Maxwell Alexandre, Sem Título, 2020, graxa, acrílica, grafite e carvão sobre papel pardo, 27 x 37.5 cm

Coleção “Deslocamento”: conheça obras de Maxwell Alexandre e Romy Pocztaruk adquiridas pelo Instituto PIPA

Instituto PIPA continua com a missão de criar e compartilhar um acervo representativo da arte contemporânea produzida no Brasil. Desde 2010, obras de artistas que já participaram do Prêmio PIPA são adquiridas, assim como os artistas finalistas e os vencedores do PIPA Online doaram obras para o acervo até a edição de 2020.

No ano passado, 2021, tivemos o prazer de anunciar aquisições de alguns artistas, incluindo uma dupla: Ana Frango Elétrico, que entrou na coleção com 3 estampas e uma pintura; Eduardo Berliner, que agora tem mais 5 pinturas na coleção; Ilê Sartuzi integrou a coleção com 3 vídeos e uma instalação; a obra “De noite penso no dia, de dia penso na noite / 夜はを思い、は夜を思 う (Yoru ha hiru wo omoi, hiru ha yoru wo omou)”, comissionada e adquirida de Yukie Hori + Inês Bonduki; e mais duas obras de Elias Maroso, que já fazia parte da coleção Deslocamento com outras duas.

Também foram adquiridas 3 pinturas de Maxwell Alexandre da série Pardo é Papel, compondo um conjunto com a obra que ele, como um dos vencedores de 2020, doou para a coleção, e 7 fotografias de Romy Pocztaruk, finalista do PIPA 2018.

Saiba mais sobre as novas obras adquiridas a partir de trechos do texto O Instituto, a Coleção e o Prêmio, assinado por Lucrécia Vinhaes, Roberto Vinhaes e Luiz Camillo Osorio e publicado no catálogo do Prêmio PIPA 2021:

  • Maxwell Alexandre

“Os artistas vencedores do Prêmio PIPA 2020 doaram, cada um, uma obra para o Instituto. Maxwell Alexandre doou um trabalho da série Pardo é Papel. Achamos que enriqueceria a coleção ter outros trabalhos da série formando um conjunto, então adquirimos outros três. A série Pardo é Papel teve início no ateliê do artista carioca em 2017, quando começou a experimentar com o papel pardo. Nesse processo, além da estética potente, Maxwell percebeu o ato político e conceitual que estava articulando ao pintar corpos negros sobre a superfície, uma vez que a ideia de ‘cor’ parda foi usada durante muito tempo para velar a negritude. O artista já apresentou trabalhos da série em diversas exposições no Brasil e no exterior em importantes instituições”.

Maxwell Alexandre (Rio de Janeiro, 1990) vive e trabalha na favela da Rocinha. Criado em berço evangélico, o artista serviu o exército e foi patinador de street profissional durante 12 anos. Graduou-se em design por uma universidade católica, a PUC-Rio, no ano de 2016. Em 2018, teve reconhecimento da Arquidiocese e recebeu o prêmio São Sebastião de Cultura. Maxwell considera suas obras orações e seu ateliê um templo. Sua jovem carreira tem reconhecimento internacional. Além de ter sido um dos vencedores do Prêmio PIPA 2020, Maxwell também foi membro do Comitê de Indicação do PIPA 2021.

  • Romy Pocztaruk

“Romy Pocztaruk foi uma das finalistas do Prêmio PIPA 2018, e desde então pensamos em adquirir obras da artista para o Instituto, porém só agora, em 2021, adquirimos um conjunto de trabalhos. As obras escolhidas foram fotografias de três diferentes séries. Cinco fotografias da série A última Aventura, Fordlândia, que revela a jornada de Romy por partes da rodovia Transamazônica de quase quatro mil quilômetros. Esta começou a ser construída durante o governo militar na década de 70 e ainda hoje encontra-se inacabada. A artista registra os vestígios materiais e simbólicos do projeto faraônico, utópico e ufanista, rapidamente fadado ao abandono e ao esquecimento. Uma fotografia da série Bombrasil, apresentada na exposição dos finalistas do PIPA 2018, uma investigação fotográfica acerca do projeto de desenvolvimento armamentista nuclear durante a ditadura militar no Brasil, com imagens das usinas nucleares de Angra dos Reis. Uma fotografia da série Red Sand, em que registra as plataformas de aço que fazem parte dos Fortes Maunsell, construídos no mar do sudeste da Inglaterra, em 1942, para servir de apoio e proteção ao exército britânico durante a Segunda Guerra Mundial”.

Romy é mestre em Poéticas Visuais pela UFRGS. Ao indagar-se sobre a posição do artista frente aos diferentes contextos com os quais se depara, seu trabalho lida com simulações espaço-temporais a partir do cruzamento entre disciplinas de diversas áreas, como a ciência e a história, em relação ao campo das artes visuais. Além de ter sido finalista do PIPA 2018, Romy também foi indicada às edições de 2015 e 2017 do Prêmio.

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