas e afetos entre pessoas que não se conhecem. Esse trabalho pretende operar como uma versão contemporânea de “mensagens na garrafa”, nas quais uma pessoa descreve suas sensações e experiências para um ouvinte desconhecido, e o acaso decide em quem chegará esse recado.

Na última semana, cada uma das 5 performers-criadoras do projeto gravou uma carta a uma pessoa desconhecida, falando de suas sensações e atravessamentos durante o confinamento e convidando, ao final do vídeo, que essa pessoa respondesse com suas percepções. Um vídeo-gif (abaixo) será espalhado nas redes sociais para que xs espectadorxs que desejarem receber uma carta se inscrevam. Cada uma das 5 cartas terá um título-convite, e x espectadxr escolherá, entre os títulos, qual mensagem deseja receber, sem saber qual performer ou narrativa estará escolhendo.

As mensagens serão enviadas diretamente a cada espectadxr via whatsapp ou email, com o contato direto da performer para que elx responda. A partir daí, começará uma troca de videocartas entre performer e espectadorx, que poderá seguir até o fim do período do confinamento, ou até quando essa relação fizer sentido. As cartas relatam experiências diversas: memórias, sensações físicas, perguntas e um certo surrealismo do cotidiano, como a visita de “um astronauta” para fazer um exame de sangue em casa.

Esse projeto pretende abrir brechas para um contato íntimo e inusitado entre pessoas que não se conhecem, inventando um espaço suspenso de relação, que acontecerá conforme o desejo das partes envolvidas. Esgarçando as relações entre arte e vida, realidade e ficção, performer e espectadorx, pretendemos criar uma experiência de proximidade e contato, em contraponto com a solidão imposta.”

Ficha técnica
Direção e criação: Anna Costa e Silva
Criação, texto e performance: Ana Abbott, Anna Costa e Silva, Luciana Novak, Maria Clara Contrucci e Nanda Félix
Produção: Gabriel Bortolini
Obs – O prêmio será dividido igualmente entre a equipe

Link para a video-chamada:

Anna Paola Protásio
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2010

“Pandemia”, 2020
saco de entulho, acrylon e bordado, 58 x 42 x 12 cm

Antonio Bokel
Artista indicado ao Prêmio PIPA em 2015 e 2019.

“Auto-retrato”, 2020
Tatuagem e fotografia digital

Armando Queiroz
Artista indicado ao Prêmio PIPA em 2010, 2012,2014, 2015 e 2019

“Lago do esquecimento

Pingo a pingo, o esquecimento. O apartamento abandonado, uma torneira que que vaza, um tanque que transborda. O esquecimento. As plantas que morrem afogadas em sentimentos ausentes. O retorno à casa, o lugar de morar e não partir. O limo, o musgo, a hora. Crostas de vida, risos soltos, lágrimas. A cozinha, o cotidiano submerso. A Amazônia tão distante contida num copo d’água de pote mineiro. A chuva rebatida, frestas de telhas mastigadas pelo tempo. Milhas percorridas. O pingo, ondas a espiralar o passado. O hoje? Uma quarentena para não esquecer.”

“Lago do esquecimento”, 2020.
Fotografia

Arthur Scovino
Artista indicado ao Prêmio PIPA em 2014, 2015 e 2016.

“Envio uma imagem da série que estou fazendo no ateliê durante a quarentena.”

“Apontamentos”, 2020
Folha de palmeira, penas e palha da costa, 60x60cm aproximadamente.

Bia Leite
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2018 e 2019

“Sem poder pintar hoje, eu escrevo em meu caderno em meio a anotações de outros livros, desenho com esferográfica e giz de cêra. Manter um diário sempre foi parte do processo criativo, como registro de pesquisas e vivências, onde jogo os pensamentos mais imediatos.”

Páginas de diário em processo, 2020
Caneta esferográfica, lápis e giz de cêra, 21, 5 x 27,3 cm

 

Bruno Cançado
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2017

“O trabalho em questão pertence a uma série de pequenas esculturas em cerâmica que estou produzindo recentemente. A série tem como ponto de partida a negociação entre arquitetura e natureza, e a relação entre nosso corpo, a paisagem e os espaços que construímos. Venho pesquisando as ideias de Lina Bo Bardi e a forma como ela dialogava com a arquitetura regional, a cultura popular, e como ela incorporava a inteligência intuitiva dos trabalhadores de suas obras em seus projetos.
Tenciono que estas esculturas tomem a forma de pequenos exercícios de arquitetura ou pequenos achados de um canteiro de obras. Minha idéia com esta série é construir um vocabulário poético que fale do conhecimento tácito de trabalhar os materiais e que confunda os limites entre nós, a paisagem, e a arquitetura.”

Sem título (tijolo e pau), 2020
Tijolo cerâmico, cerâmica terracota, arame, 35 x 11 x 9,5 cm
Um galho de cerâmica terracota dá sustentação a dois tijolos cerâmicos quebrados.

Bruno Kurru
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2015

“hiato em ato
sigo
o signo sopro
ar ticulando
os espaços, os acasos, e o contexto

Como continuidade de uma pesquisa que se deixa permear por diferentes códigos e linguagens este video é uma tentativa de criar uma poética a partir da inter-relação entre: escrita, experimentação sonora e elaboração plástica e audio-visual, onde o OBJETO É O LIVRO.

Imerso nestes dias de recolhimento e reflexão, inserido e permeável à este processo de transformação socialmente doloroso em que estamos tod_s inserid_s, e na medida em que o criar e a vida estão imbricadas e se complementam de modo autoconsciente, tenho buscado valorizar ainda mais os trânsitos, desvios e deslocamentos, contraponto a idéia de imobilidade e “estagnação” em que o estado de quarenta nos impõe.
(habitar costuras híbridas como fonte de irrigação para gerar movimento: AREJAR : exercício prático diário na tentativa de potencializar as condições de trabalho e encontrar outros meios para seguir ativo)

na visão aspiro fôlego pra seguir, passos para outrar-se
lapsos e laços
em acordo com universos e relações
lapsos e laços
(…)
registros que orbitam em infinitas paralelas
enunciações transitórias, histórias e percepções
intersecções cruzas
(((interprete a ligação))) ”

“Hiato em Ato”
(um registro audio visual de uma escrita elaborada para ser reverberada em som, que no processo se transformou em um Livro Objeto)

Bruno Miguel
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2012

“Tapeçarias Gobelins são tradicionalmente encontradas nas casas de pessoas mais velhas da classe média brasileira, outrora símbolo de bom gosto, essas cenas, paisagens ou arranjos europeus hoje são um ícone Kitsch onde ainda transpiram memórias de nossa herança colonial. Através de intervenções pictóricas, com ares de uma sedução POP periférica, o artista remixa as ditas alta e baixa culturas, resignifica memórias afetivas e recontextualiza narrativas históricas comuns às colonias latino americanas.”

“A Pictórica Primeira Missa do Brasil”, 2020, 85,5x112cm
“Pequeno Concerto Pictórico para Convidados”, 2020, 67x131cm
“Canto dos Pássaros em Manhãs Pictóricas”. 2019, 128x92cm
Acrílica, óleo e tinta spray sobre tapeçaria Gobelin

Bruno Rios
Artista indicado ao Pr6emio PIPA 2020

“O trabalho é o primeiro da série “A grande boca de mil dentes” que vem sendo desenvolvida em residência artística nesse período de distanciamento social. As inscrições encontradas no trabalho relacionam-se com mapas, garatujas cotidianas, escritas de diário, imagens e anotações de sonhos. São desenhos feitos a partir de módulos de 50×70 cm que são constantemente reconfigurados a partir da ideia de jogo como composição narrativa, como um quebra-cabeças na tentativa de pensar outros mundos possíveis.”

Sem título, da série “A grande boca de mil dentes”, 2020
Monotipia sobre papel mataborrão 250g, 210 x 150 cm

C. L. Salvaro
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2012

“O processo deste trabalho começou muito antes do distanciamento social, apenas seguiu seu curso durante este período.
Embora não tenha um título, apelidei a intervenção de sala do mofo por suas características elementares. a infiltração que umedecia o ambiente e favorecia a formação de mofo foi intensificada, passando a encharcar as paredes e alagar o piso. elementos orgânicos (em geral frutas e outros alimentos crus) foram dispostos em nichos de madeira e mofaram constantemente. Uma estrutura de madeira com uma capa plástica isola a sala do mofo dos demais cômodos da casa onde habito e trabalho. concomitante à umidificação do espaço, passei a fazer pequenas fogueiras dentro da sala, defumando e cobrindo de fuligem o teto e as paredes. camadas de tinta e sancas de gesso desprenderam com a umidade e calor.
No dia 20 de abril de 2020 saquei estas fotos que marcam uma referência temporal do processo”

Castiel Vitorino Brasileiro
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2019

“Acredito no amor como uma ventania que espanta o medo”
Fotografia, São Paulo, 2020

“Enfiei um cristal Quartzo Rosa no cu e na piroca., porque agora sei como é possível redirecionar minha energia sexual para a Cura Travesti: é através do amor pela verdade, e é pela coragem que acessamos a ventania que mora em Anahatta; aquela que espanta o medo de mim quando percebo que já não sou mais a mesma.”

Obra feita durante a 4o semana de quarentena no Brasil.

Chico Fernandes
Artista indicado ao Prêmio PIPA em 2011 e 2013

“Ação de Páscoa”, 2020
Video performance, versão de 3′

Clarissa Tossin
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2020

“Propus a diferentes amigos/as que compartilhassem um único guardanapo, durante qualquer refeição do dia, com as pessoas com as quais eles/as estão em isolamento em casa. Registros de refeições solitárias ou não, essa série de guardanapos compartilhados mapea intimidade e afeto através de vestígios de comida e saliva–fluidos que apresentam risco de contágio durante uma epidemia viral, mas que por outro lado, são rastros de contato social saudável e necessário.”

“Guardanapo Compartilhado: Ludovic e Maricka”, 03/04/2020
“Guardanapo Compartilhado: Meg, Matt e Joy”, 11/04/2020
“Guardanapo Compartilhado: Clarissa e Man”, 14/04/2020
papel e restos de comida

Cristián Silva-Avária
Indicado ao Prêmio PIPA 2014

“Trabalhadores do mundo (Cimento de Copacabana)”, 2018-2019, óleo e acrílica sobre tela. 48×36 cm
“Trabalhadores do mundo (Lenhador de Lonquimay)”, 2018-2019, óleo e acrílica sobre tela. 48×36 cm
“Trabalhadores do mundo (Procurador de metais da Barceloneta )”, 2018-2019, óleo e acrílica sobre tela. 48×36 cm

Daniel Beerstecher
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2016

Eu gostaria de participar com a performance You do not walk alone, que eu faço no momento diariamente aqui na Alemanha.

Desde o inicio do lock down, eu caminho de uma a duas horas por dia, slow walk, uma forma de meditação em movimento, pelo meu apartamento: sala, quarto, cozinha, banheiro e escritório. Caminho com uma camera com um suporte no peito, que filma todo o percurso e envia o filme live para as redes sociais e para o website do projeto.

Quando pensamos na atual situação do Corona Virus e nos perguntamos que desafios o momento nos apresenta (claro, a sobrevivência é um grande desafio!), poderia dizer que um importante tema para a reflexão é a desaceleração. De uma hora para outra estamos presos em casa, sem poder ir para a rua, nos encontrar com pessoas… um convite à desaceleração… E para que essa desaceleração? Talvez uma das principais vantagens desse convite à desaceleração seria voltar o olhar para dentro, estar consigo mesmo. Parar para se ver, para se sentir, para se entender… O trabalho traria essas duas vertentes: desacelerar e olhar para dentro. Qualquer um que quiser fazer a perfomance junto comigo, verá que caminhar desaceleradamente, desacelera os pensamentos e tem como efeito, depois de alguns minutos, uma grande calma. Voce simplesmente consegue observar melhor os seus pensamentos, os seus sentimentos. Esse olhar para dentro não tem nada a ver com individualismo, pelo contrário, ele impacta positivamente a nossa capacidade de olhar para o outro. O trabalho também tem um viés de que eu estou sendo observado pelo publico. Se as pessoas nao fazem a performance comigo, elas me observam. Elas veem o que podem ver da minha casa… Isso pode ser visto pelo viés do controle, do vigiar, que eh muito discutido nesse tempo de redes sociais, digitalização…

Enquanto tiver o lock down, voces podem integrar o life stream que eu faço de forma independente no site de voces. Seria algo entre 11 da manha e 13 horas, horário do Brasil. No restante do dia corre a gravação dessa caminhada em loop. O publico e convidado a fazer a perfomance em sua própria casa e pode também filmar os seus passos e me mandar o video por email. Eu vou postar esses videos no site do projeto.

