Vista da instalação de "Civilizações Super Superiores" de Guerreiro do Divino Amor no Pavilhão da Suíça na Bienal de Veneza 2024, Foto: Samuele Cherubini

Arquivo PIPA: Veja Guerreiro do Divino Amor, representante da Suíça na Bienal de Veneza, falar sobre suas Superficções na montagem da exposição do PIPA 2019

O Prêmio PIPA não é apenas uma premiação que ocorre em um momento específico do ano: é também uma plataforma repleta de material sobre arte contemporânea brasileira. Assim, o PIPA funciona como uma fonte de pesquisa para curadores, artistas, professores, por contar com vídeos, textos, entrevistas, imagens de obras, currículos, catálogos disponíveis gratuitamente, e muito mais.

Pensando em circular cada vez mais esse material, vamos compartilhar toda semana, às quintas-feiras, algum vídeo de nosso extenso arquivo, convidando o público a mergulhar nos demais conteúdos. Nesta aba, por exemplo, você pode consultar os vídeos por ano, e nesta aqui, por técnica do trabalho. Ambas as abas, e outras, estão contidas na aba “Vídeos”, no topo do site.

Guerreiro do Divino Amor, o Artista Premiado do PIPA 2019 – quando o Prêmio tinha apenas um vencedor por edição –, está representando a Suíça na Bienal de Veneza, intitulada “Estrangeiros por toda parte” (Stranieri Ovunque), com curadoria do brasileiro Adriano Pedrosa, diretor do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Então, para esta semana, selecionamos o vídeo da montagem da exposição dos Finalistas do PIPA 2019, em que Guerreiro fala sobre as Superficções, partes de seu Atlas Superficcional Mundial, projeto cartográfico iniciado em 2004 que explora as camadas ocultas que permeiam a construção dos territórios e dos imaginários coletivos, interferindo na nossa realidade. Essas camadas são tanto políticas quanto religiosas, econômicas e midiáticas, e as Superficções questionam a relação com o espaço urbano, como a relação entre arquitetura e ideologia, e entre propaganda política e identidade nacional. O trabalho, para além dos vídeos, se desdobra em painéis de luz, publicações e instalações, visando atingir um grande público também pelo uso de elementos da cultura popular e de arquétipos. A exposição do PIPA 2019 contou com os capítulos das Superficcções do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Brasília, e foi realizada na Villa Aymoré, no Rio, apresentando trabalhos de, além de Guerreiro, Berna Reale, Cabelo e Jaime Lauriano (saiba mais sobre a mostra aqui).

Guerreiro é mestre em Arquitetura. Filho de mãe brasileira e pai suíço, nasceu em Genebra, na Suíça, e vive no Rio de Janeiro (RJ). O artista, que costuma trabalhar no ambiente virtual, pôde, na Bienal, apresentar suas obras em um formato físico imersivo, explorando a tridimensionalidade e os materiais encarnados. Para o pavilhão da Suíça, ele traz a exposição “Civilizações Super Superiores”, com curadoria de Andrea Bellini, englobando dois capítulos de suas Superficções recheados de elementos arquitetônicos clássicos: “O Milagre de Helvetia” e “Roma Talismã”. Sexto capítulo do Atlas Mundial SuperFiccional, “O Milagre de Helvetia” investiga a Suíça como constructo alegórico de beleza, riqueza e perfeição. Partindo da figura alegórica de Helvetia, criada no século XIX como mãe e personificação da pátria, o capítulo recria um panteão de deusas ao seu redor, encarnações dos valores sagrados e mitologias contemporâneas suíças, investigando assim quais são as construções espirituais, políticas, diplomáticas, simbólicas, midiáticas e jurídicas que participam da edificação do Olimpo Helvético. Entre as deusas, apresentadas por meio de projeção em um planetário construído, está Kulma, deusa da educação, interpretada pela artista Lyz Parayzo, que participou do Prêmio PIPA em 2017, 2020 e 2021.

Já o “Roma Talismã”, sétimo capítulo, é construído a partir de três animais alegóricos que abordam uma suposta superioridade moral, política e cultural: a loba, o cordeiro e a águia. A águia é o símbolo imperial de potência, de supremacia, apropriado pelos Estados Unidos e também pela Alemanha, o que Guerreiro considera uma reciclagem das narrativas do Império Romano; a cordeira representa a inocência e a pureza na narrativa cristã, e a loba Capitolina, interpretada por Ventura Profana, Artista Premiada no PIPA 2021, simboliza a mãe da civilização romana, que na instalação, por meio de holograma, canta sobre a história de Roma.

Conheça outros capítulos das Superficções, abordados por Guerreiro na montagem
da exposição dos Finalistas do PIPA 2019:

Veja abaixo imagens dos trabalhos que foram expostos na mostra do PIPA 2019:

Confira algumas imagens das Superficções que estão sendo exibidas na Bienal de Veneza (vistas da exposição: Samuele Cherubini):

Pavilhão da Suíça na 60ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia
Data: 20 de abril a 24 de novembro de 2024
Curadoria: Andrea Bellini
Comissionamento:
Conselho Suíço das Artes Pro Helvetia; Sandi Paucic, Chefe de Projeto; Rachele Giudici Legittimo, Gestora de Projeto



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