Ocupação dos artistas Premiados do PIPA 2023: Glicéria Tupinambá

Bem-vindes à Ocupação dos Artistas Premiados do PIPA 2023! Até o dia 28 de outubro, os premiados desta 14a edição compartilham com o público virtual do Prêmio PIPA vídeos, fotos e textos – alguns exclusivamente elaborados para a ocupação. A cada semana, um artista apresenta sua obra. De 09 a 14 de outubro, Glicéria Tupinambá conta como é seu trabalho com a artesania do manto tupinambá.

Nesta edição, o Prêmio PIPA reforça o formato adotado desde 2021 de receber indicações de trajetórias recentes, direcionado para artistas que tiveram sua primeira exposição no máximo há 15 anos. O foco do PIPA neste momento é incentivar artistas em início de carreira que desenvolvem uma produção diferenciada.

O material abaixo, publicado diariamente, está disponível em versão reduzida também nas redes sociais do Prêmio. Fique de olho e nos acompanhe nas plataformas InstagramTwitter e Facebook.

E lembre-se que os Artistas Premiados estão sendo apresentados também na exposição em cartaz no Paço Imperial, no Rio de Janeiro até o dia 12 de novembro. Será um prazer te receber por lá!


Dia 01:

Buerarema, BA, 1982
Vive e trabalha em Buerarema, BA

Glicéria Tupinambá é da aldeia Serra do Padeiro, localizada na Terra Indígena Tupinambá de Olivença, no sul do estado da Bahia. Participa intensamente da vida política e religiosa dos Tupinambá, envolvendo-se sobretudo em questões relacionadas à educação, à organização produtiva da aldeia, aos serviços sociais e aos direitos das mulheres.

Foi professora no Colégio Estadual Indígena Tupinambá da Serra do Padeiro. Concluiu a Licenciatura Intercultural Indígena no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) e está fazendo mestrado PPGAS- programa de pós graduação em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro- UFRJ. Foi presidente da Associação dos Índios Tupinambá da Serra do Padeiro, sendo responsável pela aprovação e gestão de projetos voltados ao fortalecimento da aldeia.

Vídeo produzido pela Do Rio Filmes exclusivamente para o Prêmio PIPA 2023:


Dia 02:

Todo ano, o curador do Instituto PIPA, Luiz Camillo Osorio, conversa com os artistas Premiados. Este ano, Glicéria, uma das entrevistadas por Camillo Osorio, fala sobre como se desenvolveu sua formação como artista, sobre a ascensão da arte indígena no circuito contemporâneo e também sobre sobre a devolução pela Dinamarca de um dos mantos Tupinambás para o Brasil. Leia a conversa completa abaixo.

LCO – Como se deu sua formação como artista? O que significa para você assumir-se como artista?

GT: Sempre dei aula na comunidade e as disciplinas que eu ministrava sempre estavam ligadas à arte, à cultura e à religiosidade da comunidade. Então a comunidade já me reconhecia como artista, fora não. Esse reconhecimento se dá quando, em 2020, eu começo a confeccionar o manto Tupinambá para o cacique Babau, e a professora Jurema me pede para fazer uma participação em uma aula que ela ministra. Jurema Machado, professora lá do Recôncavo, de Cachoeira, pede para eu fazer uma participação de Instagram com ela, mostrando o que está sendo feito na comunidade, e eu apresento o manto, a confecção do manto, aplicação… Posterior a isso, ela pede para eu mandar um vídeo, e eu faço e mando, explicando sobre essa questão da arte plumária e da trama do manto, e assim eles têm um programa, um projeto, e me informaram posteriormente que eu tinha sido premiada com o prêmio “De um outro céu”, e tinha ganhado um prêmio de dois mil reais. Desse “De um outro céu” veio também essa outra proposta de 2021, do prêmio da Funarte. E aí eu comecei a participar, então daí veio esse reconhecimento como artista, e venho atuando porque eu não conhecia esse meio da linguagem, que a linguagem chegava muito mais rápido e acessava mais pessoas. Então foi um mecanismo de luta, na verdade. Se empoderar dessas ferramentas e desse meio de linguagem. 

E aí, nesse aspecto, eu assumo essa categoria de artista para dar visibilidade à luta do território, esse chegar aos museus, fazer essa trajetória, esse caminhar. Então hoje assino como artista.  

LCO – A arte contemporânea indígena tem ganhado cada vez mais relevância na cena brasileira. Como você vê este crescimento e o quanto isso acarreta o reconhecimento de práticas ancestrais que ficaram durante anos esquecidas e desvalorizadas? Há risco desta integração, no contexto da arte contemporânea, descaracterizar esta produção, dela perder sua especificidade? 