O life stream e o video sao encontrados no site: www.youdonotwalkalone.de. O site vai ser traduzido no meio da semana para o inglês.

Eu fiz uma slow walk performance no ano passado em uma exposição aqui na Alemanha. Era uma maratona de desaceleração, aqui ficou conhecida como maratona de lesma. 42,2km em 60 dias, velocidade de 120m por hora. Também com live stream para redes sociais. Mais infos em https://youdonotwalkalone.de/en. O site ja esta em inglês.”

Daniel Escobar
Artista indicado ao Prêmio PIPA em 2014 e 2018

“Cidadão do Mundo”, 2014-2020
Instalação, vídeo por Guilhermo Gil
Porto Alegre

“Há alguns anos iniciei este projeto quando recebi uma bolsa de residência internacional. Eu me perguntava: o que separa o lado mais cruel do capitalismo movido pela máxima de que o mundo não pode parar e a atual forma de funcionamento do sistema de arte onde artistas são valorizados por seus carimbos em passaportes? Porque é tão importante ser selecionado para uma nova residência? O que é residir? O que de fato eu gostaria de fazer em um lugar que nunca tive a oportunidade de conhecer? Preciso mesmo enviar um projeto demonstrando o conhecimento que possuo das problemáticas locais que não vivencio? Que lugares construímos em nosso imaginário desde que o mundo tornou-se um dos produtos mais devorados pelo nosso desejo de onipresença? Poder estar onde quiser é não precisar estar efetivamente em lugar algum? Cidadão do mundo. Toda vez que deixamos um lugar, ele permanece conosco através das lembranças, mas porque nos parecem mais legítimas as memórias compradas? Que mundo é este que se permite conhecer através de suas próprias reproduções? Made in China. Neste ano o convite para uma mostra individual me instigou a retomar este projeto e apresentá-lo sob a forma de uma instalação. Mas não poderia imaginar que Cidadão do Mundo seria uma mostra inaugurada em um momento de pandemia global, fronteiras fechadas e isolamento social. Cumprimente sem contato físico. Uma coleção composta por 98 souvenirs selecionados e catalogados por um artista em modo turista. Compra-se. Destacadas individualmente através da produção de bases, cúpulas e outros suportes específicos, estas peças aguardam por seus destinos enquanto desenham em conjunto a maquete possível para uma cidade vitrine. Vende-se. Pequenos relicários de um mundo em suspensão. Museu? A mostra segue montada. A galeria segue fechada. Seguimos sem saber exatamente o que fazer ou para onde ir. Há mundo por vir?”

Danielle Carcav
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2012

“Una vez sentir la fuerza de un oráculo”, 2020
Aquarela, guache, caneta nanquim e lápis grafite sobre papel A4.

“Um dia e ela esqueceu”, 2020
Aquarela, guache, caneta nanquim e lápis grafite sobre papel A4.

“O centro do universo”, 2020
Aquarela, guache, caneta nanquim e lápis grafite sobre papel A4.

Danielle Fonseca
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2016

“Todo abismo é navegável a barquinhos de papel”, Abril de 2020
Aquarela s/ papel + texto-imagem, 21 cm x 29 cm

Danilo Ribeiro
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2012

“Der Doppelgänger”, 2020
Acrílica sobre papel canson para aquarela tamanho A3 (42 x 29,7 cm).

David Almeida
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2018

“No momento em que foi decretada a quarentena eu fiquei preso em uma hospedaria próximo de Óbidos, em minha primeira viagem para Portugal e pra fora do país. Vivi a viagem inteira em confinamento e me relacionei como os lugares a partir da espera de qualquer normalidade. É como se tivesse ido a lugar algum, mas em terra estranha. Durante esse processo de confinamento e espera eu pintei a última paisagem que vi repetidamente. Eu escolhi essa.”

“Pico”, 2020
Óleo sobre tela, 19 x 24 cm

David Cury
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2010

“AQUI O MAL AO MENOS DE IMPOSTURA PRESCINDE

Estou trabalhando em duas frentes de um projeto de mostra individual para o Espaço Monumental do MAM-Rio. A primeira, o texto propriamente dito, a ser apresentado à Curadoria. Outra, a criação do primeiro de três seguimentos respectivos a esse trabalho para contexto específico ― objeto também desta solicitação de apoio emergencial ao Conselho do Prêmio PIPA.
Caráter de situação, iminência e ambição formal são características de instalações e intervenções que venho desenvolvendo nos últimos vinte anos. Mais recentemente, na instalação A vida é a soma errada das verdades (Paço Imperial do Rio de Janeiro, 2015-2016), quinze sentenças acerca das três formas de violência estruturais à vida brasileira ― social, política e moral ― foram esculpidas e isoladas em lajes de concreto armado, em meio a escombros residuais. Conceitualmente, tratava-se de uma paisagem cívica negativa.
Pois bem, essa espécie de pessimismo reflexivo sobre o nosso destino como nação é recarregado em AQUI O MAL AO MENOS DE IMPOSTURA PRESCINDE pelo cruzamento de dois vetores ― uma questão de frente (ou assunto) e uma questão de fundo (ou estrutural, intrínseca ao debate de arte):
1) O círculo vicioso (ou o contínuo fracasso) dos processos históricos de consolidação da Democracia e da Modernidade no Brasil, agora irracionalmente intensificado pelas sinistras decisões políticas tomadas pelo atual chefe do Poder Executivo brasileiro ― algo mais potencialmente mórbido do que a pandemia do COVID-19
2) A seguinte proposição de Boris Pasternak (1890-1960), poeta russo ligado ao Futurismo, autor de Dr. Jivago (1957) e Nobel de Literatura de 1958 ― que caiu em desgraça sob a Ditadura Comunista Soviética, acusado de subjetivismo:
“A arte tem duas preocupações constantes e intermináveis: sempre medita sobre a morte ― e, portanto, sempre cria vida. Toda grande e genuína arte se assemelha e dá continuidade à Revelação de São João.”
No último dos livros da Bíblia (conhecido como O Livro da Revelação), São João descreve visões celestiais que se estendem da guerra entre o bem e o mal à recompensa dos justos. No caso dos três eixos instalacionais de AQUI O MAL AO MENOS DE IMPOSTURA PRESCINDE, eles cogitam de um neo-Gênesis a um neo-Apocalipse.
Conforme as 03 imagens aqui anexadas, o primeiro desses seguimentos escultóricos busca protagonizar personagens e narrativas de um Éden em atividade ambivalente e invertida, do fim ao começo: concreto armado, aço, ferro, cabelos postiços, vidro, borracha, plástico, elastano e poliamida (de dimensões variáveis) são submetidos à fratura, torção, queima e adesão. Reintegrados simbioticamente e higienizados por uma ambição formal direta, esses híbridos inorgânicos crescem difusos, vitais ou terminais. Alternam, enfim, do jardim lírico original às premonições da carnificina.”

Debora Santiago
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2012

“Nesse contexto de pandemia, em que há o desafio de garantir comida à população mais vulnerável, trago esse desenho para a discussão do fortalecimento da agroeocologia como modelo de agricultura que respeita a natureza e que garante alimentação adequada à todxs.” ( trecho do texto enviado pela artista, clique no link abaixo para ler o texto completo)
DeboraSantiago_soberania_alimentar_e_popular

“Soberania alimentar é popular”, 2020
Aquarela sobre papel, 50 x 35cm

Denilson Baniwa
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2019
Vencedor do PIPA Online 2019

Em tempos de pandemias, isolamento forçado, quarentenas as populações indígenas contam sobre outros momentos na História onde as doenças foram causas do extermínio ou da quase extinção de povos que viviam neste território. Embora tenha sido tempos que não gostamos de lembrar, são importantes para pensarmos em como podemos continuar vivos mesmo em situações extremas como a que passamos. A memória daqueles que se foram continua viva em nós.

“Mártires Indígenas”, Abril 2020, em quarentena.
Tintas acrílica e vinílica; algodão e penas de pássaros recolhidas nas aldeias, 60x80cm.

Diego de los Campos
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2019

‘A Fabriqueta’, máquinas fabricadas com materiais reaproveitados para a elaboração de desenhos de 21x15cm para serem vendidos por R$ 1,00 e entregues pelos correios. Catálogo em: https://www.instagram.com/desenhosdeumreal/

“A Fabriqueta”, 2020
vídeo, 2’26″”

Diego de Santos
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2014
Vencedor do PIPA Online Popular 2014

“Estou completando, em 2020, 15 anos de trajetória artística. Antes e durante boa parte desse tempo trabalhei em escolas, museus e centros culturais, mas até hoje minha carteira de trabalho segue sem nenhum registro de atividade profissional. Com o objetivo de pensar as relações laborais na arte, desfaço minha carteira de trabalho nunca assinada para utilizá-la como suporte de “Documento Fantasma”. A partir da lógica do reaproveitamento, prática recorrente na minha produção e em diversas outras atividades desenvolvidas por trabalhadores autônomos, crio pequenas estruturas que tem como teto a capa e as páginas da minha CTPS. Ao mesmo tempo em que fazem referência a barracas rudimentares de vendas de produtos sazonais em beira de estrada, remetem também a uma feira livre, que, assim como o ofício do artista, são exemplos de atividades informais vulneráveis a impactos sociais e econômicos.”

“Documento Fantasma”, 2020
Capa e páginas da minha carteira de trabalho e madeira, dimensões variáveis

Dirnei Prates
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2012

“Fratria- Desenhos feitos diretamente na parede do atelier, com fita adesiva transparente e sulcos provocados por um estilete, a partir da apropriação de uma fotografia publicada em uma reportagem sobre jovens angolanos refugiados no Brasil. Procurei reproduzir apenas o vulto dos rostos, mesclas de ânsia e felicidade, no momento em que recebem suas carteiras de trabalho. Ao utilizar estes materiais, penso em vulnerabilidade, violência e invisibilidade social.”

“Frátria”,2020
Fita adesiva transparente e estilete, 30 x40 cm ( dimensões aproximadas)

Éder Muniz ( Calango)
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2020

“Pra voar além do tempo”, 06/ 04 / 2020
Gravura sobre scratch paper, 28×21,5cm

Eduardo Montelli
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2020

Vídeo construído a partir de um print screen que mostra uma anotação de celular realizada pelo artista em 2019. “Cópia oculta” dialoga com a obra “Leo não consegue mudar o mundo”, feita em 1989 pelo artista brasileiro Leonilson.

“Cópia oculta”, 2019-2020
Vídeo em loop

Cópia oculta (2019-2020) from Eduardo Montelli on Vimeo.

Elias Maroso
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2020

“‘Ok/Cancel’ toma o regime das telecomunicações e da sociedade de controle que vivemos hoje como principal motivação prática. O projeto compreende a construção de uma placa de circuito impresso que desempenha a função de bloquear sinais de telefones celulares nas faixas de transmissão 2g, 3g e 4g, em um perímetro doméstico de 5 metros. Junto desse dispositivo artesanal, o trabalho também envolve a produção de um material instrutivo que apresenta a lógica do circuito na atribuição de código aberto e autonomia tecnológica, sendo o conteúdo disponibilizado gratuitamente em meios digitais.

