Arissana Pataxó, "Meruka", 2007, mistura de técnicas na tela, 70 x 50 cm

“Ah, eu amo as mulheres brasileiras!”: exposição que discute objetificação feminina conta com obras da coleção do Instituto PIPA

(Niterói, RJ)

Após estrear em Nova York e passar por São Paulo, a exposição coletiva Ah, Eu Amo As Mulheres Brasileiras! chega a Niterói para questionar a visão objetificada e hipersexualizada da mulher brasileira que habita há séculos o imaginário coletivo, colocando-a como ícone de sensualidade. A mostra, com curadoria de Luiza Testa, oferece outra perspectiva sobre essas identidades por meio de 34 obras de artistas mulheres de todo o país.

Dividida em quatro grandes núcleos, a exposição reúne instalações, fotografias, esculturas, vídeos, litogravuras, entre outras linguagens, que vêm desafiar este lugar-comum por meio da sensibilidade de artistas brasileiras de diferentes raças, etnias, idades e perfis. A curadora buscou nomes consagrados no Brasil e no exterior, além de novos expoentes, para diversificar ao máximo o olhar sobre a proposta.

Entre as artistas participantes destacamos:

Vitória Cribb, vencedora do Prêmio PIPA 2022, exibe “@ ILUSÃO”, 2020, filme com 5 edições oficiais, estando uma delas na coleção do Instituto PIPA. Veja abaixo frames do vídeo:

Arissana Pataxó, segunda colocada do PIPA online 2016, apresenta a obra “Meruka”,  pintura pertencente à coleção do Instituto PIPA, e emprestada à mostra. Veja a pintura na imagem a seguir:

Além das duas artistas, participam da coletiva Berna Reale, vencedora do PIPA Online 2011 e finalista do Prêmio PIPA 2019, e Lenora de Barros, indicada ao Prêmio PIPA 2010 e membro do Comitê de Indicação de 2012 e 2016.

Também estão presentes obras de Alice Ruiz, Brenda Nicole, D’anunziata, Dalila Coelho, Fernanda Naman, Gabi Beneditta, Juliana Manara, , Mahuederu Karajá, Manuela Navas, Mari Nagem, Marta Neves, Milena Paulina, Micaela Cyrino, Nara Guichon, Raquel Pater, Santarosa Barreto, Terroristas del Amor,  e Yacunã Tuxá.

A exposição também vai dialogar com a localização e com o espaço arquitetônico singular do MAC-Niterói, prédio projetado por Oscar Niemeyer para se relacionar com o espaço e com a sua vista única para a Baía de Guanabara. O fato das curvas da mulher brasileira serem umas das maiores inspirações do arquiteto também não passará despercebido. “Existe uma tradição que coloca o corpo feminino sexualizado como fonte de inspiração, algo mencionado inclusive pelo próprio arquiteto que projetou o prédio do MAC, Oscar Niemeyer, e isso não deixa de ser uma forma de objetificação. Assim, vamos levar isso para a exposição em forma de questionamento, além de abordar a relação do museu com a paisagem, trazendo obras como a da Nara Guichon, a boneca ritxoco de Mahuederu Karajá e da Fernanda Naman, que falam da ligação entre a mulher e a natureza como algo muito mais profundo do que simplesmente essa relação de curvas”, explica a curadora.

Quatro grandes núcleos abordam a objetificação, a hipersexualização e a cultura da violência contra a mulher no Brasil. O primeiro núcleo da exposição é “De Iracema a Garota de Ipanema”, que traz a origem do estereótipo da mulher brasileira sensual, remontando, entre outras referências, ao atroz processo de colonização que, sob o pretexto de civilizar, desumanizou mulheres indígenas, classificando-as como hipersexualizadas e selvagens. É também neste primeiro núcleo que será abordada a relação com a natureza e a tradição masculina de equalizar a mulher à paisagem, uma grave objetificação. Em seguida, o núcleo “Violências e violações” traz para o cerne da discussão as diferentes violências que as mulheres brasileiras estão submetidas, desde a colonização, passando pelo brutal período de escravidão, quando as africanas e suas descendentes foram – e são – vítimas dessa violência, de forma particular. O terceiro segmento é “Novas estéticas em construção”, que traz uma perspectiva de renovação, com um olhar atento sobre as possibilidades.  Encerrando a exposição, o núcleo “Afeto e transgressão” transmite a ideia de afetividade como ferramenta de resistência e almeja um novo cenário com políticas públicas e de contenção à violência.

O texto acima foi reproduzido do portal Cultura Niterói. Leia-o completo aqui.

“Ah, eu amo as mulheres brasileiras!”, coletiva
De 2 de dezembro, 2023, a 25 de fevereiro, 2024
Evento de abertura: 15h às 18h

MAC Niterói
Mirante da Boa Viagem, s/n, Boa Viagem, Niterói, RJ
Terça a domingo, de 10h às 18h (entrada até 17h30)
Ingressos: R$ 16 (inteira) e R$ 8 (meia-entrada)



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