Ateliê Folleta, Biblioteca, foto por Dani León

Conheça o Ateliê Folleta: espaço coletivo de arte criado por Fernanda Grigolin com mostra em cartaz

(São Paulo, SP)

A artista Fernanda Grigolin abre ao público o Ateliê Folleta, um espaço coletivo de arte, trocas e leitura que é parte do seu pós-doutorado no Programa de Estudos Avançados de Cultura Visual da UFRJ, com acompanhamento de Alice Fátima Martins, e que está localizado no bairro Ipiranga, na zona sudeste de São Paulo. A pesquisa de Fernanda é o cruzamento da memória do bairro – tanto sua espacialidade dos anos 1900 quanto seus vestígios no hoje – com a produção dela como artista, publicadora e colecionadora, levantando a questão “O que em uma casa pode-se guardar, organizar e excluir?”.

Confira abaixo um depoimento da artista sobre a proposta do ateliê:

“Folleta vem de folleto – folheto ou panfleto: um pedaço impresso feito para uso momentâneo, distribuído nas esquinas das cidades. Folleta também é uma dose de vinho. O ateliê nasce do encontro com os impressos como vestígios de uma biografia relida coletivamente em uma casa que se senta junto e se partilha estudos, leituras, trabalhos de arte e tudo mais que faz parte da vida. Guardei por 20 anos panfletos, zines, jornais, livros de artista, livros convencionais, e pela primeira vez tenho tudo numa casa alugada no bairro do Ipiranga, perto do metrô Sacomã. Biblioteca, espaço expositivo e lugar para receber pessoas. Aqui tem livro até na cozinha, e na varanda tem luzes imersas em garrafas de vinho. Eu te espero para trocarmos muitas histórias.”

Fernanda ainda pontua que o bairro em que a casa está é um bairro histórico, pois se diz que nele aconteceu a Independência do Brasil, mas ela reforça que “a história do local também é de luta e resistência, coisas que vão muito além do grito. A urbanização do bairro é do século XX e se relaciona com a industrialização e a resistência das pessoas trabalhadoras por meio de greves e piquetes”.

Ateliê Folleta, foto por Dani León

De agosto de 2022 a janeiro de 2023, foi realizada a primeira etapa do ateliê, que foi encerrada no dia 28 de janeiro com o fim da primeira exposição “Estas são as palavras: escute-as”. A segunda etapa está ocorrendo agora e se chama “o feminismo que eu vivo”, título da mostra que abriu no dia 11 de março e que fica em cartaz até novembro. Sobre a exposição, Fernanda explica que “O encontro é situado em uma casa de bairro onde há traços expressivos daquelas que encontrei e a quem me uni na vida. Aqui feministas de várias gerações participam em diferentes formas de expressão, como: publicações, cartazes, livros e depoimentos gravados. O feminismo que eu vivo é militante, teórico, publicador e latino-americano.”

Participam da mostra Alice Fátima Martins, Alicia Andares, Bruna Kury, Bruna Novais, Camila Loreta, Casa Elefantee, Cidade Queer, Claudia Mayer, Editora Monstro dos Mares, Estampa Feminista, Fernanda Grigolin, Flor Pastorella, Florencia Lastreto, Heloísa Buarque de Hollanda, Jael Caiero, Karlla Girotto, Madalena Guilhon, Margareth Rago, Marília Oliveira, Mayra Redin, Mirna Wabi-sabi, Microutopias, Mogli Saura, Plataforma 9p9, Priscila Miraz, Publicadoras Latinoamericanas, rádio Malfalada, Rafaela Jemmene, Tenda de Livros, Tren en Movimiento e Vivas nos queremos.

Ateliê Folleta, vista da mostra “o feminismo que eu vivo”, foto por Dani León

No dia 04 de maio, será iniciada uma campanha de apoio ao ateliê para a catalogação dos mais de 5 mil trabalhos que estão no acervo. Os apoios poderão ser feitos por meio das recompensas ou doações dos materiais necessários que estarão em uma lista. Saiba mais sobre o ateliê aqui e acompanhe nas redes sociais aqui.

“o feminismo que eu vivo”, mostra coletiva
De 11 de março a novembro de 2023

Ateliê Folleta
Agende sua visita diretamente com a artista neste link

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