Logo ao iniciar o período de isolamento social, dediquei-me a finalizar tal ideia como um todo, editando e disponibilizando um vídeo tutorial de “Ok/Cancel” via plataforma de compartilhamento da Web (Youtube). Lançado na terceira semana de março, o material completo pode ser acessado neste link. A circunstância da quarentena e distanciamento coletivo acabou dimensionando o projeto para um intervalo da hiperconexão, interrompendo, ainda que por um breve momento doméstico, a captura informacional dos dispositivos de dados que age tanto sobre a necessidade de contato quanto sobre o encontro de cada pessoa consigo mesma. “Ok/Cancel” torna-se um convite a ser, ao mesmo tempo, cúmplice e rival das ondas informacionais. A colisão do comando positivo (ok) com sua dobra negativa (cancel); feitura de um circuito menor e próprio para o corte momentâneo de outro circuito, maior e totalizante.

“Ok/Cancel”, 2020
Instruções para circuito eletrônico (PCI)

Erica Ferrari
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2012

“O museu mais antigo de São Paulo: o fechamento de suas portas ao público e o processo de restauração e expansão se configura como um evento único na história das instituições brasileiras. Contando com outros casos também singulares, como o incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro, o processo instaurado no Museu do Ipiranga é uma ponte para repensar os acervos e a própria estrutura de memória e funcionamento do edifício-monumento. De fato, originalmente foi concebido como um monumento, que, posteriormente, se transformou em museu; de história natural primeiramente, da identidade paulista em um segundo momento e de imaginário nacional a partir do projeto de dominância econômica e cultural do Sudeste do País. Sua imagem representa o mito de uma nação que nascia da taipa de pilão para o mármore e o ferro pacificamente.”

“uma ruína paulista: o grito do guarda-chuva e acriança das bandeiras”, 2020
díptico – placas de compensado de construção usadas, tecido, bastão a óleo e estrutura de metal

erre erre
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2020

“nada volta, né não?”, da série “céu azul, azul fumaça”, 2020
bastão à óleo e spray s/ tela, 155 x 105 cm

Fábia Schnoor
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2014

“Projeto #umseculo • Fábia Schnoor Por volta de 1565, Tiziano pintou o quadro Alegoria do Tempo Governado Pela Prudência, onde são representadas as três idades do homem, acima do quadro existe uma inscrição que segundo Panofsky (2007, p.195) é : “Do passado, o presente age prudentemente para não estragar a ação futura” , ou seja, a partir da memória do passado, agimos no presente para preservar o futuro. Faço parte da última geração analógica e a primeira geração digital. Entre os séculos XX e XXI, a conquista da dirigibilidade aérea, passando pelo cinema, os “tempos modernos” da revolução industrial, avançadas viagens espaciais, o desenvolvimento da tecnologia digital e a internet, a humanidade correu contra o tempo e talvez se distanciou demais da sua própria natureza e seu ritmo primordial. Entre, 2018 e 2019 desenhei o projeto de pesquisa experimental Respirar Comer Dormir em busca de voltar ao essencial e repensar novas formas de vida e de produção mais próximas à natureza humana. A minha natureza em primeira instância, diminui enormemente a quantidade de informações que não eram da minha escolha que consumia e paralelamente comecei a jogar com as informações do mundo que eu escolhia me relacionar. Uma parte do projeto dele pode ser vista no link: (https://www.instagram.com/respirar.comer.dormir/ ) Inspirado nos painéis do Atlas Mnemosyne de Aby Warburg, aqui uso a plataforma do Instagram para formar painéis com imagens que já existem na rede e que não são de minha autoria, propondo novas conexões e percursos entre elas. Uso o #hashtag como ferramenta de movimentação das imagens que são postas em confronto em tempo real com outras na rede, criando relações inéditas. Proponho/experimento um novo uso para ferramenta digital, estabelecendo regras de uso na plataforma no intuito de interferir nos circuitos de massa dos algoritmos que, em geral, determinam um perfil e limitam o conteúdo. Esse é um projeto seminal e em desenvolvimento. A partir do projeto #umseculo, que se desdobra em diferentes trabalhos, confronto notícias e imagens dos séculos XX e XXI criando relações e tensões entre elas. Em uma das séries são postas lado a lado, em duplas, imagens com um século de distância entre elas, como a conquista da dirigibilidade aérea em 1901 ao lado do atentado do 11 de setembro de 2011 ou a teoria da relatividade provada por Einstein com imagens feitas a partir do Ceará no Brasil em 1909 e a primeira foto de um buraco negro em 2019. Em outra série são feitos desenhos a partir das imagens dos anônimos das fotos de jornais, em outra, as imagens são olhadas no detalhe, tornando-os o assunto principal. Uma parte experimental da pesquisa também toma forma na plataforma do Instagram, de nome @umseculo. “

Fabio Zimbres
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2010

“Imagens de um trabalho em andamento ainda sem título, desenhos feitos em abril/2020.”

Flavia Bertinato
Artista indicada ao Prêmio Pipa 2020

“DAMA DA NOITE, 2020, trata-se de um compêndio de experimentações em pinturas e desenhos que surge na esteira de uma série de trabalhos em instalações que venho realizando e que problematizam personificações alegóricas do gênero feminino. A saber, Calada (2008, Galeria Virgílio/São Paulo), Amante (2008, Galeria Virgílio e exposição coletiva Realidades Imprecisas no SESC Pinheiros), Bandida ( 2013, Galeria Marília Razuk; 2014 Museu de Arte da Pampulha- MAP) e Rapunzel ( 2015, Prêmio CCBB Contemporâneo, 2016 SESC Santo Amaro e Museu de Arte de Ribeirão Preto Pedro Manuel-Gismondi – MARP).
A produção de DAMA DA NOITE inicia-se no momento em que participo do Programa de Residência Artística FAAP na cidade de São Paulo, sendo que vivo em Belo Horizonte. O trabalho, portanto, amplia algumas noções em curso em minha trajetória, ao passo que reflete o próprio momento de isolamento social. A produção e configuração dos desenhos e pinturas de DAMA DA NOITE estão sendo articulados no dormitório/estúdio privado numa situação de indisponibilidade de uso dos recursos e equipamentos que estariam sendo usados para o desenvolvimento de um diferente projeto, o inscrito e selecionado para a residência artística que, dado às circunstâncias,articula-se hoje como “quarentena artística”.”

– Dama da Noite, 2020
Tinta à óleo sobre papel, 100 x 110 cm

– Dama da Noite, 2020
Tinta à óleo sobre papel, 58 x 65 cm

– Dama da Noite, 2020
Tinta à óleo sobre papel e telas mostequeiras, dimensões variadas

Fernando Mendonça
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2014

“Máscaras”, 2020 (em processo)
Série de aquarelas sobre papel canson

Frederico Filippi
Artista indicado aos Prêmio PIPA 2015 e 2019

“Imaginar a revolta”, 2020
Asfalto sobre lataria de automóvel incendiada, 72 x 110 x 14 cm

Gabriela Noujaim
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2012

“O roubo e a disputa de países de primeiro mundo de material hospitalar, mostra que a América Latina está vulnerável, sem equipamentos e respiradores suficientes para o combate da doença, evidenciando uma disputa de classes, dentro de uma ótica perversa capitalista mundial.”

“Cov 19 Latinamerica”, 2020 (período da quarentena)
Gravura, Impressão serigráfica do Mapa da América Latina sobre máscara hospitalar, Tiragem 1/60

Gê Orthof
Artista indicado aos Prêmio PIPA 2010 e 2019

“A tela San Giovanni Battista, 1508-1513 de Leonardo da Vinci, medindo 69×57 cm é o ponto de partida e nomeia a série performada para a câmera por mim. São seis fotografias na mesma medida da pintura de referência (uma para cada ano do tempo de execução da pintura de Leonardo, ou seja: San Giovanni Battista, 1508, San Giovanni Battista, 1509 etcetera.)” ( trecho do texto enviado pelo artista, clique no link abaixo para ler o texto completo)
ORTHOF série San Giovanni Battista

“San Giovanni Battista— 1508-1513”
fotoperformance – 69x57cm (emoldurada) – 2020
impressões: Photo Rag 308 Hahnemuhle, 100% algodão – Fine Art

Gê Viana
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2019 e 2020

“Seguem minhas produções durante o mês que estive na minha cidade junto da minha avó.
Faca de cortar arroz instrumento usado nas roças da família, artefato feito de acordo com o tamanho dos dedos uso pessoal nas lavouras, durante um período de fartura nas roças. Uma linha de arroz pra 35 aroba quando a terra é boa depois de batido guarda o alqueiro. Cada membro da familia tinha sua faca ! Aqui peço licença a essa matéria para criação de instrumentos que os meus parentescos usavam na construção e lapidação com cristais selenita. Amolando o gumo das mãos – sobreposição da história 2020.
Santa Luzia do Tidi – MA”

Gervane de Paula
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2018

“Brincando com a morte”, 2020
Montagem atual
“Sinto que a morte me tem constantemente em suas garras. Não importa o que eu faça ela está presente em toda parte” – Montaigne

Grupo EmpreZa
Coletivo indicado ao Prêmio PIPA em 2013 e 2018

O Grupo EmpreZa propõe para a exposição “PIPA em casa”, a realização de um Serão Tele-performático.

Realizado pelo Grupo EmpreZa, o Serão performático consiste em um conjunto de performances que podem ser apresentadas simultaneamente e/ou sequencialmente, em um mesmo espaço-tempo, partilhando ou não um mesmo eixo poético. É um trabalho políptico.

Já o Serão Tele-performático é um Serão performático que acontece no âmbito mental, astral, espiritual… ou como quiser chamar o “outro plano”, onde os participantes procuram se reunir, em forma extra-física para compor situações performáticas.

Neste sentido, o público será convidado, de olhos fechados, a se concentrar em um lugar silencioso, em estado quase meditativo, e buscar telepaticamente o local em que será realizado o evento. O “Serão Tele-performático” terá aproximadamente uma hora de duração. Na ocasião, um conjunto de performances inéditas e do repertório do Grupo EmpreZa, serão apresentadas simultaneamente e/ou em sequência.
O público poderá se imaginar vivenciando alguma dessas situações, ou apenas assistí-las.

Ao término do “Serão”, todos os presentes (performers ou público vistante) deverão redigir uma descrição (em texto) sobre a experiência, narrando as ações que ocorreram no “Serão”, caso tenha acompanhado e enviar para o e-mail do grupo.

Quando o Grupo EmpreZa receber todas as transcrições, cruzarão os textos para apontar os possíveis encontros entre os participantes.
Esses textos serão apresentados na exposição virtual “Pipa em casa”.” Leia todos os detalhes clicando no link do texto e na imagem/convite a seguir.

esclarecimento-serao-teleperformatico

Gustavo Torres
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2018

Ao longo dos últimos 6 anos venho coletando vídeos de usuários de plataformas de vídeo-conversa entre desconhecidos que adormeceram durante o acesso mas que, de maneira inadvertida, continuaram transmitindo suas imagens. Durante este período de quarentena a coleção aumentou de tamanho, e a tendência é de que continue aumentando. A obra apresenta uma parte dessas imagens, organizadas de maneira similar às vídeoconferências que rapidamente se popularizaram nas últimas semanas.

“vídeoconferência 20/20”, 2020
imagem digital

Hugo Houayek
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2020

“Gostaria de inscrever uma série de pequenas pinturas executadas durante o período de quarentena, cada dia consigo fazer de 3 a 6 pinturas.
Já foram feitas aproximadamente 120 pinturas.”

“Série Pinturas 2020”, 2020,
Acrílica e guache sobre papel, 21 x 15 cm (cada)

Ícaro Lira
Artista indicado ao Prêmio PIPA em 2015,2016, 2018 e 2019

A primeira imagem é um “Palo Santo”, muito encontrado na região centro-oeste no Cerrado Brasileiro.
e uma Árvore considera sagrada pelos Incas, que queimavam esta madeira e, com o fumo que dela se libertava, defumavam pessoas, objetos e espaços para os purificarem. Acredita-se que as tribos mais antigas da América Central e do Sul conheciam e reconheciam as propriedades curativas da madeira de Pau Santo, e por esse motivo usavam-na para tratar das feridas.

A segunda imagem é o Museu Nacional no Rio de Janeiro, “Na noite de 2 de setembro de 2018, um incêndio de grandes proporções atingiu a sede do Museu Nacional, destruindo a quase totalidade do acervo em exposição, uma perda inestimável e incalculável para formação histórica e cultural não só do país mas do mundo. Foram perdidos registros de dialetos e cantos indígenas de comunidades que já se extinguiram.”

