Assista às vídeo-entrevistas de artistas indicados ao PIPA 2023 e conheça suas páginas

Nesta décima quarta edição do Prêmio PIPA, estão participando ao todo 73 artistas – dos quais 61 foram indicados pela primeira vez – escolhidos pelo Comitê de Indicação. Assim como nas últimas edições, o Prêmio está focado na produção mais recente, sendo voltado para artistas que realizaram sua primeira exposição individual ou coletiva há no máximo 15 anos. O objetivo do PIPA 2023 é ser um incentivo para artistas em início de carreira, com produção diferenciada.

Um importante momento de toda edição se dá com a criação das páginas de cada Artista Participante nos sites em português e inglês do Prêmio: todos os artistas que participam da premiação têm sua própria página, onde estão reunidas imagens de trabalhos, textos, vídeos, informações sobre a trajetória, entre outros conteúdos. Essas páginas que estão sendo adicionadas agora, somadas às já existentes, constituem uma fonte de consulta e pesquisa sobre a arte contemporânea brasileira, e podem ser posteriormente atualizadas a partir do envio de mais material pelos artistas, estando assim sempre à par dos novos momentos da produção de cada um.

Além desse conteúdo, as páginas também contam com uma vídeo-entrevista oferecida pelo PIPA e realizada pela produtora Do Rio Filmes, formato que possibilita que o artista apresente seu trabalho ao público de uma forma mais próxima e pessoal. Esses vídeos estão sendo gradativamente adicionados às páginas, conforme ficam prontos, e também são divulgados nas plataformas do Prêmio.

Nesta postagem, apresentamos abaixo vídeo-entrevistas com alguns dos nomes indicados ao PIPA 2023:

BEL FALLEIROS é uma artista brasileira cuja prática se concentra em entender como as paisagens construídas contemporâneas (des)representam as diversas camadas de presença que constituem um lugar e como isso afeta aqueles que as habitam. No Brasil teve sua primeira individual na Caixa Cultural São Paulo e primeira residência no Instituto Sacatar na Bahia (2014). Desde que chegou aos E.U.A., ela trabalha para criar espaços de acolhimento e conexão entre pessoas, histórias, natureza e lugares como no Pecos National Park, NM (2016), Burnside Farm, Detroit (2017), Santa Fe Art Institute’s Equal Justice Residency – em colaboração com Tewa Women United, NM (2018), Socrates Sculpture Park, NYC (2020), The Border Project, NYC (2021) e Panorama da Arte Brasileira, São Paulo (2022-3). Ela foi participante do More Art Engaging Artist em Nova York (2021) e artista residente do Dia Teens Program, em Dia:Beacon (2021-2). É fundadora do grupo Manas Americanas (2018-atual), grupo que conecta mulheres e pessoas não-binárias da América Latina vivendo em Nova York e trabalhando com questões de cultura, imigração e identidade. Desde 2019 é arte educadora no Dia:Beacon e no projeto Escuelita en Casa, que acolhe crianças latinas imigrantes do bairro de Queens, NY. Além de sua prática em estúdio, ela participa de projetos colaborativos nas Américas conectando arte, educação e pensamento autônomo.

Visite a página da artista aqui.

Vídeo produzido pela Do Rio Filmes exclusivamente para o Prêmio PIPA 2023:

Gustavo Caboco, nascido em Curitiba, Roraima (1989). Artista visual Wapichana, trabalha na rede Paraná-Roraima e nos caminhos de retorno à terra. Sua produção com desenho-documento, pintura, texto, bordado, animação e performance propõe maneiras de refletir sobre os deslocamentos dos corpos indígenas, as retomadas de memória e na pesquisa autônoma em acervos museológicos para contribuir na luta dos povos indígenas.

Visite a página da artista aqui.

Vídeo produzido pela Do Rio Filmes exclusivamente para o Prêmio PIPA 2023:

Meu berço, Brasília. Terra de modernidade, abstração, linhas retas e curvas planejadas. Design, arquitetura e localização por números. Então, cresci navegando por essas estruturas em uma cidade-jardim projetada e coordenada matematicamente, ocupada por vida, pessoas, plantas e animais. Tudo o que já foi planejado sempre será ocupado pela vida, nunca estável, sempre dinâmico. É assim que penso sobre minha arte, com base na ideia de que o design um dia se tornará complexo. Crio inovações poéticas tecnológicas que se transformam temporariamente em sistemas que atuam no mundo.