GT: A questão desse reconhecimento hoje pelas artes, conhecendo os indígenas, essa categoria de arte contemporânea ligada a essa cosmo-técnica… Vou tratar aqui do que eu faço, que é relacionado ao cosmos que vem ligado ao sonho, que tem uma interação de uma grande escuta, de uma escuta mais sensível, que não entendo como a habilidade trazida para o meu trabalho. Ele está relacionado a esse contexto dessa técnica, da cosmo-técnica ligada ao fazer, e a gente consegue entender que é uma técnica que foi adormecida, que a gente não entendia bem o que nós tínhamos, o que tem dentro do território, dentro da comunidade, junto às mulheres. É diferente, eu acho, do que é proposto pela questão da arte contemporânea colocada nessa missão, porque tem vários artistas, várias pessoas que chegam nesse campo, mas dificilmente os artistas que vivem dentro do território, dentro da comunidade, para chegar nesse espaço contemporâneo é muito mais difícil, não é tão fácil e ainda não tem de fato esse acesso. É muito difícil, geralmente as pessoas que acessam estão nesse circuito São Paulo-Rio.

LCO – Há no momento uma discussão sobre a devolução pela Dinamarca de um dos mantos Tupinambás para o Museu Nacional. Independentemente da justiça inerente ao gesto, o que isso significa para uma artista tupinambá, herdeira deste passado e desta tradição e que vem há algum tempo reativando a artesania dos Mantos?   

GT: Essa caminhada junto aos museus, junto a essa escuta, que foi estabelecida na verdade junto aos parceiros, para que de fato se desse o desejo do próprio manto regressar… A gente trata de uma linguagem envolvendo uma comunicação sensível, no caso atendendo o pedido dos encantados para que o manto regresse, volte para casa, volte para o território. Nesse sentido, tem um significado muito mais profundo, é a presença de um deus na terra, e as pessoas consideram como arte. E é uma técnica simples, mas não é só um fazer, não é artesanato, vai muito mais além do artesanato. Eu acho que essa palavra do artesanato empobrece a grandiosidade, porque não envolve só a técnica de fazer com as mãos, mas o que envolve também é todo esse aspecto que envolve desde a natureza, os pássaros… É você construir toda essa atmosfera, e fazer essa ligação entre todos esses elementos, que estabelecem uma comunicação desse mundo e um mundo do invisível. Então não é só falar de um patrimônio que está voltando, ou dessa relação de parceria junto ao museu da Dinamarca, dessa compreensão de entender. É muito importante quando os parceiros somam junto com essa luta, e tem esse reconhecimento e a linguagem que as pessoas entendem, que seria essa questão de arte. Então eu estou devolvendo para o meu povo essa força que ainda está nesse processo, dessa organização do autogoverno tupinambá. 

E significa, para mim, para o território, e para as futuras gerações do meu povo, que tem uma história com começo, meio e fim, que eles podem dar uma continuidade e entender qual é o processo da sociedade tupinambá e desse autogoverno e do governo dos mantos, do assojaba tupinambá, então para mim significa ser imensurável, não tem como dizer ou medir essa relação, essa cosmo- técnica. 

LCO – Nesta prática de “reanimar” os Mantos Tupinambás, reinventar uma artesania ancestral, percebo que há uma relação com o tempo muito diferente daquela que a arte contemporânea mantém. Por exemplo, a obsessão que temos com a originalidade é algo irrelevante. É como se o novo e o atemporal assumissem uma cumplicidade que para nós, ocidentais modernos, seria impensável pela própria contradição dos termos. É como se o seu gesto criativo não fosse só seu, mas de todo um mundo ancestral que se renova e se atualiza através dele.  Como você vê isso? 

GT: Essa prática, eu vejo como esse despertar dos mantos, porque os mantos no autogoverno tupinambá são mantos celestiais, então, eu falo, entendo, que seja um deus na terra. Então esse fazer eu chamo de cosmo-técnica, porque não vem de mim, é diferente de eu ter o controle. Ele ultrapassa o controle humano. E vem no sonho, nessa imensão, na escuta dos pássaros, na participação das mulheres da comunidade, na mão das crianças que vem e entregam uma pena, então esse fazer é um fazer coletivo que envolve toda essa imensão. Não há uma pressão, uma exigência, mas uma escuta sensível e que amplia. E aí eu percebo que nesse fazer, nesse despertar, de entender o comando e o autogoverno através dos mantos tupinambás, que nunca foi estudado, nunca foi visto, nunca foi visto qual era a real função junto aos mantos. E aí hoje que se tem condições de entender tudo isso, e foi através dessa técnica, da cosmo-técnica, para esse entendimento de toda a recuperação da nossa cultura, entender a função social. Hoje, para as pessoas, eles entendem como arte, arte contemporânea, mas eu vejo muito além. Não cabe nessas linguagens, mas é a linguagem que a gente tem para poder expressar um entendimento mais humano, mais aqui, que está ligado nessa arte, classificado como arte contemporânea. Mas o entendimento para os mantos é que existe um autogoverno, que é formado por três camadas, que são os três pajés, os quatro caciques e as 6 mulheres em rituais que detém o uso do manto. Então você tem aqui um comando, um autogoverno, que delibera sobre o povo. Não é arte. Mas dentro desse formato, as pessoas podem visualizar a arte.