A terceira imagem é uma representação da gravura “Lavagem do minério de ouro” de Johann Moritz Rugendas (1802-1858),
Cerca de 30 escravos trabalham sob o olhar atento de 7 ou 8 feitores brancos, A lavra situa-se na região montanhosa de Minas Gerais, nas proximidades das cidades de Mariana e Ouro Preto (antiga Vila Rica). O pico do Itacolomi, com 1.772 metros de altitude, o ponto mais alto da Serra do Espinhaço, era chamado de “Farol dos Bandeirantes” pois servia de referência para os antigos viajantes da Estrada Real que ali passavam a caminho das Minas Gerais.

madeira, madeira de carnaúba, papel, papelão, jornal, plástico, grampos, pregos, musgo, tela de proteção, impressão offset e miçanga.
unique
33 x 20 x 2 cm; 50 x 30 x 1 cm e 24 x 27,6 x 2,8 cm

Ío (Laura Cattani e Munir Klamt)
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2018

A Caça

2018 – 2020. Série de vídeos (em andamento), 1 min cada.

A Caça é uma série composta por vídeos com depoimentos de mulheres brasileiras, vivendo em países que lhes são estrangeiros, da qual apresentamos os dois primeiros: depoimento de Isis em Alma (Canadá); e Luiza, em Budapeste (Hungria). O terceiro, em produção nesta quarentena, será feito por Bibiana, em Berlim (Alemanha). A Caça é marcado pelo uso de um tom confessional, na língua local, no qual as mulheres relatam pesadelos recorrentes – todos variações da Síndrome de Jonas (segundo Gaston Bachelard). Os vídeos parecem indiscrições, planos únicos do ambiente, como se celulares ligados ao acaso captassem uma conversa. A série, originalmente prevista para ocorrer na rua em meio a falantes nativos, está sofrendo alterações devido às restrições sanitárias. As mulheres, isoladas em suas casas em diferentes partes do mundo, refletem sobre o momento que estamos vivendo e seu impacto na arte, na vida, nas relações humanas, de produção e consumo. Com Bibiana, a Síndrome de Jonas se torna metáfora para o medo do contágio, quando se tem uma filha ainda criança.

Iris Helena

“A pesquisa retoma a série Zona de Conforto (2011-2015) e reúne algumas impressões inacabadas que juntas constroem a ideia de afogamento de uma cidade e este exercício por sua vez faz surgir uma noção distópica/apocalíptica de um mundo submerso por imagens, notícias e narrativas.”

“Paisagem interrompida // Submersões”(Série Zona de Conforto), 2020
Coleção de impressões à jato de tinta sobre blisters metálicos de remédio, dimensões variadas

Isabela Couto
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2019

“O vídeo faz parte de um conjunto de 27 vídeos de enquadramentos de paisagem para o fim do mundo. Os vídeos são exibidos em um porta retrato digital preso em parede deteriorada.”

“Recordação móvel nº 5”, 2020
vídeo, 2 minutos

Isael Maxakali
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2020

Ūgmūn Yaet Maxakani
Homã hãmhitap hã Ãyuhuk xop te hãmpakut
pax nūn Tikmū’ūn yõg apne tu ha
Tikmū’ūn te penãhã Ãyuhuk xop tu pakut yūmūg tuta nūpaha
tu mīmãti xeka kopa yãyxaptop tu
pakut
Oknãg Tikmū’ūn mīmãti xeka te
xaptop hõmã
Hata hõnhã hiya yãyxaptop ax ūg
mūãte
ok mīmãti xeka ūm pip ūg mū kopa yãyxaptop xix mūyõg hãmkõīnãg ah apna ah yãyxaptop hã
Hõnhã yã yãmīyxop mūn te yūmūg
pupix hu yūmūg kaokgãhã hu
hãmpakut mõkopnup
puyī apne apne ha tu nūn hok
yãmīyxop kutex xohi te xit
hãmpakut kumuk yãmīyxop tak yã
ka’ok xēēnãg yãmīyxop mūtix
Yãmīyxop yã ka’ok xēēnãg

Eu sou Isael Maxakali.
Antigamente, os brancos trouxeram doenças para as aldeias dos Tikmū’ūn, mas quando os antigos conheceram as doenças, eles fugiram para dentro da mata grande e se esconderam para não adoecerem.
Eles se escondiam na mata antigamente.
Mas hoje onde iremos nos esconder?
Por acaso sobrou alguma mata grande por aqui para nos escondermos? Hoje não temos mais espaço!
Não temos mais como nos esconder!
Hoje só temos mesmo os nossos yãmīyxop para nos proteger e nos fortalecere soprar a doença para longe.
Todos os yãmīyxop cantam para varrer a doença ruim e impedir que ela chegue nas nossas aldeias.
Os nossos pajés são muito fortes, com os nossos yãmīyxop.
Os yãmiyxop são fortes de verdade!

Leia o texto completo enviado pelo artista juntamente com o relato dos antropólogos Paula Berbert e Roberto Romerono link abaixo
isael maxakali_pipa em casa 2020.docx

Isaías Sales ( Ibã Hunikuin)
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2016

“yuxibu”, 2020
Acrílica sobre tela, 200x400cm

Iuri Sarmento
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2011
Vencedor do Prêmio PIPA Online 2011

“Árvore da Vida”, 2020
Acrílica sobre tela, 200×200 cm

Ivani Pedrosa
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2010

“BIOMETRIA DA VIOLÊNCIA”

Fotografias captadas com telemóvel e máquina analógica dos olhos abertos de pessoas que sofreram algum tipo de violência; com os olhos fechados de pessoas que nunca sofreram nenhum tipo de violência.
Este trabalho vem sendo desenvolvido desde 2001 primeiramente com fotografias analógicas hoje digitalizadas e posteriormente com telemóvel, ganhando novo impulso com as restrições imposta pela pandemia Covid-19. Com o confinamento a colaboração através das Redes Sociais foi a saída encontrada para continuar produzindo para a Individual no Centro Cultural Candido Mendes de Ipanema, com data a ser remarcada oportunamente.
As Redes Sociais foram um item facilitador para continuar trabalhando no projeto desta Instalação tornando a produção do painel colaborativa, pois através de convite lançado nas Redes (foto abaixo) a adesão foi e está sendo satisfatória.
Continuam fazendo parte do trabalho a captação de olhos através de fotografias com celular, como também fotos retiradas de revistas e jornais.
Apresento este trabalho como um somatório de vivências transformadas numa
estatística estética.

Série Imagem Amplificada Instalação Fotográfica Colaborativa, 2001 a 2020
Projeto BRECHAS PARA NOVOS ESPAÇOS, exposição individual que seria apresentada em Junho/20 no Centro Cultural Candido Mendes em Ipanema, RJ, com nova data a ser remarcada após o confinamento.
Painel fotográfico que será impresso em transparência adesiva sobre acrílico maleável ou acetato.
Dimensão do painel: 150 x 180 x 15 cm (AxLxP).
Apresentação em tiras de 30 x 180 x 15 cm (AxLxP).
Obs.: a profundidade de 15 cm se deve ao fato da montagem não ser junto a parede, sendo presa nas pontas viradas e não esticada, desta forma exibirá uma certa volumetria.

Jaider Esbell
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2016
Vencedor do PIPA Online 2016

Contrapandemia – Fazeres em quarentena Contextualizando a obra
Durante a quarentena, sigo trabalhando em vários projetos simultâneos e interligados. Cumpro o período no meu atelier, em Boa Vista-RR. Dessa forma, optei por me inscrever com o filme de três minutos e mostrar algumas obras e ações que considero relevantes para uma exposição virtual no site do Instituto PIPA. Sou um artivista multimídia, autônomo e autóctone. O objetivo também é mostrar em uma única obra (filme) as minhas atuações nos campos do áudio visual como diretor, roteirista, produtor e ator. Busco chamar a atenção para minha atuação como performer, trabalho que tenho desenvolvido por meio de lives no meu perfil no Facebook, nesse período.O trabalho que venho desenvolvendo com meu próprio corpo enquanto plataforma/suporte/transporte pode ser observado com o alcance do equilíbrio de caminhar sobre o muro fazendo movimentos, atos, invocações….. ( trecho do texto enviado pelo artista, clique no link abaixo para ler o texto completo)

Contrapandemia

“Contrapandemia – Fazeres em quarentena Contextualizando a obra”, Abril de 2020
Direção Geral / Direção Artística / Argumento: Jaider Esbell
Direção de Fotografia: Cláudio Lavôr
Curadoria / Produção: Jaider Esbell er Marcelo Camacho
Assistente de Produção: Parmênio Citó
Imagens: Cláudio Lavôr e Marcelo Camacho
Direção de Som / Paisagem Sonora: Cláudio Lavôr
Captação de Som: Marcelo Camacho
Fotografia Still / Thumbnail: Giulia Gabriela
Montagem / Finalização de Som e Vídeo: Cláudio Lavôr (Biosphere Records Audiovisual)
Web Designer: Márcio Lavôr
Locação: Galeria Jaider Esbell
Boa Vista – Roraima – Brasil

Janaina Wagner
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2019

João Castilho
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2015

“A obra é composta de 25 fotografias realizadas previamente na região do quadrado ferrífero em Minas Gerais.
Apenas as bordas de cada imagem são visíveis, já que cada imagem é ‘calada’ por outra que vem por cima.
A imagem resultante do empilhamento das 25 fotografias foi decupada em 357 pequenos quadrados de 5×5 cm. Cada um dos 357 quadrados foi colado manualmente para a formação da imagem final.
A técnica e o conceito da obra refletem as condições de trabalho no ateliê durante a quarentena.”

“Compressão Territorial”, 2020
Pigmento mineral sobre papel de algodão, 357 impressões de 5x5cm, 90x110cm

Jorge Luiz Fonseca
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2017
Artista vencedor do PIPA Online 2017

“Gatos – Tensão e Isolamento”, março/abril de 2020
Mista (madeira, recortes de latas de tinta, arames e fios de eletricidade), 127 x 107 x 13 cm
Fotografia: Cesar Trópia

Juan Parada
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2015

Durante o período da quarentena estou desenvolvendo uma nova série de trabalhos. Apresento aqui o primeiro deles.
A escultura Cascata Invertida trata do hibridismo das linguagens. A partir de um objeto tridimensional, matérico, feito com cerâmica e rochas, discuto conceitualmente as relações pictóricas, camadas de cor, o diálogo entre elas e entre o espaço do trabalho.
Usualmente em minha pesquisa tenho como referência as condições intrínsecas a natureza, leis da física e química, relações geográficas e topográficas. Sendo um viés a seguir, busco discutir a mescla das áreas do conhecimento nos trabalhos que proponho. Neste trabalho, por exemplo, lido com a transformação física e química da matéria, no qual a cor surge somente após a fusão dos elementos a mais de 1000°C.

“Cascata Invertida”, 2020
Cerâmica vitrificada e rochas, 75 x 35 x 10cm

Laura Belém
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2018

Esta série de desenhos foi por um lado motivada por noticiários recentes que, mais que nunca, evidenciam os mau-tratos do ser humano à natureza e, por outro lado, pela esperança de uma conexão mais profunda da humanidade com os ciclos do tempo, da natureza e da terra, numa atitude de simplicidade, respeito e reverência, como canta o compositor brasileiro Caetano Veloso em sua canção Canto do Povo de um Lugar.”

“Prece do Povo de um Lugar”, 2020
Guache e Ecoline sobre papel Kraft preto, 21 x 29,7 cm cada

Leticia Lampert
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2020

O gesto lúdico de desmontar um mecanismo complexo para analisar suaspartes, como quem quer entender como ele funciona (e nem sempre consegue remontar depois), é a origem da série Práticas para Destrinchar a Cidade. O mecanismo, neste caso, é a própria cidade, uma cidade genérica, onde a falta de perspectiva, a proximidade sufocante entre prédios e a impossibilidade de ver o horizonte, gera uma espécie de embaralhamento de paisagem e do senso localização.
Em relação à construção do trabalho em si, as fotografias originais são recortadas e remontadas num processo parecido com marchetaria, onde não há sobreposição ou qualquer tipo de volume, a superfície é totalmente plana, como se voltasse a ser uma fotografia possível.

