Performance de Helô Sanvoy, foto por Fabio Souza

Leia o texto que Daniela Name escreveu sobre a performance de Helô Sanvoy realizada na abertura das mostras do PIPA

Na abertura das exposições dos Premiados de 2023 e de Aquisições Recentes do Instituto PIPA, realizada no dia 9 de setembro no Paço Imperial do Rio de Janeiro, foi feita uma visita guiada com o curador do Instituto, Luiz Camillo Osorio, e com os quatro artistas vencedores, Glicéria Tupinambá, Helô Sanvoy, Iagor Peres e Luana Vitra.

Ainda pudemos contar com a forte performance “Empelo” de Helô, executada pela primeira vez com presença de público. Daniela Name, curadora e crítica de arte, estava no momento e postou em seu perfil de rede social, no dia 13 de setembro, um texto sobre suas impressões e inquietações ao presenciar a obra. Com sua autorização, reproduzimos o texto abaixo, que constitui um ótimo registro do impacto do trabalho de Helô, e da atmosfera vivenciada:

“No último sábado estive na abertura da exposição do Prêmio PIPA no Paço Imperial do Rio de Janeiro, que este ano tem uma seleção de premiados muito diversa e inquietante, no melhor dos sentidos, com Glicéria Tupinambá, Luana Vitra, Helô Sanvoy e Iagor Peres.

Já estava contente por ver uma abertura com trabalhos que mexeram muito comigo, para além de uma proposta de mensagem ou afinidade com temas atuais.

Mas baque mesmo foi entrar na sala onde Helô Sanvoy fazia sua performance “Empelo”. Os cabelos com uma extensão trançada presos a um gancho de rede na parede do Pátio dos Arcos, arquitetura colonial raiz, onde Dom Pedro literalmente pisou, pintou… e só não bordou porque é do patriarcado europeu que estamos falando.

O corpo negro de Helô e a parede branca colonial. A cabeleira afro de Helô enganchada e duelando com o Paço.

O ímpeto de um homem lutando com a pedra e com os estereótipos de imagem, subvertendo a lógica cultural perversa que associou as pessoas com esse tipo de corpo e esse tom de pele a uma espécie de tração de trabalho, desalmada, desprovida de camadas para além de sua resistência física.

Helô, uma testa que começa a sangrar na batalha com tanto peso.

Helô, e o ori posto a serviço de uma tarefa simbólica: a metamorfose e, mais do que isso, a cura.

Helô, e uma vitória que se dá também nas reações de quem assiste. Se alguns mantém a cara de conteúdo típica de alguns eventos hypados do circuito de arte, muitos e muitas se balançam, inundados pela inquietude; alguns fecham os olhos, choram, mudam de lugar, manifestando um desejo subliminar e empático de colaborar com o fim do suplício.

Helô, dínamo que de algum modo entortou o paredão branco às suas costas e o outro à sua frente, faceado com o sangue e o suor dali e de agora – mas ainda os de tantos que vieram antes.

Helô, e um corpo que exige reconhecimento e estatura para muito além do corpo.

Apenas o meu muito obrigada, ainda emocionada, por tanta perturbação.”

Visite aqui a postagem original, feita no perfil de Instagram de Daniela (@daniname). Fotos por Fabio Souza.

Daniela ainda escreveu “viva o Grupo Empreza e a arte do Centro Oeste brasileiro!”. O Grupo Empreza, indicado ao PIPA em 2013 e 2017, é um coletivo de artistas que realiza principalmente ações performáticas, e do qual Helô faz parte desde 2011. Em 2020, um dos episódios do PIPA Podcast, de tema “O que é o corpo contemporâneo?”, teve como convidado dois membros do coletivo, Helô e Marcela Campos. Encontre o episódio nesta página, ou nas principais plataformas de áudio, e no Youtube do Prêmio PIPA.

Ambas as exposições ficarão em cartaz no Paço Imperial até 12 de novembro. Veja abaixo as informações para fazer sua visita:

Prêmio PIPA 2023: Glicéria Tupinambá, Helô Sanvoy, Iagor Perez e Luana Vitra Instituto PIPA: Aquisições Recentes
De 9 de setembro a 12 de novembro

Paço Imperial
Praça XV de Novembro, 48 Centro, Rio de Janeiro
Terça a domingo, das 12h às 18h
No dia 01 de outubro, domingo, excepcionalmente, o Paço Imperial estará fechado para manutenção. A visitação retorna na terça, dia 03
Entrada gratuita


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