BONANÇA, 2022 Série A Joia da Coroa Interferência espacial Painel de gaze de linho com bordados, fio dourado e pedras dolomita. Dimensão: 10 mx 2,80 m (comprimento x largura) com altura de 3,20m

Nove exposições individuais simultâneas são apresentadas pela Casa França Brasil

(Rio de Janeiro, RJ)

Nove artistas, incluindo Ivani Pedrosa e João Paulo Racy, participam da exposição “A alegria não é a prova dos nove (ou um arquipélago de singularidades)”, de 09 a 31 de julho. As individuais – organizadas como um arquipélago de 9 ilhas – têm a curadoria de Alexandre Sá. Segundo ele, “não se trata de uma coletiva, no sentido de uma construção ampliada com trabalhos diversos de modo a potencializar questões em comum, mas de um revés, como explícito no subtítulo. São individuais que formam este arquipélago de pontos singulares, excêntricos, capazes de provocar a construção de um espaço-tempo. Os trabalhos têm relação com a arquitetura do local”.

Entre as individuais, “mais valia”, de Racy, é um desdobramento de um trabalho realizado entre 2011 e 2016, no qual o artista começa a registrar as desapropriações ocorridas no Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos (2016) e para a Copa do Mundo (2014). E é, diante de tais experiências de devastação que Racy se aproxima da produção em Artes Visuais, faz suas escolhas e sedimenta sua trajetória no circuito.

Faz parte da exposição também duas obras de Pedrosa, “Bonança”, uma instalação com interferência espacial e “Bastaaa!!!”, um vídeo-arte em homenagem aos artistas Chico Buarque e Gilberto Gil. O curador da exposição escreveu um texto sobre o primeiro trabalho:

Bonança, instalação feita especificamente para a Casa França-Brasil, faz parte da série A joia da coroa, que Ivani Pedrosa realiza durante a pandemia como forma de curar-se do quantitativo cavalar de imagens, notícias, tragédias e horrores cotidianos que nos assolaram (e ainda assolam). Para isso, a artista opta pelo branco e por variações pictóricas mínimas, como se fizesse um manifesto íntimo a favor da paz e de novos recomeços. O jogo duplo que o trabalho inventa é que, como a artista utiliza como referenciais simbólicos o mapa e a bandeira do Brasil, eles terminam, com o branco, perdendo aquilo que talvez estruture seu clichê: a cor. E intensificam, por outro lado, o apagamento inevitável da multitude, como se também guardassem consigo, a palidez histórica.
Nesse sentido, o título da série, A joia da coroa, também surge como desaparecimento, indicando que a coroa, num outro jogo entre vilipendiada e vilipendiadora, talvez seja apenas algo de memória que se colocaria como resto para a reafirmação impossível do dispositivo de poder. Trata-se então da construção de uma atmosfera lírica de materialidade épica de um Brasil já cansado e consideravelmente em ruínas, mas que exatamente por isto, considerando seu processo violento e intermitente de recomeço, merece estar pronto, em breve, para outras histórias.

“A alegria não é a prova dos nove (ou um arquipélago de singularidades)”
Curadoria: Alexandre Sá
Visitação: de 12 a 30 de julho de 2022

Casa França-Brasil
Rua Visconde de Itaboraí, 78 – Centro – RJ
De terça a sábado, das 10h às 17h
Telefone: (21) 2332-5275
Entrada gratuita



O PIPA respeita a liberdade de expressão e adverte que algumas imagens de trabalhos publicadas nesse site podem ser consideradas inadequadas para menores de 18 anos. Copyright © Instituto PIPA