“Práticas para Destrinchar a Cidade – mesclar #8”, 2020
Pigmento mineral sobre papel matte, 20 x 56 cm

Louise Botkay
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2019

“Neste momento da quarentena no Brasil, em abril de 2020, estou fazendo um filme com Tunga e seus colaboradores, que num movimento coletivo constroem diversas obras do artista.
Essas imagens foram filmadas em 2014 e desde então repousavam, ou inexistiam, dentro de um HD. Até que chegou este momento de vida e morte, de contato radical com tudo que nos toca e tocará no antes (a.Cv) e no depois (d.Cv).”

“Território Tunga”, 2020
Vídeo, HD, 3′

Lourival Cuquinha
Artista indicado ao Prêmio PIPA em 2010, 2011 e 2014

A obra é um díptico com duas telas que eu e M.L. temos pintado com esperma e outros fluidos corporais cada vez que transamos desde o começo da quarentena.
Uma tela fica no meu quarto, outra no quarto dela, enquanto revezamos a quarentena entre as duas casas.
Ainda estamos pensando no título…Talvez ela tenha o nome de Que Porra Linda De Mundo é Esse?

Díptico
Tela 1: “Bela Vista”,2020, esperma e outros fluidos corporais sobre tela, 60x40cm
Tela 2: “Água Branca”, 2020, esperma e outros fluidos corporais sobre tela, 60x40cm

As 3 imagens são uma foto de cada tela e uma foto de um detalhe de uma.

Lucia Mindlin Loeb
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2012

“Esses trabalhos não foram concebidos da durante a quarentena. Mas neste momento, enquanto esses temas seguem martelando sem parar, aproveito para fazer mais exemplares. Imprimir, recortar, costurar, e assim as ideias tomam formas mais e mais concretas.”

“Moto-contínuo”, 2018
Papel sulfite A4 recortado / 5 cores
impressão laser / costura manual
Fechado: 21 x 15 x 1 cm
Aberto: 21 x 30 x 1 cm
(“The Rede or Net”, gravura de Chamberlain extraída do livro “Views and costumes of the city and neighbourhood of Rio de Janeiro”, London, 1822)
2018

“LUTO 2019”, 2019
Papel sulfite A4 recortado / 5 cores
impressão laser / costura manual
Fechado: 21 x 15 x 1 cm
Aberto: 21 x 30 x 1 cm

“Problemas Brasileiros”, 2019
Papel sulfite A4 recortado/ 4 cores
Impressão laser / costura manual
Medida livro: 21 x 15 x 2cm

Luciana Magno
Artista indicada ao Prêmio PIPA em 2015, 2018 e 2019
Vencedora do PIPA Online 2015

“Capilaridades”, 2020
Performance orientada para video; 1’08
Exercícios se plantar o cu em casa e aprender a ser planta.

Lyz Paraizo
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2017 e 2020

“O construtivismo, apoiado nas ideias de uma utopia moderna brasileira, assim como o concretismo, faliu em seu projeto de construção estético-social, caindo em um formalismo vazio que não reflete o Brasil em sua diversidade social, econômica e racial. A minha poética se constrói a partir de estratégias de uma re-politização da tradição construtivista. Com a minha série “Bixinhas”, busco subverter o vocabulário estético concretista, usando-o não mais para falar da construção do Brasil moderno, mas da violência sofrida pelos corpos desse mesmo país. Ao contrário dos corpos “construtivistas”, eles não são brancos, euro-centrados, de classe média e cis-heteronormativos. Se o neoconcreto – e Lygia Clark referenciada nesta minha série – apostaram numa vivência do corpo impregnada de utopia nas relações “eu e obra”, eu busco o uso da escultura para minha autodefesa.”

“Bixinha”, 2020
Alumínio Jateado , 40 x 40 x 40 cm.
créditos das imagens: Daniel Nicolaevsky Maria

Maikel da Maia
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2014

“Trabalho apresentado na exposição coletiva Registros que no momento tem suas atividades de visitação suspensas por prazo indeterminado com curadoria de Ricardo Resende, participam também Cleiri Cardoso, Jozé Roberto da Silva, Julcimarley Totti, Lahir Ramos e Toni Graton. – Museu da Gravura Cidade de Curitiba – Centro Cultural Solar do Barão / Curitiba – Pr.”

“Pés sem apoio no solo_pés sem apoio do solo”, 2020
11 gravuras – 18 x 18 cm, gravura em metal
estante-vidros – plantas 188 x 83 x 23 cm
fotografias – Marcelo Almeida

Mara De Carli
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2017

Xilogravura
As imagens correspondem ao registro do processo de criação da obra
Impressão manual à colher em papel Wenzu
Matriz modular
1,20 X 0,50 cm

Marc Davi
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2020

“partituras (in)delicadas”

“Não se trata de desenho: são notações de um gesto que se anuncia.
A germinação lenta e quase imperceptível de flores completamente disformes após o acidente nuclear em Fukushima corporifica e revela, ainda que numa pulsação tardia e dilatada, o rastro invisível de um gesto mortífero. O acidente – gerado por um maremoto – desencadearia, por sua vez, um elo sucessivo de desastres cuja repercussão sombria simplesmente não cessou. Fontes oficiais do governo tentam atenuar o evento e afirmam que essas delicadas anomalias silvestres seriam meras mutações espontâneas ( como se não restasse, ainda assim, horror e espanto nesse suposto deslize de matéria viva que acaba por revelar-se em plena consonância com a catástrofe). Tentar eliminar o fator radioativo como causa dessas comoventes perturbações – e, portanto, tentar apagar a parcela de responsabilidade humana – não somente não convence como, por outro lado, lança uma outra perspectiva hipotética mais potente: a de que uma resposta corporal sempre vem. Seja num corpo-planta, seja num corpo-terra. Ainda que anônima. Ainda que intangível. Ainda que tardiamente – já que a lógica dessas manifestações não se curva ao tempo dos protocolos. O tempo, aliás, me parece ser uma problemática de desencontros que condensa uma necessidade constante de negociações de recuos e avanços, numa geometria tão movediça quanto as espirais logarítmicas que derivam do miolo das flores. Uma figura geométrica traçada a partir de pontos em constante movimento não-ordenado, que seria capaz de gerar respostas inesperadas e, portanto, inconvenientemente livres. O tempo instantâneo do desastre-crime-Brumadinho é um extremo oposto nesse espectro de velocidade/tempo/resultado corporal: se apresenta em um imediatismo limítrofe ao campo ficcional. Mas, novamente, reafirma uma vivificação desses desarranjos. Como um crisântemo tardio. Ou um desvio de colunas.
Um eclipse solar em 26 de dezembro encerra o ano de 2019: um prelúdio de sombras?
Os protocolos não levam em consideração a possibilidade de desobediência.
Marc Davi.
PandemiaCOVID19
19.04.2020.”

“partituras (in)delicadas”, 2020
Desenhos
Obs: série de dezenas de desenhos e o limite de número de 3 imagens compromete de certa forma a proposta.

Marcelo Pacheco
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2020

Obra:
‘Piero’, 2020, 72 X 119 cm, costura e colagem de tecidos

Marcia Thompson
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2018

“O trabalho Sem Título (Home) é sobre a pandemia e a imobilidade.
Eu cortei os jornais à mão e coloquei os pedaços dentro de uma caixa de acrílico, empilhados.
Me deparei com a mesma folha em todos os jornais que eu cortei, um pedido do serviço públicode saúde do Reino Unido: “Stay at home to help us save lives”( Fique em casa para nos ajudar a salvar vidas).
As palavras foram cortadas, como as casas foram divididas. Minha família, por exemplo, está entre a Inglaterra e o Brasil. Algumas pessoas estão sós. A palavra “us” (nós), no recorte do jornal, parece ler “só”, em português de cabeça para baixo. A palavra “me” (eu) se reflete como
“we” (nós).
O isolamento é fundamental neste momento, ele foi criado pelo senso de comunidade global. As letras expostas formam um “quebra-cabeças” que expande o sentimento da mensagem original do texto no jornal.
As irregularidades dos cortes enfatizam a individualidade de cada fragmento, multiplicados no acúmulo que parece ser homogêneo. O material bidimensional se transforma em volume, reduzido a sua materialidade mais básica.”

Marcia Thompson, abril 2020.

Sem título (home), 2020
Jornais e caixa de acrílico, 15 x 15 x 15 cm

Marcone Moreira
Artista indicado ao Prêmio PIPA em 2012, 2013, 2014, 2016 e 2018

Rotação

Meu trabalho desde o início está relacionado à memória de materiais gastos e impregnados de significados culturalmente construídos, me interessando a apropriação, o deslocamento e a troca simbólica de materiais.

Dentre os diversos materiais usados na elaboração do meu trabalho, a madeira de descarte das fabricas de carroceria de caminhões sempre despertou meu interesse por diversos motivos, a matéria madeira, as cores e signos presentes como adorno e cuidado estético, além das marcas e desgastes incorporados ao material ao longo do seu tempo de uso atravessando as estradas desse imenso pais.

Ao longo de um tempo experimentando outros materiais, o que me permitiu uma ampliação de possibilidades, agora volto a me atentar a esse material. Nesse momento de isolamento social, estou na cidade de Marabá-PA, local onde possuo um ateliê no qual há uma quantidade significativa de madeiras de carrocerias armazenadas, tenho portanto revisitado esses elementos e realizado uma série de trabalhos, tendo como exemplo a obra apresentada nas 03 imagens aqui enviadas.

Assim como no processo de ruminação, creio que possamos nos nutrir do que já foi digerido em momento anterior, pois tenho experimentado novas possibilidades, como o uso de parafusos que tem me permitido outros questionamentos, acrescentando movimento e pensado na espacialidade dos objetos construídos a partir dos fragmentos de carrocerias.”

“Rotação”, 2020, madeira de carroceria e parafuso, dimensões variáveis.

Mariannita Luzzati
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2016

No dia 10 de julho de 2018 o Jornal O Globo publica:
“Sétimo corpo é achado na região da Praia Vermelha, Urca, 2 dias após confrontos”
“Bombeiros encontraram na manhã deste domingo (10) seis corpos na Praia Vermelha, na Urca, Zona Sul do Rio, dois dias após confrontos que aterrorizaram a região turística e de área militar. Os cadáveres foram encontrados no costão conhecido como Pedra do Anel, região de difícil acesso.

À tarde, mais um homem morto foi encontrado, o sétimo, em uma área de mata. Familiares que foram ao local admitiram que os mortos tinham ligação com o tráfico, mas acusam os policiais do Batalhão de Choque da PM de execução”…”O que acontece foi a polícia pegar nossa alegria, e matar, e jogar por aí como se fosse nada. Eles pegaram os meninos, renderam os meninos, mataram com um tiro na cabeça e jogaram lá de cima da pedra. Isso é uma coisa lamentável e abominável. A polícia do Rio fez uma chacina com nossos familiares”, declarou a parente de um dos mortos.”
Nesta obra intitulada Praia Vermelha, a imagem desta paisagem é colocada em um contraponto radical entre a natureza dos fatos que ocorrem no dia a dia da humanidade, propondo que o expectador seja confrontado com várias “verdades“ antagônicas, e portanto relativas, sobre uma só realidade, deste modo a verdade contada pela polícia e a outra verdade narrada pelos familiares das vítimas entram em confronto, convidando o expectador a fazer uma reflexão sobre a fragilidade da existência humana que se confronta com a ironia de que a natureza se sobrepõe aos fatos e consequentemente a paisagem sempre volta a conquistar a sua integridade independente.”

“Praia Vermelha”
Óleo sobre tela, 157X197cm

Marina Camargo
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2016, 2017 e 2019.

“Os mapas enquanto formas de representação de espaços e também de construção narrativas diversas (políticas, históricas, sociais, etc.) são elementos recorrentes na pesquisa poética de Marina. Experimentações com a materialidade da cartografia através do uso de recortes em borracha, tecidos e materiais flexíveis fazem parte de suas pesquisas recentes sobre estruturas fluidas de representação de espaços.