O manto, a feitura do manto, ele nasce através das minhas mãos, mas quem assina o manto é toda a comunidade, porque ele tem a participação de tudo. Então o espaço, a feitura do manto, não é individual, ele é coletivo, vai ser sempre coletivo, porque a pessoa não faz o manto sozinho, não consegue fazer sozinho porque você depende das pessoas: desde a coleta das penas, quem vai te entregar as penas, por onde passam essas penas, todo esse envolvimento. Eu vejo um fazer de uma arte coletiva. Como nós povos indígenas somos coletivos, não se passa por um espaço individual, mas um espaço coletivo, construído pela mão de todos.


Dia 03:

Glicéria Tupinambá apresenta os trabalhos que estão em cartaz na Exposição dos Premiados do PIPA 2023, aberto até o dia 12 de novembro no Paço Imperial, no Rio de Janeiro.

Assista a fala da artista abaixo:


Dia 04:

Em seu trabalho, Glicéria debruça-se sobre a artesania do manto tupinambá, símbolo das tradições ancestrais de seu povo. A artista chama de cosmo-técnica a feitura do manto, e hoje busca compreender qual era sua função cultural e social em sua comunidade. Os mantos estão ligados ao autogoverno da aldeia, que é formado por três camadas – os três pajés, quatro caciques e seis mulheres – que detêm o uso do manto.

Recentemente, a artista esteve na Europa e encontrou mantos datados do século XVII, que foram levados do Brasil ao longo da colonização, na Dinamarca. O país se comprometeu a devolver o manto ao Brasil, e este deve chegar no Museu Nacional no próximo ano. Segundo Glicéria, “hoje, as pessoas entendem o manto como arte, arte contemporânea, mas eu vejo muito além. É um ancestral nosso”.

Veja imagens abaixo dos mantos desenvolvidos pelos Tupinambás ao lado de Glicéria.


Dia 05:

Para o catálogo desta edição do Prêmio, Glicéria Tupinambá pediu a Mariana Lacerda e Patrícia Cornils, co-diretora e roteirista do Nós Somos Pássaros que Andam, instalação em que a artista fala sobre sua missão de recuperar material e culturalmente a tradição dos mantos tupinambás que foram levados para a Europa. Leia o texto abaixo:

Sonhar de olhos abertos

Aprender a sonhar. Os sonhos formam, junto com nossos tempos acordados, o mesmo território da vida. São o lugar onde os ancestrais, os Encantados, outros seres não humanos conversam conosco sobre nossa capacidade de agir no mundo. Os sonhos são uma linguagem que não dominamos: nos mundos não-indígenas esta linguagem foi reprimida, apagada, despojada de sentido social e reduzida a uma perspectiva individual. Acontece que, neste mundo, ainda há povos e pessoas que sabem sonhar. No diálogo que resultou em Nós Somos Pássaros que Andam, Célia Tupinambá nos trouxe a amplitude de seus sonhos.

Este diálogo começou entre telas de computador – era 2020 e estávamos na pandemia. Naquele momento, Célia já havia reiniciado a trajetória do retorno dos mantos Tupinambá ao Brasil. Havia tecido três mantos, por orientação dos Encantados e para agradecê-los pelo retorno à terra realizado por sua comunidade da Aldeia de Serra do Padeiro e pelas demais aldeias da Terra Indígena Tupinambá de Olivença. Já havia visitado o primeiro manto com quem conversou, no Musée du Quai Branly, na França.

Nessas conversas online, Célia nos contou sonhos. O primeiro foi este: “Aqui na Serra do Padeiro tem a mata e do outro lado tem outra serra. E saíam guerreiros vestidos com Mantos de peles de animais. Eram homens gigantes. Um deles me viu. Eu me senti tão pequena. Um deles olhou para mim e me chamou. ‘Vem comigo.’ Aí caminhei junto com eles, fui. Quando cheguei do outro lado da serra, tinha um painel enorme de teia de aranha. A aranha tinha feito um painel enorme. Cada um dos guerreiros trazia uma palha de juçara. Eles cobriam com essa palha algo que estava embaixo. Ele olhou para mim, ‘você quer ver?’. ‘Quero sim.’ Quando ele tirou a palha, eu vi. Tinham três Mantos. Dois Mantos já cobertos e um que ele estava cobrindo, que era de pele de animais. Ainda não sei o que vem a ser esse sonho. Mas é importante ter os Encantados me conduzindo“.

