“Não Apagarão Nossa Memória” [Museu Nacional do Rio de Janeiro], 2021, impressão fotográfica sobre papel algodão [Gustavo Caboco, Roseane Wapichana, Lucilene Wapichana e Wanderson Wapixana] 1/6, 45 x 30 cm

Arquivo PIPA: Veja a vídeoentrevista de 2023 com Gustavo Caboco Wapichana, um dos curadores do pavilhão brasileiro da Bienal de Veneza

O Prêmio PIPA não é apenas uma premiação que ocorre em um momento específico do ano: é também uma plataforma repleta de material sobre arte contemporânea brasileira. Assim, o PIPA funciona como uma fonte de pesquisa para curadores, artistas, professores, por contar com vídeos, textos, entrevistas, imagens de obras, currículos, catálogos disponíveis gratuitamente, e muito mais.

Pensando em circular cada vez mais esse material, vamos compartilhar toda semana, às quintas-feiras, algum vídeo de nosso extenso arquivo, convidando o público a mergulhar nos demais conteúdos. Nesta aba, por exemplo, você pode consultar os vídeos por ano, e nesta aqui, por técnica do trabalho. Ambas as abas, e outras, estão contidas na aba “Vídeos”, no topo do site.

A Bienal de Veneza, intitulada “Estrangeiros por toda parte” (Stranieri Ovunque) e aberta para visitação até novembro, tem curadoria do brasileiro Adriano Pedrosa, diretor do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Gustavo Caboco Wapichana, que participou do PIPA em 2022 e 2023, é um dos curadores do pavilhão brasileiro da Bienal, ao lado de Denilson Baniwa e Arissana Pataxó – Baniwa foi Artista Premiado em 2021 e vencedor do PIPA Online 2019, e Pataxó participou do PIPA 2016 e foi uma das vencedoras do PIPA Online naquele ano. Assim, para esta semana separamos a vídeoentrevista de 2023 com Gustavo Caboco Wapichana, gravada na ocasião de sua segunda participação no Prêmio PIPA. Gustavo conta um pouco sobre dois trabalhos recentes, que tem foco no fortalecimento e na preservação da memória de seu povo Wapichana, ações que ele realiza por meio do arte-artivismo. Ele questiona: “Que tipos de histórias temos cultivado para movimentar a vida, a nossa relação com o nosso entorno, a relação mesmo com o nosso planeta e com a terra? […] Para onde foram as nossas histórias, e de que modo a colonialidade contribui para todos esses apagamentos?”. 

Todos os artistas que aceitam participar do Prêmio são convidados a terem uma entrevista em vídeo gravada com uma produtora, podendo compartilhar mais sobre produção, técnica e pesquisa, e esse registro irá compor a página criada para cada um na plataforma do PIPA.

© CABREL Escritório de Imagem / Fundação Bienal de São Paulo

O pavilhão brasileiro na Bienal foi nomeado Pavilhão Hãhãwpu, palavra pela qual os Pataxó denominam o território que recebeu o nome de Brasil, e que antes da chegada dos colonizadores foi chamado por tantos outros nomes. Já a exposição apresentada recebeu o título “Ka’a Pûera: nós somos pássaros que andam”. De acordo com o texto curatorial de Arissana, Denilson e Gustavo, o espaço narra uma história de resistência indígena no país, das adaptações frente às urgências climáticas e do corpo presente nas retomadas. O projeto desenvolvido lembra que é importante reconhecer o Brasil enquanto terra indígena e que as mais de trezentas nações que vivem nessa terra continuam suas lutas nos dias de hoje, em defesa de suas memórias e saberes tradicionais. A mostra aborda questões de marginalização, desterritorialização e violação dos direitos territoriais, convidando à reflexão sobre resistência e sobre a essência compartilhada da humanidade, dos pássaros, da memória e da natureza. O pavilhão brasileiro conta com o manto Tupinambá realizado por Glicéria Tupinambá, uma das Artistas Premiadas do PIPA 2023, em conjunto com a comunidade da aldeia de Serra do Padeiro (saiba mais aqui). A participação de Glicéria também é acompanhada dos artistas Olinda Tupinambá e Ziel Karapotó.

Gustavo Caboco Wapichana nasceu em Curitiba, Roraima, em 1989. É artista visual Wapichana, trabalha na rede Paraná-Roraima e nos caminhos de retorno à terra. Sua produção com desenho-documento, pintura, texto, bordado, animação e performance propõe maneiras de refletir sobre os deslocamentos dos corpos indígenas e as retomadas de memória, e ele realiza pesquisa autônoma em acervos museológicos para contribuir com a luta dos povos indígenas.

Conheça mais sobre a artista e sobre sua produção na videoentrevista abaixo, gravada pela Do Rio Filmes com Caboco
na edição de 2023 do Prêmio PIPA:

Saiba mais sobre a produção do artista acessando sua página, onde está disponível, entre diversos materiais, também a vídeoentrevista para o PIPA 2022.

Pavilhão do Brasil na 60ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia
Comissário: José Olympio da Veiga Pereira, Presidente da Fundação Bienal de São Paulo
Curadoria: Arissana Pataxó, Denilson Baniwa e Gustavo Caboco Wapichana
Participantes: Glicéria Tupinambá, Olinda Tupinambá e Ziel Karapotó
Local: Pavilhão Hãhãwpuá (Pavilhão do Brasil)
Endereço: Giardini Napoleonici di Castello, Padiglione Brasile, 30122, Veneza, Itália
Data: 20 de abril a 24 de novembro de 2024, de 10 às 18h



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