Vista da exposição, 2021, foto de Ana Pigosso

Polifonia em “Megazord codinome Esperança”: a nova individual de Randolpho Lamonier

(São Paulo, SP)

O Espaço C.A.M.A recebe a exposição Megazord codinome Esperança, de Randolpho Lamonier, um dos vencedores do Prêmio PIPA 2020. Como explicado no release, o artista dispara contra as questões latentes no presente, como as violências de Estado escancaradas no Brasil, mesclando essas abordagens ao olhar para o universo íntimo e para sua própria relação com a cidade em seus trabalhos.

As obras expostas apontam para uma continuidade em suas pesquisas, especificamente no uso de materiais têxteis, mas também incorporam cada vez mais outros elementos, como o plástico, objetos de uso pessoal ou coletados no ambiente urbano. As cores e as formas já encontradas por ele são, assim, reapropriadas de modo que elas conservam suas propriedades e colocam todo o conjunto numa espécie de polifonia proposital – não necessariamente harmônica.

Confira, abaixo, uma fala do artista sobre sua produção:

“Eu me interesso muito em alcançar os limites da linguagem a da forma. Se eu estou fazendo um trabalho bidimensional, por exemplo, eu posso lidar com aquilo como se fosse, na verdade, um som. Há uma tentativa de transformar uma imagem em algo sonoro, capaz de provocar uma sensação próxima da música”.

Lamonier convida o público a sentir os mais diversos ritmos e pulsações que ali se projetam. Desde as mais dramáticas, irônicas ou incômodas sem deixar de abrir uma brecha para a esperança, o que ele identifica principalmente na vibração das cores. Porém, ele reconhece que suas criações se tornaram um pouco mais “pesadas” do que havia planejado. Lamonier atribui isso a um choque desde o seu retorno ao Brasil em janeiro de 2021, após um ano em Paris, onde participou de residência artística na Cité Internationale des Artes, a convite da artista Rosa Maria Unda Souki. De volta a Belo Horizonte, após essa última temporada fora do Brasil, o artista precisou não só lidar só com uma avalanche de estímulos, mas também com os impactos, as mudanças, os conflitos provocados por mais de um ano de pandemia na paisagem da cidade onde morava, e, num contexto mais amplo, em todo o país, provocando um clima de intensa instabilidade.

Sobre isso, Lamonier comenta:

“A princípio eu estava pensando tudo de um jeito mais leve, mais bem-humorado. Apesar de eu ter ficado muito feliz de voltar ao Brasil e percebi como era importante estar aqui, o trabalho ganhou um peso brutal porque eu não estava mais conseguindo ver espaço nenhum para algo mais suave ou pouco engajado”.

Megazord codinome Esperança, individual de Randolpho Lamonier
Início em 6 de maio de 2021

Espaço C.A.M.A
Alameda Lorena 1257, casa 4 – Jardim Paulista, São Paulo
Terça – sexta: 12 – 19h; sábado: 11 – 17h
Contato: info@c-a-m-a.com
Instagram: @cama.plataforma / @espaco.cama



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