Luana Vitra, vista da exposição "Mineral Rising", 2024, Mendes Wood DM New York, foto: Vicente Muñoz

“Mineral Rising”: Primeira individual de Luana Vitra em Nova Iorque reúne trabalhos resultantes de suas viagens para a África do Sul

(Nova Iorque, EUA)

Mendes Wood DM apresenta Mineral Rising [Ascensão Mineral], a primeira individual de Luana Vitra em Nova Iorque. Com formação em escultura e desenho, o trabalho da artista vai desde instalações a esculturas e inclui frequentemente metais, minério de ferro e cobre, bem como a utilização de cerâmica, madeira e tecidos. A prática de Vitra coloca o seu trabalho em diálogo crítico com as histórias de exploração dos elementos naturais e as tradições da região onde cresceu. Ela foi Premiada no PIPA 2023, exibindo obras na mostra do Prêmio no Paço Imperial do Rio de Janeiro, ao lado de Glicéria TupinambáHelô Sanvoy e Iagor Peres. Na mesma época, também participou de uma conversa organizada pelo Instituto PIPA no Paço, com Vitória Cribb e Vivian Caccuri, em que abordou sua produção (leia mais e ouça/assista ao registro do evento aqui).

O trabalho da artista surge de passeios pelo seu bairro e da observação das transformações da paisagem à sua volta, muitas vezes inspirando-se em memórias de infância. Durante esses passeios, Vitra presta atenção às variações cromáticas da região — desde os tons terrosos ou cinzentos que caracterizam as zonas industriais até aos tons de azul no horizonte. Foi durante estas viagens que ela recolheu materiais e outros detritos da exploração industrial que puderam ser transformados em elementos fundamentais para o seu repertório. O ferro adquiriu um estatuto que ultrapassa o de mero elemento de composição na sua obra. Ela explica: “É a matéria que compõe o chão da terra em que cresci, é a matéria com a qual sinto uma afinidade”.

Luana Vitra, “Paó”, 2024, cerâmica, cobre e pedra de minério de ferro, dimensões gerais: 134.6 x 180.3 cm, Foto: Mendes Wood DM

O ferro orienta e sustenta a sua prática artística. Ao manipulá-lo repetidamente, seja na sua forma bruta ou misturado com outros materiais, Vitra recupera a sua cumplicidade com o elemento. Conceptualmente, o seu interesse pelo ferro e, mais recentemente, pelo cobre, está relacionado com a sua condutividade. Vitra interroga-se sobre em quais outras dimensões a condutividade destes materiais poderia atuar. Em outras palavras, apesar da importância da fisicalidade do elemento em si, a artista alude cada vez mais ao invisível, investigando se estes materiais podem também funcionar como condutores de dimensões menos concretas e mais etéreas. Esta abordagem mais espiritual destes elementos é uma consequência da sua instalação “Pulmão da Mina”, apresentada durante a Bienal de São Paulo em 2023. Partindo de histórias orais compartilhadas por seus familiares sobre o trabalho de pessoas escravizadas em minas, Vitra apresentou uma instalação composta por uma série de setas de ferro talismânicas que simbolizam o desbloqueio de caminhos, apontando para lugares de prosperidade.

Enquanto seus primeiros trabalhos eram baseados na geografia de Minas Gerais, as peças apresentadas em Mineral Rising são, em sua maioria, o resultado das frequentes viagens de Vitra à África do Sul, entre 2022 e 2024. Ela acredita que o fato de ter crescido cercada pelos muitos recursos minerais da paisagem brasileira ajudou a promover uma forte conexão com esse país distante. Vivendo em Durban, na costa sudeste da África do Sul, Vitra procurou explorar as conexões entre o trabalho manual e o ato de rezar, concentrando-se na noção de que os objetos podem atuar como talismãs protetores.

Luana Vitra, “Rosário dos minerais (2)”, 2024, cobre, vidro e pedra de minério de ferro, 44.5 x 44.5 cm, Foto: Mendes Wood DM

Ela testemunhou as habilidades técnicas, estéticas e espirituais dos povos Zulu e Xhosa na confecção de seus colares e outros objetos de proteção, dedicando grande parte de seu tempo para aprender a criar as formas complexas. Os padrões geométricos, o ritmo e a repetição gestual necessários para criar cada peça servem como um meio de infundir encantamento nos materiais. Em suas palavras, “A escultura é um encantamento do desenho no espaço. Eu cresci vendo as mãos passando pelas contas do rosário, repetindo incessantemente a mesma oração. A espiritualidade também é o caminho que as mãos percorrem nas contas; é como se esses pontos conduzissem o corpo ao invisível, nutrindo proteção e um bom caminho”.

Entretanto, apesar de suas incursões no reino mineral, suas conexões humanas estão firmemente enraizadas em Minas Gerais. Foi com o pai, carpinteiro, que Vitra teve seus primeiros encontros com os processos de transformação de materiais, e com a mãe, professora e poeta, que ela desenvolveu o desejo de encontrar formas capazes de mediar as diferentes relações entre os materiais e as ideias que fluem ao seu redor.

Luana Vitra, “Afirmação da luz”, 2024, tecido, cobre, vidro, dimensões gerais: 92.7 x 162.6 cm, Foto: Mendes Wood DM

Conheça mais sobre a produção de Luana Vitra visitando sua página, e também lendo o catálogo da edição do PIPA em que ela foi premiada: baixe o catálogo aqui, que conta com uma bio da artista, imagens de trabalhos, uma entrevista com Luiz Camillo Osorio, curador do Instituto PIPA, e um texto crítico sobre o trabalho de Vitra, escrito por abigail Campos Leal.

Assista abaixo, ainda, à vídeoentrevista, produzida pela Do Rio Filmes, que a artista gravou com excluvidade
quando foi indicada ao Prêmio PIPA em 2023:

“Mineral Rising”, individual de Luana Vitra
De 30 de abril a 25 de maio, 2024

Mendes Wood DM New York
47 Walker Street, 10013, Nova Iorque, EUA
Terças a sábados, das 10 às 18h


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