Arissana Pataxó, "Meruka", 2007, mistura de técnicas na tela, 70 x 50 cm

Arquivo PIPA: Assista à videoentrevista de 2016 com Arissana Pataxó, uma das curadoras do pavilhão brasileiro da Bienal de Veneza

O Prêmio PIPA não é apenas uma premiação que ocorre em um momento específico do ano: é também uma plataforma repleta de material sobre arte contemporânea brasileira. Assim, o PIPA funciona como uma fonte de pesquisa para curadores, artistas, professores, por contar com vídeos, textos, entrevistas, imagens de obras, currículos, catálogos disponíveis gratuitamente, e muito mais.

Pensando em circular cada vez mais esse material, vamos compartilhar toda semana, às quintas-feiras, algum vídeo de nosso extenso arquivo, convidando o público a mergulhar nos demais conteúdos. Nesta aba, por exemplo, você pode consultar os vídeos por ano, e nesta aqui, por técnica do trabalho. Ambas as abas, e outras, estão contidas na aba “Vídeos”, no topo do site.

A Bienal de Veneza, intitulada “Estrangeiros por toda parte” (Stranieri Ovunque) e aberta para visitação até novembro, tem curadoria do brasileiro Adriano Pedrosa, diretor do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Arissana Pataxó, que participou do PIPA 2016 e foi uma das vencedoras do PIPA Online naquele ano, é uma das curadoras do pavilhão brasileiro da Bienal, ao lado de Denilson Baniwa e Gustavo Caboco – Baniwa foi vencedor do PIPA Online 2019 e Artista Premiado em 2021, e Caboco foi participante em 2022 e 2023. Assim, para esta semana separamos a vídeoentrevista de 2016 com Arissana Pataxó, gravada na ocasião de sua participação no Prêmio PIPA: naquele momento, ela reforçou que seu trabalho também tinha como objetivo levar a representação e o conhecimento sobre seu povo para fora da aldeia. Hoje, ela está levando a memória e os saberes indígenas para o mundo, por meio da Bienal. 

 Todos os artistas que aceitam participar do Prêmio são convidados a terem uma entrevista em vídeo gravada com uma produtora, podendo compartilhar mais sobre produção, técnica e pesquisa, e esse registro irá compor a página criada para cada um na plataforma do PIPA.

© CABREL Escritório de Imagem / Fundação Bienal de São Paulo

O pavilhão brasileiro na Bienal foi nomeado Pavilhão Hãhãwpu, palavra pela qual os Pataxó denominam o território que recebeu o nome de Brasil, e que antes da chegada dos colonizadores foi chamado por tantos outros nomes. Já a exposição apresentada recebeu o título “Ka’a Pûera: nós somos pássaros que andam”. De acordo com o texto curatorial de Arissana, Denilson e Gustavo, o espaço narra uma história de resistência indígena no país, das adaptações frente às urgências climáticas e do corpo presente nas retomadas. O projeto desenvolvido lembra que é importante reconhecer o Brasil enquanto terra indígena e que as mais de trezentas nações que vivem nessa terra continuam suas lutas nos dias de hoje, em defesa de suas memórias e saberes tradicionais. A mostra aborda questões de marginalização, desterritorialização e violação dos direitos territoriais, convidando à reflexão sobre resistência e sobre a essência compartilhada da humanidade, dos pássaros, da memória e da natureza. O pavilhão brasileiro conta com o manto Tupinambá realizado por Glicéria Tupinambá, uma das Artistas Premiadas do PIPA 2023, em conjunto com a comunidade da aldeia de Serra do Padeiro (saiba mais aqui).  A participação de Glicéria também é acompanhada dos artistas Olinda Tupinambá e Ziel Karapotó.

Arissana Pataxó é artista plástica, da etnia Pataxó. Ela desenvolve uma produção artística em diversas técnicas abordando a temática indígena como parte do mundo contemporâneo. Ingressou no curso de artes plásticas da Escola de Belas Artes – UFBA (Salvador, BA) em 2005 e concluiu em 2009, desenvolvendo ao longo de seus estudos atividades de extensão de arte-educação com o povo Pataxó, com oficinas e produção de material didático. Além dos Pataxó, a artista continua trabalhando com outros povos indígenas da Bahia. Ela faz parte da coleção do Instituto PIPA com a obra “Meruka”, de 2007.

Conheça mais sobre a artista e sobre sua produção na videoentrevista abaixo, gravada pela Do Rio Filmes com Arissana
na edição de 2016 do Prêmio PIPA:

Veja abaixo a obra da artista que integra a coleção do Instituto PIPA, e que foi emprestada recentemente para duas exposições:

Arissana Pataxó, “Meruka”, 2007, mistura de técnicas na tela, 70 x 50 cm

Assista também ao vídeo gravado durante a montagem da exposição dos Premiados do PIPA 2023, em que Glicéria fala sobre o manto Tupinambá, trabalho que está em exibição na Bienal.

Pavilhão do Brasil na 60ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia
Comissário: José Olympio da Veiga Pereira, Presidente da Fundação Bienal de São Paulo
Curadoria: Arissana Pataxó, Denilson Baniwa e Gustavo Caboco Wapichana
Participantes: Glicéria Tupinambá, Olinda Tupinambá e Ziel Karapotó
Local: Pavilhão Hãhãwpuá (Pavilhão do Brasil)
Endereço: Giardini Napoleonici di Castello, Padiglione Brasile, 30122, Veneza, Itália
Data: 20 de abril a 24 de novembro de 2024, de 10 às 18h



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