“Te Acompanhei Nesse Xadrez I”, 2021, impressão em veludo, 1 x 1 m, coleção Instituto PIPA

“PIPA de perto: a artista fala na coleção do Instituto” com Ana Frango Elétrico

Ana Frango Elétrico é a décima convidada do “PIPA de perto: a artista fala na coleção do Instituto”. Selecionamos, quinzenalmente, uma obra adquirida pelo Instituto e pedimos para a(o) artista comentar um pouco sobre o trabalho: seja o processo criativo; a ideia por trás da obra; a conexão com toda a sua produção ou algum outro aspecto que a pessoa deseje compartilhar. O intuito é aproximar o público do universo da(o) artista e da coleção “Deslocamento” do Instituto PIPA, que foi criado em 2010 para apoiar, ajudar a documentar e a promover o desenvolvimento da Arte Contemporânea Brasileira, e que tem o Prêmio como uma de suas iniciativas. Desta vez escolhemos as obras “Te Acompanhei Nesse Xadrez I” e “Te Acompanhei Nesse Xadrez IV”, recém adquiridas e em exibição na mostra “Aquisições Recentes: Coleção Instituto PIPA”, que estará em cartaz no Paço Imperial do Rio de Janeiro, na galeria Praça dos Arcos, até 20 de novembro.

Ana Frango Elétrico é compositora, poeta, artista visual e produtora musical brasileira. Desde 2015, pesquisa elementos ordinários do cotidiano, saturando a realidade em formas gráficas, poéticas e sonoras. Desde então lançou dois álbuns musicais autorais, “Mormaço Queima” e “Little Electric Chicken Heart”, e um livro-catálogo de poemas e ilustrações, “Escoliose: paralelismo miúdo” (Garupa Edições, 2020). No livro, a artista reúne poemas, gravuras e ilustrações feitos entre 2015 e 2019, onde assimila técnicas e poéticas várias para compor um dos conceitos-chave de seu trabalho, denominado “paralelismo miúdo”. Como explica Heloisa Buarque de Holanda no posfácio ao livro,

“Trata-se de uma poesia com outro DNA geracional, um DNA quase insolente, que, partindo radicalmente para o testemunho pessoal e localizado, desmistifica toda e qualquer aura da poesia (pelo menos aquela dos nobres tempos dos cânones masculinos) em prol da liberação de uma fala corporal, libertária”.

“Te Acompanhei Nesse Xadrez I”, 2021, impressão em veludo, 1 x 1 m, coleção Instituto PIPA

Confira abaixo a fala que a artista nos enviou sobre as obras:

“Te acompanhei nesse xadrez I e IV fazem parte de uma série de estampas  e pinturas que surgem a partir de um pensamento rítmico musical relacionado com padronização e programação. No caso dessas duas obras, viso obter textura e plasticidade a partir do veludo.

Tento propor uma vertigem e onda magnética ou sonora a partir da desordem ou leve assimetria de símbolos e formas comuns”.

“Te Acompanhei Nesse Xadrez IV”, 2021, impressão em veludo, 80 x 80 cm, coleção Instituto PIPA

Além do texto, fizemos duas perguntas para Ana sobre a estética de um dos seus trabalhos e sobre sua prática multimídia.
Na sua vídeoentrevista para o PIPA 2021, você comentou que incorpora elementos de nostalgia em algumas de suas obras, assim como sons de outras décadas na sua música. A “Te Acompanhei Nesse Xadrez IV” tem alguma relação com os anos 2000? Com o pop-punk, que teve uma estética muito representada pela cantora Avril Lavigne, por exemplo?
Ana: Acho que tem relação com os anos 2000 sim, mas muito mais com cartoon do que com o pós-punk. Cromática, narrativa e cenograficamente, bebe de desenhos como A Vaca e o Frango, Laboratório de Dexter etc. Sinto que pra mim a série “Te Acompanhei Nesse Xadrez” é uma ligação musical entre os anos 80 e os anos 2000, em que a arte pop também é uma referência marcante.

As suas obras recém-adquiridas pelo Instituto PIPA agora fazem parte da coleção “Deslocamento”, que, como o nome indica, reúne diversos tipos de deslocamentos na arte contemporânea brasileira. Pensando nisso –  e no fato de você ser uma artista multimídia, que trabalha com música, texto e artes visuais –, de que forma essa arte entra na sua produção para complementá-la? 


Ana: 
Sinto que em todo momento estou pensando a música em termos estéticos e as artes gráficas em termos musicais. Sinto que meu objetivo é esse trabalho em conjunto. Não que isso não transpareça nos trabalhos individualmente, o meu objetivo é esse raciocínio criativo conjunto e rápido da estética.

Para observar esse encontro que Ana produz entre música e arte visual, assista ao clipe de “Roxo”. Neste, outra obra adquirida pelo Instituto aparece como fundo para uma das cenas, a “Ninguém Canta Parabéns Pra Jesus Cristo No Natal”, 2017.

“Ninguém Canta Parabéns Pra Jesus Cristo No Natal”, 2017, acrílica e silvertape sobre tela, 30 x 30 cm, coleção Instituto PIPA

Na ocasião da indicação de Ana ao PIPA 2021, a artista gravou uma vídeoentrevista feita com exclusividade para o Prêmio pela Do Rio Filmes. Em sua fala, Ana aborda sua pesquisa com a música e as artes gráficas, na qual ela “usufrui de elementos ordinários do Ocidente capitalista” e incorpora influências de sua infância, sendo um trabalho também marcado pela sinestesia:

Para visitar a página da artista no site do Instituto, clique aqui.

Se interessou pelos trabalhos? Venha vê-los pessoalmente ao lado de outras obras da coleção do Instituto PIPA até 20 de novembro. Além desta mostra, também temos a Exposição dos Vencedores do Prêmio PIPA 2020 e a Apresentação dos Artistas Selecionados do Prêmio PIPA 2021.



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