Convite Pedro Caetano na Cavalo

Pedro Caetano reflete sobre o espírito dos últimos tempos na individual “Ninguém dorme”

(Rio de Janeiro, RJ)

No próximo dia 21 de julho, a Cavalo inaugura Ninguém dorme, a segunda individual de Pedro Caetano na galeria localizada no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro. A exposição conta com pinturas, esculturas e instalações inéditas, produzidas ao longo de 2021 e 2022 pelo artista baseado em São Paulo.

Em suas obras, Pedro constrói um universo repleto de referências irônicas sobre a insensatez e os excessos da vida contemporânea e do sistema das artes, abordando questões existenciais e biográficas em uma trama complexa de aparente leveza e diletantismo. Os trabalhos oscilam entre tons pastéis em que habitam personagens caricaturais que se deformam em sorrisos cândidos e prantos grotescos ou – indo na direção oposta – superfícies minimais onde a expressão e o gesto surgem nos detalhes de grandes paisagens. A oscilação entre comédia e tragédia, entre o máximo e o mínimo, entre o rigor e o esculacho está presente em seu trabalho como uma alegoria da constante dicotomia da existência.

O artista conta que ‘ninguém dorme’ era uma expressão muito usada em sua juventude em São Paulo – uma espécie de acordo tácito entre amigos na balada, um pacto de não desistência da noite, uma promessa de sintonia até a alvorada do dia seguinte. Com o passar dos anos, a ideia de proibição do descanso deixou o campo da recreação e adquiriu tom de horror, insônia, ansiedade e constante estado de fadiga. Nesse contexto, sua nova individual reflete sobre o espírito dos últimos tempos – gravitam principalmente ao redor da questão da pandemia e do coronavírus. A partir desse espaço-tempo surge um repertório eclético: da trivial insistência das mídias sociais – o Tik Tok –, campanhas de vacinação e fé na ciência, do negacionanismo científico à pseudociência, das compulsões e abusos gerais do período de hibernação pandêmico, passando pela relação banal entre as pinturas de  Alfredo Volpi e maços de cigarro; ou entre homens brancos que não sabem dançar ao som de reggae e forma política da arte contemporânea; a precarização do trabalho e da vida coletiva e a fragilidade do presente como um todo.

Uma de suas novas séries apresenta pinturas de crepúsculos-alvoradas psicodélicas sobre superfícies disformes, construídas pela precariedade de repertório formal que se vale sobretudo de materiais usados na construção civil – massa plástica, espuma de poliéster, tinta spray – e se dilata imprevisivelmente para criar ambientes sedutores como pilhas de resíduos tóxicos fluorescentes ou supernovas radioativas. Os sóis metálicos ao fundo conferem tom de distopia a uma das categorias mais ingênuas da pintura clássica. Outros trabalhos apresentam figuras apreensivas de olhos esbugalhados, fumaça, um grande crânio prateado; camadas empastadas do vestígio da paisagem urbana, uma névoa oscilante que vai de Turner, passa por Rothko e Sterling Ruby e chega até a bad painting das calçadas da Praça da República e da arteterapia.

Como em toda obra de Pedro Caetano, a dubiedade exerce aqui um papel fundamental: embora o esgotamento físico, mental e social sejam assuntos fundamentais à individual, ‘Ninguém dorme’ trata de uma experiência de celebração, afinal a vida também é, mais do que outra coisa, festa.

“Ninguém dorme”, individual de Pedro Caetano
De 22 de julho a 10 de setembro, 2022
Abertura: 21 julho às 18h

Cavalo
Rua Sorocaba 51 – Botafogo, RJ
Terça a sexta 12-20h, sábado 13-17h
T. +55 21 2267-7654
Contato: info@galeriacavalo.com


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