"Grifos de Saída", 2019, instalação, serigrafia sobre papel, quinze peças em corrosão química de cobre, cortes em acrílico, ímãs de neodímio, fiação elétrica, dimensões de 158 cm x 80 cm x 10 cm

Novas aquisições: conheça mais duas obras de Elias Maroso que entraram na coleção do Instituto PIPA

Instituto PIPA continua com a missão de criar e compartilhar um acervo representativo da arte contemporânea produzida no Brasil. Desde 2010, obras de artistas que já participaram do Prêmio PIPA são adquiridas, assim como os artistas finalistas e os vencedores do PIPA Online doaram obras para o acervo até a edição de 2020. Este ano, tivemos o prazer de anunciar aquisições de 5 artistas + 1 dupla de artistas: Ana Frango Elétrico, que entrou na coleção com 3 estampas e uma pintura; Eduardo Berliner, que agora tem mais 5 pinturas na coleção; Ilê Sartuzi integrou a coleção com 3 vídeos e uma instalação; foram adquiridas 3 pinturas de Maxwell Alexandre da série Pardo é Papel, compondo um conjunto com a obra que ele, como um dos vencedores de 2020, doou para a coleção; 7 fotografias de Romy Pocztaruk, finalista do PIPA 2018; e a obra “De noite penso no dia, de dia penso na noite / 夜はを思い、は夜を思 う (Yoru ha hiru wo omoi, hiru ha yoru wo omou)”, comissionada e adquirida de Yukie Hori + Inês Bonduki.

Agora, anunciamos mais duas obras incluídas no acervo: as “Diagrama 88.8” e “Grifos de Saída” de Elias Maroso, que já fazia parte da coleção Deslocamento com as obras “Ok/Cancel” e “Criptocromo”.

Sabia mais sobre as novas obras adquiridas abaixo:

  • Diagrama 88.8

A radiotransmissão é um recurso de interesse na prática artística de Elias, porque é uma maneira de atravessar limites os físicos do espaço por meio das ondas eletromagnéticas, como explica o artista. A parede não é um obstáculo para as ondas de rádio. Elas simplesmente cruzam o concreto e podem seguir de um lugar para o outro conforme a energia de seu impulso. Das vezes que ele expõe os protótipos artesanais de transmissores, é introduzido no perímetro de exposição algum conteúdo sonoro, seja um ruído contínuo, uma mensagem textual ou um relato em áudio que descreve a própria exposição que está emitindo o conteúdo sonoro para dentro da faixa de frequência 88.8 FM. Dentro do espectro de transmissão FM, a escolha pela faixa de frequência 88.8 se dá por remeter ao símbolo do infinito ou à fita de Moebius dispostos na vertical. Abre-se caminho a uma rádio pelo entremeio, sem começou ou fim. A ideia de atravessar as paredes da exposição artística se baseia no pensamento de que a arte não precisa ser entendida apenas como um campo disciplinar do conhecimento fechado sobre si mesmo, mas também como uma dinâmica transformativa e viva da linguagem.

Os transmissores 88.8 são apresentados junto a peças complementares conectadas entre si com fios de cobre esmaltados, formando uma instalação eletrônica ligada à rede de energia do espaço expositivo. Duas peças que compõem o Diagrama para Transmissor 88 são desenhos-objetos feitos em uma chapa fina de cobre corroída quimicamente. As peças fazem referência a desenhos do físico e matemático britânico James Maxwell (1831-1879) encontrados no seu Tratado sobre Eletricidade e Magnetismo de 1873. A partir das linhas de força apresentadas nesse livro, Elias produziu dois desenhos-objeto como duas sugestões de rachadura, aproveitando as linhas do campo magnético como base compositiva.

“Diagrama 88.8”, 2019, instalação composta por protótipos de radiotransmissores FM, cortes de acrílico a laser, chapas de latão e cobre fotocorroídos, fios de cobre, parafusos e lâmpadas LED, dimensões de 167 cm (altura) x 152 cm (largura) x 12 cm (profundidade)

  • Grifos de Saída

A obra tem como peça central duas páginas de texto serigrafadas sobre papel e apresentadas com uma tipografia própria. O texto em questão consiste no pequeno conto de Franz Kafka intitulado “Um Relatório para uma Academia“, de 1919, o qual relata a história de um macaco enjaulado que, no anseio de encontrar uma saída, acaba por se transformar em um europeu civilizado.

Comprimido em apenas duas páginas, a tipografia, de autoria do artista, faz o conto parecer uma malha uniforme de signos, como códigos a serem decifrados. Dessa malha de texto saem “grifos luminosos” todas vezes em que a palavra saída aparece. No total, são 15 palavras de saída conectadas entre si. Os grifos são feitos em cobre corroído quimicamente, acrílico e leds internos, sendo esses os elementos que mantêm o texto estável em uma placa de mdf através de ímãs de neodímio.

Na parede, junto à impressão serigráfica, localiza-se uma sinalização luminosa, como uma placa de saída, torcida sobre si mesma e outra caixa de luz no canto inferior direito, apresentando o desenho de todas as letras da tipografia utilizada.

Esta obra compõe a pesquisa de doutorado Circuitos de Entrada e de Saída: por uma poética do atravessamentorealizada pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da UFRGS, com ênfase em Poéticas Visuais, linha de pesquisa Linguagens e Contextos de Criação. O estudo consistiu no desenvolvimento de um processo criativo e reflexão teórica referentes ao atravessamento espacial e a trânsitos formadores entre o exterior e o interior tanto de recintos expositivos quanto da própria disciplina artística. Sob orientação de Maria Ivone dos Santos, a investigação compreendeu o período de 2016 a 2020, sendo financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes / Governo Federal / Brasil).

“Grifos de Saída”, 2019, instalação, serigrafia sobre papel, quinze peças em corrosão química de cobre, cortes em acrílico, ímãs de neodímio, fiação elétrica, dimensões de 158 cm x 80 cm x 10 cm

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