Thiago Martins de Melo: "Ouroboros Sucuri" (detalhe), 2021, foto por: Bruno Leão

“Ouroboros sucuri”: a simbologia da serpente e mais na individual de Thiago Martins de Melo

Com abertura no dia 9 de outubro, a Galeria Millan apresenta Ouroboros sucuri, primeira exposição de Thiago Martins de Melo (São Luís, MA, 1981) na galeria. A mostra, com curadoria do islandês Gunnar B. Kvaran, reúne 19 trabalhos inéditos, incluindo pinturas e esculturas, e traz um olhar curatorial retrospectivo sobre a produção do artista, bem como suas distintas narrativas ao longo do tempo.

A trajetória de Thiago Martins de Melo revela em si um projeto de múltiplos experimentos sobre o ato de narrar e suas possibilidades na ampliação da técnica pictórica. Tais características marcam o corpo de trabalhos apresentados na exposição ao integrar animações em stop-motion e peças escultóricas ao suporte tradicional. Na prática do artista, é o desenvolvimento do enredo de cada trabalho que distende e movimenta a técnica, elaborando, através de diferentes referências e signos, seu processo intuitivo.

A organização curatorial de Ouroboros sucuri é dividida em duas partes, sendo a primeira centrada na simbologia da serpente. Sua aparição em narrativas culturais e religiosas ao longo da história é evocada de diferentes maneiras nos trabalhos de Martins de Melo, a exemplo da obra que empresta seu título à exposição. A imagem de representação do Ouroboros consiste numa serpente que morde a própria cauda, em formato circular. Este conceito milenar, tendo sido observado pela primeira vez no Egito antigo, alude à ideia de eterno retorno, da evolução e da reconstrução. No trabalho do artista, tal signo é revisitado tanto como uma moldura quanto como protagonista das cenas – aqui a serpente é tanto narrada quanto enunciadora e antecessora da trama.

Já a segunda parte da mostra apresenta uma “constelação de novas obras” que, segundo Kvaran, refletem temáticas e soluções formais mais recentes na produção de Martins de Melo. Nesta seção, as poéticas perpassam o ocultismo, o espiritismo, elementos de culturas indígenas e afro-brasileiras, temas da política atual, entre outros temas, através de um viés pós-colonial.

Para o curador, esses trabalhos

“formam uma construção complexa, em que o espectador passa por diferentes zonas da ficção baseada na realidade. É essa fusão de signos e símbolos, religiosos e espirituais, e referências sociais e políticas da memória coletiva que carregam essas obras com a sua energia singular e que as inserem na grande tradição da pintura histórica”.

A exposição é acompanhada ainda de uma publicação que traz imagens de obras e o texto curatorial — uma extensa e rica conversa entre curador e artista, fruto de uma troca e parceria que a dupla vêm construindo ao longo de anos.

Thiago Martins de Melo: “Ouroboros Sucuri”, 2021, foto por: Bruno Leão

“Ouroboros sucuri”, individual de Thiago Martins de Melo
Curadoria de Gunnar B. Kvaran
De 11 de outubro a 6 de novembro, 2021

Galeria Millan
Rua Fradique Coutinho, 1416, São Paulo
Abertura: 9 de outubro, sábado, 11h às 15h
Visitação: 11 de outubro a 6 de novembro de 2021
Segunda a sexta, 10h às 19h, sábado, 11h às 15h



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