Glicéria Tupinambá, Bienal de Veneza, foto: site Bienal de São Paulo

Arquivo PIPA: Glicéria Tupinambá, Premiada do PIPA 2023, fala sobre o manto Tupinambá que hoje integra a Bienal de Veneza

O Prêmio PIPA não é apenas uma premiação que ocorre em um momento específico do ano: é também uma plataforma repleta de material sobre arte contemporânea brasileira. Assim, o PIPA funciona como uma fonte de pesquisa para curadores, artistas, professores, por contar com vídeos, textos, entrevistas, imagens de obras, currículos, catálogos disponíveis gratuitamente, e muito mais.

Pensando em circular cada vez mais esse material, vamos compartilhar toda semana, às quintas-feiras, algum vídeo de nosso extenso arquivo, convidando o público a mergulhar nos demais conteúdos. Nesta aba, por exemplo, você pode consultar os vídeos por ano, e nesta aqui, por técnica do trabalho. Ambas as abas, e outras, estão contidas na aba “Vídeos”, no topo do site.

Glicéria Tupinambá, uma das Artistas Premiadas do PIPA 2023, está liderando, acompanhada de Olinda Tupinambá e Ziel Karapotó, a representação do Brasil na Bienal de Veneza de 2024, intitulada “Estrangeiros por toda parte” (Stranieri Ovunque), com curadoria do brasileiro Adriano Pedrosa, diretor do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Então, para esta semana, selecionamos o vídeo gravado durante a montagem da exposição dos Premiados do ano passado, em que Glicéria fala sobre o manto Tupinambá, trabalho que está em exibição na Bienal. O manto integra o pavilhão brasileiro da Bienal, nomeado Pavilhão Hãhãwpu, na mostra “Ka’a Pûera: nós somos pássaros que andam”, com curadoria de Arissana PataxóDenilson Baniwa e Gustavo Caboco. Os três também participaram da diferentes edições do Prêmio PIPA: Pataxó foi uma das vencedoras do PIPA Online 2016, Baniwa foi vencedor do PIPA Online 2019 e Artista Premiado em 2021, e Caboco foi participante em 2022 e 2023.

De acordo com o texto curatorial de Arissana, Denilson e Gustavo, o Pavilhão Hãhãwpuá narra uma história de resistência indígena no Brasil, das adaptações frente às urgências climáticas e do corpo presente nas retomadas. Hãhãwpuá é como os Pataxó denominam o território que recebeu o nome de Brasil, e que antes da chegada dos colonizadores foi chamado por tantos outros nomes. O projeto do Pavilhão lembra que é importante reconhecer o Brasil enquanto terra indígena e que as mais de trezentas nações que vivem nessa terra seguem suas lutas nos dias de hoje, em defesa de suas memórias e saberes tradicionais. A exposição “Ka’a Pûera: nós somos pássaros que andam” aborda questões de marginalização, desterritorialização e violação dos direitos territoriais, convidando à reflexão sobre resistência e a essência compartilhada da humanidade, dos pássaros, da memória e da natureza.

Como explicado por Glicérica acerca da realização do manto, ela não assina a peça sozinha, se considerando a mão que possibilita o manto existir: ele é assinado por toda a comunidade da aldeia Tupinambá de Serra do Padeiro, no sul da Bahia, sendo um trabalho coletivo que conta com as crianças, os animais, o cosmo, o sonho, o que consiste, assim, em uma feitura mais complexa. Glicéria apresenta um “manto feminino”, de modo a retomar esse conhecimento e essa prática, mostrando que a mulher também pode ser portadora do manto, e não apenas o homem. “Tem uma comunidade que se estabelece ao redor da feitura do manto, que volta a montar as partes do pote partido. São as crianças da aldeia que descobrem como extrair mel e cera de abelha da floresta para encerar o fio. É o retorno dos pássaros às florestas e a possibilidade de pegá-los, nomeá-los, e remover suas penas quando estiverem prontos. É o conhecimento dos mais velhos, das avós, das madrinhas, dos homens sábios, que é mais uma vez ouvido, observado e posto em prática”, como compartilhado pela artista no folder da representação brasileira, disponível em inglês e italiano aqui.

Assista à fala de Glicéria na montagem da exposição dos Premiados do PIPA 2023 no vídeo abaixo, que é um trecho do vídeo com todos os Premiados produzido pela Do Rio Filmes:

Pavilhão do Brasil na 60ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia
Comissário: José Olympio da Veiga Pereira, Presidente da Fundação Bienal de São Paulo
Curadoria: Arissana Pataxó, Denilson Baniwa e Gustavo Caboco Wapichana
Participantes: Glicéria Tupinambá, Olinda Tupinambá e Ziel Karapotó
Local: Pavilhão Hãhãwpuá (Pavilhão do Brasil)
Endereço: Giardini Napoleonici di Castello, Padiglione Brasile, 30122, Veneza, Itália
Data: 20 de abril a 24 de novembro de 2024, de 10 às 18h



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