“Frações de espaço” é parte da série dos “Mapas-moles”, na qual a cartografia e suas estruturas são repensadas a partir de um princípio de fluidez e desconstrução de uma ordem estabelecida. O espaço geográfico como um processo que não termina, mas que está em constante transformação.”

“Frações de espaço (mapa-mole)”, 2020
PVC macio, 550x300cm (aproximadamente)

Marlon de Azambuja
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2016

“Na série Posse, nos encontramos com um grupo de esculturas/maquetes de concreto que evocam alicerces de construções modernas, ao mesmo tempo que se apresentam como ruinas que lembram tantos projetos arquitetônicos abandonados nas grandes cidades em tempos de crise. Sobre essas edificações, repousam figuras de porcelana que imitam a pássaros definidos como “exóticos” em uma tradição europeia que remonta ao Século XVIII. A procedencia dessas porcelanas assim como sua disposição despreocupada sobre a construção são situações que propõem uma lógica imigrante, o pássaro (aquí como objeto obsoleto dotado de uma clara visão colonialista europeia do passado) toma posse deste espaço como quem reclama um direito natural a possuir-lo e habitar-lo, fazendo eco de uma linha de pensamento histórico e lançando perguntas a respeito das estrategias arquitetônicas modernas.”

“Posse”, 2020
Concreto e figura de porcelana (procedencia europeia, mediados do Século XX), 55 x 50 x 34 cm

Marta Neves
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2012

“CONTROLE é um tríptico da série “Impressão: nascer do sol”, resultado de uma coleta de publicações (como ready-mades ajudados) de páginas do Facebook.
São postagens onde as pessoas tentam trocar e vender coisas, dando um tom de excepcionalidade a tudo, mesmo o que é pobre e gasto. É uma promessa de vida, de sol nascente, de sucesso no meio de uma esculhambação de fotos mal feitas, tristezas mal disfarçadas, tragicomédias e dívidas eternas. E é também uma espécie de paisagem precária de vidas precárias, um conjunto de tropeços generalizados que só o artista impecável, o cientista casmurro e o jurista ininteligível “não têm”. Mas como tropeço, sendo errada ou “errorista”, como quer o Grupo Etecetera, entro de sola nessa paisagem e substituo as fotos das pessoas que comentam e publicam nas tais páginas por fotos minhas (quase a única alteração feita, além das trocas de nomes). O resto é o mesmo mundo mal acabado de restos que se vendem lá.
No tempo de pandemia, têm me chamado especialmente a atenção, em minha constante pesquisa dessa mistura entre vida comum e ‘arte vira-lata’, esses posts relativos a comida, onde erros de português, vontade de açúcar e pressa parecem se destacar na insuficiência geral de meios e, principalmente, de controle sobre o cotidiano. Estão aí, na verdade, trabalhadoras das redes sociais, como tantas de nós agora. Se parecem divertidas é porque o humor conta mais de nós mesmas e de nossa absoluta solidão num mundo que se promete melhor pós COVID, mas onde somos ainda mais exigidas como produtoras incansáveis em isolamento. Penso então que o humor, que não foge do patético, é um dispositivo razoavelmente trocável também, assim como as trocas de mercadorias propostas em CONTROLE, pelo enfrentamento do medo num momento em que, em meio às lives e tutoriais de youtube, a pressão produtiva aumenta, mas a ideia de paralisia espia a gente ali da porta.”

“CONTROLE”, 2020
Imagem processada digitalmente (tríptico), 29,7 x 52,35 cm

Matias Mesquita
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2016

“Desenvolvo trabalhos híbridos nos quais a pintura encontra a escultura.
Para o suporte pictórico, busco uma arquitetura que combine materiais brutos como cimento, barro, placas de metal e escombros de ruínas urbanas. Para a pintura, parto do meu interesse pela fração do tempo, pelo instante que o olhar tenta capturar durante a contemplação cotidiana. A imagem fugidia serve de referência para minuciosa pintura a óleo que cobre uma porção do suporte moldado.
A materialidade da obra é explorada de forma que subverta convenções plásticas comuns, num processo em que a força escultórica e a tradição pictórica se encontram. Enquanto o suporte expõe a fragilidade e a precariedade do material, evocando uma condição social e urbana inerente a uma sociedade em constante transformação, a pintura tenta eternizar o instante para posteridade.
Toda essa construção, somada a delicadeza das pinceladas da pintura realista, dá abertura à subjetividade do observador e ativa a possibilidade de sua imersão dentro de um novo processo contemplativo.”

“Ante o Crepúsculo”, abril de 2020
Pintura a óleo sobre placa de barro e cimento, ruínas e escombros de demolição, 68 X 110 cm

max wíllà morais
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2020

“Essa série está em desenvolvimento desde final de fevereiro de 2020 até agora. Tenho realizado fotografias 35mm do contato do grupo to show/to hide Zumbidas, Rastejantes, Rabos, Trepadeiras e Gruda-gruda com minha família, grupos extensivos e lugares. To show/to hide são coisas entre roupa, vestimenta, ornamento, ser invisível e visível, aparecimento e desaparição. As três fotos que envio são registros digitais, tirados para documentar a quarentena, quando as to show/to hide encontraram minha casa e minha mãe Elenice Guarani.”

1. “to show to hide Rabos e Gruda-gruda em casa”, da família To show/To hide, 2020
2. “to show to hide Rabos em casa”, da família To show/To hide, 2020
3. “to show to hide Rabos com minha mãe Elenice Guarani”, 2020

Maxim Malhado
Artista indicado ao Prêmio PIPA em 2011 e 2015.

“…toda casa tem um metro a mais de grandeza
e se a imaginação sua superar toda e qualquer hipótese de fracasso, ainda assim terá sua casa, pode então transformá-la no que desejares, contanto que seja no mínimo verdadeiro, ela a casa, ao contrário, todos os esteios, os cantos, juntamente com o telhado inteiro ruirão, aparecerão com o tempo, como em qualquer outra construção abandonada, surgirão rachaduras do rodapé até a cumieira, no pé direito mais alto, ainda assim no entanto, desse instante em diante, para libertar de toda essa lida, basta dar as costas como quem nega a si mesmo, pela terceira e última vez…
marca, marca com um “X” todas as casas por onde passar e se ainda quiseres mais, coloque nos lábios o mais belo dos batons que tiveres na bolsa e as beije, beije todas antes de riscar, pois a coisa mais provável nesta vida e talvez a melhor saída, ainda seja a loucura.”

“-C-A-S-A-“, abril 2020
Papelão, palha tingida e linha de tricô vermelha, dimensões variadas

Mercedes Lachmann
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2018

“Conexão Vegetal
Enquanto os humanos se recolhem o meio ambiente descansa, se
regenera.
Estamos à deriva.
O cacto na minha varanda fala comigo.
Ele conhece a resistência e me diz para não temer.
A solidão é uma viagem para dentro.
Sou magnetizada pela sua força.
Ele me chama, e com o coração disparado vou!
Nenhuma certeza resta em pé.”

“Conexão Vegetal”, 2020
Tríptico – três fotografias de 40 x 60 cm
Impressões em papel de algodão, chassis de PVC, moldura de madeira e vidro Museu.

Moisés Patrício
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2016

“Sou preto, periférico e essa experiência com o Covid -19 tem sido devastador em todos os sentidos, perdi o atelier, aulas e residências artísticas importantes, essa ajuda será fundamental para sobreviver e seguir pesquisando.
Apresento para vocês uma série de fotografias realizadas desde 2014 para as redes sociais, “Aceita?” que traz cerca de 1800 imagens em que a minha palma da mão esquerda se estende para oferecer objetos encontrados nas ruas de São Paulo, palavras e gestos relacionados às situações que experimenta diariamente na cidade. A escolha pelo retrato da mão e do gesto de oferenda (fundamental no candomblé) serve de crítica à herança racista e escravocrata, que reduz o papel da população negra ao de mão de obra (gari, empregada doméstica, segurança, jardineiros). De forte carga simbólica e social, na medida em que recupero e devolvo à circulação aquilo que foi considerado descartável pela sociedade, as fotoperformances refletem sobre o caráter excludente de espaços urbanos e circuitos de arte. Durante a quarentena ofereço objetos, palavras e desenhos encontrados na minha casa localizada na periferia de São Paulo.”

Da série “Aceita?”, 2014-2020
Fotografia, materiais diversos, 18 x 18 cm

Naiana Magalhães
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2016

“As cianotipias são um dos desdobramentos da minha pesquisa com as pedras cariri, que apresentei pela primeira vez na Temporada de Projetos do Paço das Artes-SP 2018. Estes trabalhos também partem da minha observação do litoral da cidade que habito, Fortaleza, na qual os calçadões da Beira-Mar são revestidos com esta pedra. Em seguida, apresento o texto escrito por mim em 2017, que marca minha relação com essa história” ( trecho do texto enviado pela artista, clique no link abaixo para ler o texto completo)
Sem título, cianotipias

Sem título, 2018-2020.
Série de cianotipias em papel Mix Media Canson A4.

Orlando da Rosa Farya
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2017

…in vitro X, Y, Z (tríptico), 2020
acríílica sobre tela, 20 x 20 cm

Pablo Lobato
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2012

“Together apart”, 2020
vídeo, 2min

Pablo Ferretti
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2014

“O atelier onde trabalho fica no térreo de um prédio que abriga outros ateliês, um espaço de contato, de convívio entre práticas artísticas. Sobre meu espaço há uma claraboia de luz generosa, por vezes em demasia, ofuscando e marcando todas as suas transições. Nunca entendi muito bem porque os artistas colocam em suas biografias a cidade onde vivem E trabalham, mas preciso acrescentar que também moro neste prédio, de onde escrevo agora, durante a quarentena.
Estávamos sob as primeiras nuvens do isolamento social quando os ocupantes dos outros ateliês corriam para resgatar o que lhes poderia ser útil. Entre eles um artista que precisava partir para seu país antes da possibilidade do seu ou do nosso espaço aéreo fecharem por completo. Seu voo contudo havia sido cancelado e não havia mais comunicação com a empresa aérea. O artista decidiu correr para o aeroporto e esperar indefinidamente um portal que o levasse de volta, para qualquer lugar perto do destino. Do seu ateliê ele recolheu o que podia e jogou fora trabalhos e outros materiais de uso possível dentro desse acúmulo comum aos artistas, valiosos e precisos às vezes, tão descabidos e inúteis em outros.
Eis que entre paredes, obras e mesas em estado de expectativa e ainda com a poeira reassentando sob a claraboia, encontrava-me só. Quando você está diante de um trabalho em andamento, diante do resguardo momentâneo de todos levantes possíveis, enquanto estes não batem ou escancaram a sua porta, você segue. Entre os objetos e materiais descartados havia a foto de uma sala de estar e tintas para caneta marcador.”

“SALA DE ESTAR”, 2020
Tinta para marcador sobre Impressão digital, tinta para marcador e óleo sobre tela, aproximadamente 70 x 100 cm.

Panmela Castro
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2019

“Durante a quarentena pedi que mulheres me escrevessem junto com uma selfie, relatos sobre sua quarentena, o que estão passando e o que estão pensando, e a partir desses relatos, estou pintando seus retratos. Para o  Pipa em casa, escolhi esse relato de uma mãe que fala muito sobre a rotina de muitas mulheres em casa, cuidando de seus filhos e tentando cuidar um pouquinho de si também.”

“#RetratosRelatos 38”, 2020
Spray e acrílico sobre tela, 120 x 80 cm

Paul Setúbal
Artista indicado ao Prêmio PIPA em 2017, 2019 e 2020

“Curae” (da série “Corpo e Estado”), 2020
Sangue sobre papel, 27 x 39 cm

Pedro Gandra
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2019

Série:”Trabalho dos dias”, 2019/2020
Acrílica sobre tela, dimensões variáveis

Rafael Adorján
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2018

“O título dessa fotografia, ‘Avistamos um sobrevivente caminhando a esmo pelas ruas’ pode realmente trazer um clima distópico, uma ideia de que o mundo (pelo menos como o conhecemos) realmente terminou. Uma das possibilidades ou exercícios que tenho à disposição nesses tempos de quarentena é o de observar da minha janela pessoas que saem às ruas (seja porque se aventuram, seja porque realmente precisam, ou ainda porque já vivem nas ruas e não tem outra opção). Não sei o caso da foto, mas pela minha fabulação, trata-se de um sobrevivente.”