Sempre acreditei que tecnologia e cultura andam de mãos dadas e que desafiar a trajetória de apropriação capitalista da tecnologia é uma das expressões políticas mais vitais que eu poderia fazer. Penetrar no seio do que há de mais high-tech e demonstrar a delicadeza das estruturas através da lógica orgânica. É por isso que crio plantas robóticas e vida artificial e uso computação, tecnologia, ciência e arte como fontes de inspiração. A natureza, para mim, não é um refúgio externo. É recursiva, contingente, lógica e complexa.

Visite a página da artista aqui.

Vídeo produzido pela Do Rio Filmes exclusivamente para o Prêmio PIPA 2023:

O coletivo Retratistas do Morro tem por objetivo contribuir para construção de uma narrativa da história recente das imagens brasileiras baseada no entendimento e reconhecimento sobre a existência do movimento de fotógrafos que viveram e trabalharam nas favelas registrando cotidianamente os modos de vida de suas comunidades, ao longo dos últimos 50 anos.

Atua por meio de um conjunto de ações ligadas aos campos da pesquisa de imagens, historicidade, vivências comunitárias, preservação de memória oral e visual, conservação de acervos e restauração digital, propondo reflexões sobre as mudanças fundamentais nos modelos de percepção promovidas por essas fotografias.

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Vídeo produzido pela Do Rio Filmes exclusivamente para o Prêmio PIPA 2023:

Querida Laura,

Você me perguntou o que eu faço como trabalho. É difícil colocar em palavras como cheguei aqui: sentindo meu corpo tocando a cama, o celular na minha mão, pesado. A dor no mindinho pq o celular não foi feito pra minha mão. Estas são as condições que invadem meu corpo neste lugar adoecido, enquanto te escrevo. Desde que comecei, tudo tem sido sobre o corpo. Em particular, os efeitos corporais que este transtorno mental crônico têm no meu corpo. Dor, exaustão, aceleramento, pressão, instabilidade, inércia, pensamentos invasivos e sensações físicas que escapam da “normalidade” cotidiana. Desde então, tenho tentado maneiras de colocar em movimento essas sensações corporais que o mundo onde vivo chama de “sintomas.” Inventar relações dançadas entre meu corpo e as coisas ao meu redor. Por coisas, quero dizer cadeiras ou paredes. Mas também pessoas, plantas, objetos, palavras, materiais, câmeras.

Em um nível mais abstrato, isso vêm de uma curiosidade sobre as forças que coreografam nossos movimentos e corpos. Mais especificamente, como que, com a disseminação do celular, as câmeras estão vivendo tão perto de nós. Poderíamos dizer que eles se fundiram aos nossos corpos. Viramos “corpocameras” mesmo se o dispositivo não está em mãos. Mesmo desligado: esse celular que uso para te escrever me transforma. Ou, num trabalhador ativo e protagonista, produzindo sem parar. E, se não é isto, este celular vira ferramenta e para obsolescência. Ele transforma pessoas em corpos obsoletos: simplesmente não-ser, não estar apto, não ser considerado ou visto.

Minha abordagem é baseada no corpo e no movimento, vindo da terapia somática, dança e improvisação. Apesar de ser tudo prática, perguntas grandes pairam: com dançar nesse mundo de maneiras que não são tão adoecedoras para nós como corpos coletivos e para os mundos ao nosso redor? Que danças podemos dançar para combater as forças que nos coreografam?

Te amo,
Sofia

Hospital Fond’Roy, Bruxelas, 05/05/23

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Vídeo produzido pela Do Rio Filmes exclusivamente para o Prêmio PIPA 2023:

 

Acompanhe o site e as redes sociais do Prêmio PIPA para conhecer a cada semana novas páginas de artistas indicados, e para assistir às suas vídeo-entrevistas.



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