A Serra do Padeiro é a Morada dos Encantados e é a morada da comunidade de Célia Tupinambá. Quando ali chegamos, em janeiro de 2023, Célia já havia nos guiado pelo que estávamos por ver. Durante a pandemia, nos falou sobre como os mantos Tupinambá são uma possibilidade de cura do mundo. Na Serra do Padeiro, a presença dos Encantados e de seus parentes, a presença dos rios, das rochas, árvores, pássaros e bichos, a vida farta e alegre é uma cura do mundo criada pelos Tupinambá, ao retomar o território para si e para toda a vida que ali habita. E os mantos são um reflexo deste território.

Um dia, em tempos imemoriais, um canto foi plantado nos sonhos: “Tupinambá subiu a serra todo coberto de pena / Ele foi mas ele é, é o rei da jurema”. Foi cultivado por gerações do povo Tupinambá, onde o manto nunca deixou de estar. Desde tempos imemoriais tudo que habita a Serra do Padeiro – inclusive o povo que sofreu invasões, pragas, mortes e tentativas de expulsão dali – se enxerga e convive. A fartura é também isso: saber que uma semente plantada dá alimento, dá sombra, dá memória (assim é que se planta, aqui é que se planta, é isso que comemos juntos) e permanece em outras sementes. Saber que quem cuida de pássaros colhe suas penas, que quem cuida dos rios pode ouvir seu ressonar, que quem cuida das árvores mora entre bichos-preguiça, onças, arapongas, curiós, cacau, banana, mandioca, abelhas, a Kaipora, os Encantados e suas luzes mudando de um lado para outro.

Em junho de 2023, quando se tornou pública a notícia de que o manto Tupinambá guardado pelo Museu Nacional da Dinamarca vai retornar ao Brasil, já sabíamos que isso estava por vir. Célia soube antes, em sonhos e em conversa com este manto na Dinamarca – seu ancestral. Ele contou que era hora de voltar para o território. Nós Somos Pássaros que Andam é parte dessa história de retornos. “Quero conversar com eles, ouvir o que têm a dizer”, Célia nos diz no filme, referindo-se a este e aos demais mantos. Tanto os exilados na Europa quanto os que, por mãos de mulheres indígenas, voltam à vida material no território Tupinambá.

Para os mantos retornarem, primeiro foi preciso retomar o território indígena, invadido pelos fazendeiros. Terra não se vende, terra não se troca, diz Dona Maria da Gloria de Jesus, mãe de Célia. “Terra não é para fazer comércio. É para viver bem. Para isso deus deixou água, deixou caça, deixou a juçara, deixou o juruti, o oti, a biriba, a bicuíba, o jatobá, a amora… tudo. Para viver nela e ser feliz sem bulir nela”. Orientados pelos Encantados, os Tupinambá retomaram suas terras, onde viviam cercados por desmatadores, cercas, fazendeiros, caçadores, a partir dos anos 2000.

“Hoje me colocaram nesse lugar de artista, mas a única coisa que sei é lutar pelo meu território. Nós somos essas pessoas que sonham no território e o território sonha junto com a gente. Se ele se sente ameaçado, se se sente agredido, ele vai falar conosco. E todos da aldeia vão ter o mesmo sonho. Como abelhas em uma colmeia. Mesmo que eu esteja fora do meu território, se estiver acontecendo alguma coisa lá, eu sonho. E em seguida pergunto para os parentes: ‘O que está acontecendo? Aconteceu isso? Aconteceu aquilo?’ O lugar do sonho nos conecta”, escreve Célia em agosto de 2023.

O lugar da arte nos conecta a ela. Desta arte como ferramenta de luta pelo território e da não aceitação da história do(s) mundo(s) que nos é contada. De ver, como ela alerta, quantas camadas existem sob o que se diz bonito e belo. De nos conectar a pensamentos outros, não apenas por palavras, mas por linguagens que nem sempre conseguimos entender ou explicar. Para poder entender, sob este calor exagerado e este frio enorme que nos assolam, juntos, em meados de 2023, as aflições de nosso mundo. A vida em fartura na Serra do Padeiro é uma desocultação de coisas reprimidas com violência desde o que se chama, erradamente, de “descobrimento”. Coisas escondidas pelo modo de ver e viver imposto primeiro aos povos indígenas e hoje à população do Brasil.

Nós Somos Pássaros que Andam nos diz que ainda há lugares para sonhar. Que as cores da beleza são reflexo dos lugares onde sonhamos – e os mantos podem ser vermelhos, verdes, marrons, cinzentos, brancos. Que há uma memória viva neste mundo que compartilhamos: o tempo que se viveu ainda está aqui, para quem sabe ver os sonhos.

Mariana Lacerda, co-diretora de Nós Somos Pássaros que Andam
Patrícia Cornils, roteirista de Nós Somos Pássaros que Andam



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