“Avistamos um sobrevivente caminhando a esmo pelas ruas”,2020
Fotografia digital, 60×40 cm

Rafael RG
Artista indicado ao Prêmio PIPA em 2012, 2015 e 2018

“Vídeo-diário que relata ações e pensamentos de uma noite de quarentena durante o meu período de isolamento social na casa dos meus pais em Guarulhos – SP.
Não diferente de muitos artistas e outros profissionais do mundo, tive todos os meus projetos futuros cancelados e\ou adiados e como forma de redução de custos voltei a morar na casa dos meus pais. O vídeo narra um acontecimento banal dentro da nova rotina de novamente compartilhar o espaço doméstico familiar. Junto á esse acontecimentos, pensamentos sobre afetos do passado vêem a minha cabeça.”

“Meia noite e quarenta e três minutos”
Texto, imagens e edição : Rafael RG
Vídeo realizado com aparelho celular e finalizado no computador.
Audio gentilmente gravado e enviado por WhatsApp por Pedro Maria Dutra.

Rafa Silvares
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2020

“Hell raisins churrasquinho grego skincare”, 2020
óleo sobre linho, 90 x 70 cm

Raquel Nava
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2018

“‘Só me resta bailar’ é uma pequena escultura de restos que sobraram no ateliê nesse período quarentena. Composta de um recipiente de alumínio de remédio para asmático, um pedaço de poliuretano que esguichou por acidente e sobras de taxidermia de um pintinho cujas partes mutiladas já foram utilizadas em obras anteriormente expostas.

Acompanhada da frase de Clarice Lispector
‘ O mundo já caiu, só me resta dançar sobre os destroços’, me divirto e me deprimo nessa escassez e isolamento.”

“Só me resta bailar”, 2020
Poliuretano, recipiente de alumínio e taxidermia de pintinho, 19 x 19 x 9 cm

Regina de Paula
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2011

“Projeto CONTÁGIO
Contágio de palavras, um adensamento de vozes, a se propagar, numa dimensão possível para a coletividade.
Gostaria de propor um encontro. Iremos, entre hoje e amanhã, dia 15 de abril, até meia-noite, proferir uma frase de cerca de 5 segundos, sobre a situação que vivemos atualmente em face da epidemia do Covid-19: como estamos nos sentindo individualmente ou algo que gostaríamos de compartilhar.
Essa fala deverá ser gravada; pode ser pelo seu celular, e, para garantir mais qualidade, procure um espaço silencioso e, se possível, faça uso do microfone externo. Os áudios deverão ser enviados imediatamente para o meu celular via WhatsApp, caso você tenha recebido o convite diretamente de mim; se o recebeu por esta convocação, encaminhe sua fala para para o celular do projeto (21)992944218 via WhatsApp ou pelo e-mail contagio.contatos@gmail.com
A partir dessas frases, será construído um trabalho audiovisual.
Conto com a sua participação!”

Ficha técnica:
Regina de Paula
Contágio, 2020
Vídeo
edição de vídeo e som: Fabiano Araruna
revisão de texto: Maria Helena Torres

Renan Cepeda
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2012

“O novo normal: o velho essencial.
Renan Cepeda
O cancelamento de vários eventos e cursos que eu ministraria – além de abertura de exposição individual no Centro Cultural do Ministério de Relações Exteriores do Peru, em Lima – me privaram de grande fonte de renda, coisa de dezenas de milhares de reais, que garantiriam o nosso sustento básico e austero até o fim deste ano. Somos casal com dois filhos. Me converti em um ponto de interrogação.
Nas grandes crises da História os mais preparados para sobreviver são:
1- os que têm contato e acesso direto à terra e ao conhecimento para se adequar às mudanças; 2- os capazes de produzir o próprio alimento, em agricultura de auto-subsistência;
3- os que podem construir seu próprio abrigo.
Numa era de hiper especialização profissional, paradoxalmente são as habilidades ligadas à autonomia que assegurariam a sobrevivência da espécie sob um apocalipse planetário. As mesmas que sempre foram a base do desenvolvimento da civilização: a agricultura, a observação dos ciclos da natureza, isto é, a capacidade de produzir conhecimento ligado a atividades de satisfação de necessidades básicas.
Assim, neste momento nos refugiando da epidemia numa casinha de origem camponesa, somos beneficiados com o acesso a água sem contaminantes, ar sem impurezas, alimento sem custo monetário.” ( trecho do texto enviado pelo artista, clique no link abaixo para ler o texto completo)
ONovoNormal-R.Cepeda

Aqui apresento meu trabalho para o prêmio PIPA EM CASA, com três fotografias que fazem parte de um conjunto maior que venho produzindo nestes dias de quarentena. A saber:
– Retrato de Hermes Freimann Verly, agricultor, 2020, fotografia
– Nossa Casa em Vargem Alta, 2020, fotografia
– Alimentos doados a nós pelos colonos, 2020, fotografia

Renata Felinto
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2020

Sobre o que precisa ir para que algo possa nascer ou Ode ao Tempo”
A criação artística é minha reza manual, silenciosa e poética no manuseio do que revisito nas miudezas que levo guardadas no coração e no armário; nas gavetas e em vasos; nos cantos da casa e do corpo.
Fui recolhendo as folhas e flores secas que guardo por anos e que me prendem a momentos e situações; a emoções e sentimentos que agora estão presenteadas ao Tempo.
O Tempo aqui não se relacionada à cronologia cronometrada da racionalidade e lógica do Ocidente europeu.
O Tempo é o Iroco, entidade iorubana representada pelo secular baobá que, por sua vez, é a árvore de raízes ancestrais, que penetram a terra onde são entregues os corpos de nossas e nossos antepassados. As raízes do Tempo têm intimidade com a terra, de onde viemos, segundo várias mitologias, e para onde vamos também.
De onde retiramos o que nos alimenta fisicamente. Tempo e Terra. (trecho do texto enviado pelo artista, clique no link abaixo para ler o texto completo)

Sobre o que precisa ir para que algo possa nascer ou Ode ao Tempo – Renata Felinto

“Sobre o que precisa ir para que algo possa nascer ou Ode ao Tempo”, 2020,
duas gaiolas, plantas secas e plantas vivas, garrafas e potes de vidro, pedras, palhas, flores e plantas artificiais e brilhantes e fotografia interferida, 34 x 30 x 15,5 cm cada gaiola

Renato Pera
Artista indicado ao Prêmio PIPA em 2014 e 2017

Vampiro (Terrir) é um projeto audiovisual pensado para a internet (vídeo, gif e banner), em resposta ao momento atual de isolamento, exibicionismo narcisista online e desintegração da esfera pública. Resposta no “calor da hora”, mas que reconhece sintomas que já se anunciavam há algum tempo e encontraram na atualidade um contexto fértil para se manifestarem.
O projeto deriva de uma pesquisa iniciada em 2018, que associa arte, display publicitário e auto-exposição, por meio da imagem tragicômica de um sujeito disfarçado de vampiro.
Cada uma das cenas do vídeo procura contrapor um autorretrato fotográfico (imagem glamurizada) a um derramamento de sangue (imagem escatológica). Em seu aspecto formal, o trabalho reforça um compromisso com a experimentação e a expansão das linguagens artísticas. Consiste na colagem de linguagens e referências: fotografia, efeitos especiais, amostras de áudio e vídeo encontrados na internet, pastiche de filmes de terror e flerte com formatos publicitários. Elementos filtrados pela visualidade dos gêneros gore, horror, exploitation e a sua versão pastelão, o “terrir”.”

“Vampiro (Terrir)”, 2020
Vídeo com trilha sonora, 1 min 41 seg
Direção: Renato Pera
Edição: Caio Fazolin
Foto: Célia Saito

Vampiro (Terrir), 2020 from RENATO PERA on Vimeo.

Rodrigo Cunha
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2014

“Mimorbini”, 2020
Óleo sobre tela, 40x30cm

Rodrigo Garcia Dutra
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2015, 2016 e 2017

“Vim a Portugal no começo de fevereiro. Tenho antepassados aqui. Já havia me chamado a atenção alguns azulejos que vi no Museu de Arte do Rio de Janeiro, desta tradição portuguesa. Chegando aqui achei curioso vê-los por toda parte. Do meu interesse em linguagem geométrica surgiu esta vontade de se criar estes azulejos, primeiro como desenho e pintura. VIlém Flusser bem explicita em sua auto biografia ´Bodenlos`composta por ensaios em diálogo com artistas e intelectuais no Brasil, como João Guimaraes Rosa, esta relação com a língua Portuguesa e o uso que se faz dela por este autor: “A língua tem poder instaurador da realidade e é anterior a ela, no sentido de “no início era o Verbo”. Neste sentido é ela também anterior ao poeta. O poeta não cria a língua, mas cria dentro dela e com ela. Por isto toda língua impõe sua realidade específica, e o poeta deve procurar identificar-se com a especificidade de sua língua se quer participar do seu processo criativo.” Assim, eu me reinvento dentro desta tradição dos azulejos portugueses.”

Sem título (Azulejos em Tempos de Pandemia), 2020
Conjunto de 7 aquarelas, 22 x22 cm cada

Rodrigo Linhares
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2018

“Rebote”, 2019
impressão digital sobre papel fotográfico, 61 x 285 cm

Shima
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2013
Vencedor do PIPA Online 2013

“Ansiedade é excesso de futuro, depressão é excesso de passado.” Não há como retornar ao que já foi, e muito menos prever o que será, diante do contexto atual da humanidade. “Agora” tem sido um exercício de presentificação, aspecto intrínseco da performance que, na impossibilidade da execução ‘ao vivo’, transformei em um vídeo, na qual trago as questões e reflexões sobre o tempo em que vivemos até então, e o tempo que viermos a viver. O “Agora” como o hiato incompleto, no término da escrita da palavra, o seu início já encontra-se no passado. O exercício da escrita enquanto meditação ativa, e a possibilidade de se fazer presente diante do que é imutável e da certeza da impermanência.”

“Agora”, 2020
vídeo de celular editado,3 minutos

Simone Barreto
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2020

“A violência doméstica contra mulheres cresceu durante o período de isolamento social e quarentena. No Ceará, nos primeiros dias de isolamento social já se pode observar o aumento do número de pedidos de medidas protetivas de emergência. Em 2019, o Ceará foi o segundo estado onde mais se matou mulheres.

Enxoval é uma peça bordada que construo com minha mãe, Laura Barreto, com quem estou vivendo a quarentena de isolamento social.”

“Enxoval”, 2020
Bordado – tecido de algodão, 100 x 200 cm

Tatiana Grinberg
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2012

Compartilho aqui imagens desses dias, encarar de frente, considerando uma folga para o olhar periférico, e o retrovisor.

“Déjà-vu [momento, intermitente, momentos, primeiro, período] “,(2020)
compartilhamento de olhar atravessamento//retrovisor//processo

Tatiana Stropp
Artista indicada ao Prêmio PIPA em 2012 e 2013

A artista, Tatiana Stropp, trabalha com chapas de alumínio e sua pesquisa envolve o uso da cor e suas relações cromáticas, além de questões como limites e proximidades. A ação de dobrar a superfície do alumínio abriu uma gama de possibilidades ao incorporar a cor do verso da pintura refletida na parede. A dureza do metal avança para o espaço e a sombra colorida transborda pelos limites do suporte. Suas obras trazem diferentes tons que aparecem por meio da técnica de velatura, com camadas tênues de tinta sobre o alumínio, criando efeitos de opacidade e transparência, incorporando a luz ambiente na própria superfície da pintura.

Tiago Giora
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2010.

“Minha idéia aqui era fazer papel, não folhas de papel, mas placas, blocos de papel que contradizem as qualidades imateriais do típico suprimento de escritório tamanho A4. Meu processo de fabricar esses blocos foi lento e solitário, usando uma única moldura telada e dependendo de condições climáticas instáveis. A grande quantidade de papel que tenho reciclado ao longo deste período veio da minha família, incluindo muitos desenhos velhos e rascunhos feitos por mim e minha filha. E o resultado é algo entre uma folha e um tijolo, que em sua espessura mostra traços da rotina da família acumulada em camadas.
Assim como a superfície do papel fica pulsando entre a imagem e a matéria, as linhas e pontos que faço também ficam em cima do muro, entre a coisa – linha de costura e alfinete; e o sinal gráfico – traço e ponto. A poligonal fechada que criei esticando a linha entre os alfinetes, fincados a esmo nas placas de papel, me lembrou os desenhos de constelações e fiquei pensando nesta ação de tentar achar desenhos em estrelas, de tentar encontrar algo familiar no caos, de trazer tudo o que encontramos de volta para o nosso vocabulário de referências.”

Clique no link abaixo para ler o texto ( em inglês) sobre a obra “Constellation”
Constellation 2020

“Constelação”, 2020
Blocos de papel reciclado em formato A4

Tinho ( Walter Nomura)
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2012
2º artista mais votado no PIPA Online 2012

“Novos paradigmas, velhos seres”, 2020
Colagem e óleo sobre papelão, 138 x 110 cm

Tony Camargo
Artista indicado ao Prêmio Prêmio PIPA em 2010, 2011 e 2017

“Este trabalho foi realizado em meados de março, já em quarentena e bastante influenciado por ela. Trata-se da continuidade de uma pesquisa nessa linha que já desenvolvo há quase vinte anos. Os trabalhos dessa série são fundamentalmente pictóricos, e embora sejam sempre relativamente “pequenos”, são trabalhos intensos, feitos num processo lento de observação, como se fossem pinturas em tela mesmo. Pela proximidade que têm com o tamanho padrão das reproduções em livros e das telas de computador, a escala é para mim, inclusive, parte estrutural do assunto.
Uma das características da pesquisa é a figuração de personagens anônimos e “narrativas” politicamente sugestivas. Especificamente nessa obra fui bastante influenciado pelo contexto atual, e inevitavelmente posso afirmar que figuram como canhestras sugestões no trabalho – embora isso seja sempre relativo, porque não quero que o trabalho apenas ilustre, mas sim que seja algo de fato – personagens reais, como por exemplo os presidentes do Brasil e dos EUA, e o próprio vírus.”

“Sem título”, 2020
Acrílica e fita adesiva sobre papel, 25 x 33 cm

Traplev
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2010

“Pesquisa em processo (de compreensão) sobre políticas econômicas e sociais em épocas de crise, fazendo um exercício de imaginação política de intervenção estatal mais social no mundo, várias questões ficam abertas para reflexão e projeção de utopias para implementação educacional e experimentação de linguagem.” – março/abril 2020

título provisório:
“novos acordos e referências históricas”, 2020, em processo

Tuti Minervino
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2015

“Quarentena”, 2020
Video-performance

Ulysses Bôscolo
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2017

Envio uma pintura* para estar no tour virtual, que terminei recentemente, assim como uma série destes trabalhos que agora, mergulhado de vez no ateliê durante a quarentena, são constantementes retrabalhados a exaustão, principalmente em pequena escala, formando as impressões que tenho dessa calamidade, a conta gotas. São casas, cachoeiras, crateras, auto-retratos, pássaros e incêndios.

*Imagem da cratera. As outras são para visualização do processo de trabalho do artista.

Óleo sobre tela, 2020, 50 x 60 cm

Vauluizo Bezerra
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2012

Vicente de Mello
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2017

“Diluições Instantâneas (c1990-2020) é uma série de Vicente de Mello em processo desde a década de 1990, devido ao tempo em suspensão imposto pela pandemia do Covid-19, foi concluída em abril de 2020. A série de imagens fugazes de relacionamentos amorosos, registros pautados pelo desejo corpóreo, foi possibilitada naquele período devido a câmera Polaroid, conhecida pelo amplo sucesso alcançado pela satisfação da imediatez, de uma concretude resultante do ato fotográfico, viabilizando a geração de imagens instantâneas, do desejo apressado do encontro real, se materializa na superfície polarizadora, possibilitando múltiplas experimentação no universo analógico.
Ancorado na ideia de Georges Battaile, de erostismo entendido como experiência de dissolução dos limites corporais, que dilui instantaneamente o ser no momento presente (1957), a série Diluições Instantâneas o pera também na sobreposição de imaginários do passado, do presente e do futuro, problemática já explorada em outras séries fotográficas de Vicente de Mello, como Vermelhos Telúricos (2001) e Topografia Imaginária ( 1997)….” ( trecho do texto enviado pela artista, clique no link abaixo para ler o texto completo)
Projeto PIPA

Virgílio Neto
Indicado ao Prêmio PIPA em 2013 e 2014

“Venho desenvolvendo a série “Miúdos” há três anos e hoje já são cerca de uma centena de desenhos. Comeceii essa produção influenciado pela leitura da poesia de autores como Hilda Hilst, Carlos Drummond e Manuel de Barros. Minha vontade com essa série é investigar alguns aspectos da relação entre materialidade e criação poética.
O trabalho transita entre linguagem da pintura e do desenho e carrega também referências do processo escultórico. Exploro formas orgânicas da natureza e também trago elementos do imaginário cultural do homem para criar representações desses “pequenos objetos poéticos”, que podem tanto aludir a formas familiares quanto provocar estranhamento pela sua construção enigmática.”

Série Miúdos,2018 – 2020
Grafite, aquarela e pastel sobre papel, 25x19cm (cada)

Virgínia Pinho
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2017

Liquidação

A casa foi vendida com todas as lembranças
todos os móveis todos os pesadelos
todos os pecados cometidos ou em via de cometer
a casa foi vendida com seu bater de portas
seu vento encanado sua vista do mundo
seus imponderáveis por vinte, vinte contos.

[Carlos Drummond de Andrade]

‘Vende-se’ (2020) apresenta uma série de fotografias de fachadas de casas populares, terrenos e ruínas com indicação de venda, todas no bairro Antônio Justa, em Maracanaú/CE. O bairro teve origem a partir da antiga Colônia Antônio Justa, inaugurada em 1942 para o isolamento compulsório de pessoas diagnosticadas com Hanseníase.

Imagens de casas populares à venda, a transformação da vivenda. O lugar de viver vira valor solvente, liquidez, valor monetário. Assim como no poema de Drummond, as casas da antiga colônia de isolamento são vendidas com suas lembranças e seu passado. As memórias das vidas interrompidas pela doença são apagadas e dão lugar aos anúncios de venda. Já não há o estigma da doença e mesmo o atual estigma, de bairro violento e precário, abre espaço para a especulação imobiliária que segue transformando o território. Tempos diferentes coabitam esse espaço e a casa é vendida junto com seus imponderáveis.

As transformações sociais ocorridas nesse território, sobretudo a transformação da memória pelo capital imobiliário, é um assunto que venho pesquisando desde 2017 e tem se desdobrado em fotografias, áudios e vídeos. Essa série é organizada durante o período suspensão social a partir de arquivos pessoais.

Virginia de Medeiros
Artista vencedora do Prêmio PIPA 2015 e do PIPA Voto Popular Exposição 2015
Artista indicada ao Prêmio PIPA 2014 e 2015

“Como resistir a uma ontologia unívoca que admite apenas um único significado de percepção do mundo? Essa indagação impulsionou meu processo criativo para realizar Yá Agbára, trabalho inédito, em processo de elaboração, que foi comissionado e concebido entre novembro de 2019 e fevereiro de 2020, em residência artística como parte da 11a Bienal de Arte Contemporânea de Berlim. A Bienal tem como curadores Lisette Lagnado, Agustín Pérez Rubio, María Berríos e Renata Cervetto. Durante a quarentena, dedico-me a elaboração e concepção dessa nova obra, uma videoinstalação formada pro 8 retratos em película de mulheres candomblecistas, trilha original e relatos. Para mostra virtual Pipa, selecionei 3 frames da videoinstalação. Os retratos de Gil DuOdé e Virginia D’Yemonjá e meu autorretrato Virginia D’Exu.” ( trecho do texto enviado pela artista, clique no link abaixo para ler o texto completo)
Pipa em Casa_Virginia de Medeiros

Trabalho em Processo /Yá Agbára1 (Força das Mães)
Virginia de Medeiros /coautoria Gilmara Guimarães e Virginia Borges

Vitor Cesar
Artista indicado ao Prêmio PIPA em 2010, 2012, 2016 e 2019

“Painel e bottons com gráficos de porcentagens (de 1% a 100%) retirados de notícias durante a quarentena.
Neste momento da pandemia do coronavírus uma das imagens que mais circulou nos jornais, televisão e redes sociais é um gráfico (de achatamento da curva de contaminação e mortes). Um tipo de imagem com presença cada vez maior nos meios de comunicação e relevância crescente na construção e legitimação dos discursos públicos.
Está sendo construído um imaginário coletivo em torno de uma estética de gráficos, visualização de dados, planilhas e tabelas. Imagens com origem no campo da ciência, da engenharia, da computação – um vocabulário visual da eficiência e da performance. A credibilidade deste imaginário visual passa a impregnar os meios de comunicação como forma de justificar ações e decisões políticas.
100% é um corpo de trabalhos que responde a este contexto, no intuito de refletir e compreender sua constituição enquanto discurso público.
As imagens enviadas são pensadas para a circulação na internet, considerando suas possibilidades e limitações no contexto da pesquisa. As três imagens articuladas juntas são pensadas para a publicação no contexto do prêmio.”

“100% (isolamento)”, 2020

1. Bottons gráfico pizza 100%.
2. Bottons gráfico pizza 100%.
3. Painel gráficos pizza 100%.

Washington Silvera
Artista indicado aos Prêmio PIPA 2012 e 2013

“Quero apresentar a obra “ Minimal Dream” obra executada nesta quarentena. Trata-se de uma nova obra da série relacionada a alimentos e arte.”

“Minimal Dream”, 2020
Madeira caxeta e imbuia, 115x27x16cm

Willian Santos
Artista indiado ao Prêmio em PIPA 2014 e 2019

em processo, 2020
acrílica, encáustica, esmalte, lascas de rochas, liquens e óleo sobre virola naval
120 x 100 cm

Yhuri Cruz
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2019

Revoada é uma instalação composta de fotografias e textos expostos em caixas backlights. Ainda em desenvolvimento, a série é especialmente motivada pelo estado de confinamento e suas consequências psíquicas e práticas. Através de um exercício de fotografar e escrever, me interessa instigar memórias e sensações por via de narrativas ficcionais que traduzem estados mentais como solidão, nostalgia e inércia. Suas dimensões são variáveis e, como alternativa digital, sugiro as imagens em formatos retangulares como enviado em anexo – sem a caixa backlight.
(Yhuri Cruz, 2020)

“Revoada”, 2020
Fotografias e texto em Backlight Instalação, dimensões variáveis

Yiftah Peled
Artista indicado ao Prêmio PIPA 2020

“Trilhos”( 2007-2020)
“Proposição 2020
O projeto apresenta duas imagens ovais com formato de olhos. Nas imagensaparecem trilhos de uma montanha russa e, sobre eles, círculos pretos/pupilas como
abismos que impedem a continuidade do trajeto dos trilhos.
A proposição sugere que o participante desenhe seu autorretrato a partir dos trilhosde forma a romper com a condição de confinamento que a imagem apresenta epropõe criar novos roteiros e linhas de fuga.
A versão de 2020, propõe que o participante escolha como criar seu autorretrato edefina também qual o suporte que deseja usar. Por exemplo, a imagem pode ser impressa e colada na parede ou copiada; o participante pode desenhar linhasextensivas a uma parede ou extensivas a todo um espaço. O participante faz seu próprio desenho partindo do princípio de que não existe forma única ou correta deautorretrato.”
(trecho do texto enviado pelo artista, clique no link abaixo para ler o texto completo)
Dados – multiplo Trilhos 2020

Yuli Yamagata
Artista indicada ao Prêmio PIPA em 2018 e 2019

Oléo s/ tela
20×30
2020


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