“Bandeira Brasileira”, 2019, foto de Alexandre Brum

Escute “Arte e Carnaval com Leandro Vieira”: o novo episódio do PIPA Podcast

Mariana Casagrande e Alexia Carpilovsky, da equipe do Prêmio PIPA, conversaram com Leandro Vieira, que mistura arte e carnaval desde 2015 e já conquistou dois campeonatos pela Estação Primeira de Mangueira, em 2016 e 2019. Nesse ano de não-carnaval, Leandro falou sobre a importância cultural do carnaval para nossa herança brasileira, sobre o sincretismo religioso do país que está presente no carnaval e também sobre escolhas estéticas e políticas. 

Ouça agora o segundo episódio da segunda temporada do podcast aqui no site ou acesse nas plataformas de streaming, como Spotify e Apple podcast, além do nosso canal Prêmio PIPA no Youtube.

Os episódios do podcast estão sendo gravados remotamente, por meio de videoconferência. Abaixo, você pode conferir as referências que são feitas durante a conversa.

R E F E R Ê N C I A S

  • Mestre Vitalino

“Vitalino Pereira dos Santos (Ribeira dos Campos, Caruaru PE 1909 – Alto do Moura, Caruaru 1963). Ceramista popular e músico. (…) Mestre Vitalino se notabiliza por suas figuras inspiradas nas crenças populares, em cenas do universo rural e urbano, no cotidiano, nos rituais e no imaginário da população do sertão nordestino brasileiro. Ainda criança, começa a modelar pequenos animais de seu repertório rural: boi, bode, burro e cavalo. Na década de 1930, possivelmente influenciado pelos conflitos armados do período, modela seus primeiros grupos, formados por figuras de cangaceiros, soldados, bacharéis e políticos. No início, a cor é obtida por meio de argilas de diferentes tons, avermelhado e branco. Depois, Vitalino pinta os bonecos com tintas industriais, o que lhes confere um aspecto alegre e lúdico. A partir de 1953, deixa de pintar as figuras, mantendo-as na cor da argila queimada”. (Texto extraído do portal Enciclopédia Itaú Cultural – para ler mais, clique aqui).

Mestre Vitalino: “Retirantes”, cerâmica, acervo Museu de Arte Popular do Recife, foto de autoria desconhecida

  • Heitor dos Prazeres

“Heitor dos Prazeres (1898 – 1966). Compositor e pintor. (…) Heitor dos Prazeres compõe choros (Comigo Ninguém Pode e A Coisa Melhorou), canções (Canção do Jornaleiro, lançada pelo menino Jonas Tinoco e regravada por Wanderley Cardoso, em 1959), rancheiras (Cousa Gozada), macumbas (Yêmanjá OfeiabaVamos Brincar no Terreiro), baiões (Êta, Seu Mano), marchas (Africana, com J. Cascata, e Pierrô Apaixonado, parceria com Noel Rosa, gravada por Joel e Gaúcho, em 1936, Maria Bethânia, em 1965, Martinho da Vila, em 1979, e Ivan Lins, em 1997), e até ritmos latinos (Bate no Bongô), mas é o samba seu gênero mais producente e para o qual trouxe mais contribuições”. (Texto extraído do portal Enciclopédia Itaú Cultural: para saber mais sobre a vida e a importância de Heitor dos Prazeres, clique aqui).

Reprodução fotográfica Correio da Manhã/Acervo Arquivo Nacional

  • Mestre Didi

“Deoscóredes Maximiliano dos Santos (Salvador, Bahia, 1917 – Idem, 2013). Escultor e escritor. Executa objetos rituais desde a infância; aprende a manipular materiais, formas e objetos com os mais antigos do culto orixá Obaluaiyê. Entre 1946 e 1989, publica livros sobre a cultura afro-brasileira, alguns com ilustrações de Caribé. Em 1966, viaja para a África Ocidental e realiza pesquisas comparativas entre Brasil e África, contratado pela Unesco. Nas décadas de 60 a 90, participa como membro de institutos de estudos africanos e afro-brasileiros e como conselheiro em congressos com a mesma temática, no Brasil e no exterior. Em 1980, funda e preside a Sociedade Cultural e Religiosa Ilê Asipá do culto aos ancestrais Egun, em Salvador. É coordenador do Conselho Religioso do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira, que representa no país a Conferência Internacional da Tradição dos Orixás e Cultura”. (Texto extraído do portal Enciclopédia Itaú Cultural – para ler mais, clique aqui). Abaixo, uma das obras de Mestre Didi:

  • Fernando Pamplona

“Pamplona é considerado um dos precursores dos desfiles do Carnaval carioca nos moldes que conhecemos hoje. Foi o primeiro a levar as teorias acadêmicas da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde se formou, aos barracões das escolas de samba. Ele atuou como cenógrafo de muitos teatros e museus do Rio de Janeiro em sua fase pré-carnavalesca e, a partir dessa experiência, ajudou a dar um caráter mais profissional e a imprimir um padronização estética aos desfiles das agremiações. Foram seus aprendizes grandes nomes do espetáculo da Marquês de Sapucaí, como Arlindo Rodrigues, Joãosinho Trinta, Maria Augusta e Rosa Magalhães (…). Pamplona conquistou o campeonato logo no primeiro ano à frente da Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, em 1960, quando os desfiles ainda eram realizados na avenida Rio Branco, no centro do Rio, com o samba-enredo Quilombo dos Palmares. O carnavalesco também conquistou o campeonato pela escola em 1965, 1969 e 1971″. (Texto extraído desta matéria da Veja). Pamplona nasceu em 26 de setembro de 1926 e faleceu em 29 de setembro de 2013.

Fernando Pamplona em foto de 17/12/2012, foto: Thiago Lontra, Agência O Globo

  • Arlindo Rodrigues

Confira parte de um texto-homenagem feito pela página do Facebook do Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense:

“Arlindo Rodrigues foi um dos mais famosos, brilhantes e requisitados cenógrafos e figurinistas brasileiros. Sua contribuição para as artes cênicas nacionais revelou-se enorme, tanto no teatro quanto na televisão, onde também foi diretor e roteirista. A base de sua criação veio não somente do aprendizado nos bastidores do Theatro Municipal, dos anos 1950, mas também do contato direto deste artista autodidata com as tradições populares do país. Arlindo nunca estudou formalmente indumentária, cenografia, arquitetura ou escultura, mas era reconhecido como uma das maiores autoridades das artes cênicas brasileira. Entretanto, foi através das suas criações para o carnaval – desde as decorações de bailes e ruas até os desfiles das escolas de samba – que o artista tornou-se mais popularmente conhecido, brindando a cidade do Rio de Janeiro com momentos mágicos de criatividade”. Para ler a postagem na íntegra, clique aqui.

Foto de arquivo do Jornal Extra

  • Rosa Magalhães

“A primeira vez que participou da concepção de um desfile foi em 1970, para colocar na avenida, em 1971, como ajudante de Fernando Pamplona e grande time, o enredo ‘Festa para um rei negro’, eternizado no refrão ‘pega no ganzê/ pega no ganzá’. Naquele ano, o Salgueiro foi campeão do Carnaval do Rio, e começava ali a trajetória estrelada de Rosa. Desde então, os últimos 50 anos foram marcados por outros títulos, desfiles marcantes e até um Emmy. A professora Rosa, como é chamada por quem a conhece, veio da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, da UFRJ, e (…) confessa que às vezes sente falta da sala de aula, mas que o carnaval é a sua paixão”. (Texto retirado desta postagem do UOL, que conta com uma entrevista com a carnavalesca).

Rosa Magalhães, Foto: Fabio Rossi / Agência O Globo

  • Fernando Pinto

Confira abaixo parte de uma homenagem feita pela página do Facebook “Memória Mocidade – Departamento Cultural” na ocasião do aniversário do carnavalesco em 2020:

“Fernando Pinto, carnavalesco que fez história e imprimiu uma identidade que nossa escola carrega até hoje, era um artista completo. O pernambucano que, se vivo fosse, completaria hoje 75 anos, fez carreira no teatro como ator, diretor, cenógrafo e figurinista. Teve um papel importante na segunda geração do revolucionário grupo Dzi Croquettes, passagem que foi lembrada em nosso desfile de 2014, Pernambucópolis, uma grande homenagem ao nosso gênio tropicalista”.

Não foi encontrado o crédito da foto.

  • Zumbi dos Palmares

“Zumbi dos Palmares nasceu em 1655, no estado de Alagoas. Ícone da resistência negra à escravidão, liderou o Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas no Brasil Colonial. Localizado na região da Serra da Barriga, atualmente integra o município alagoano de União dos Palmares. Embora tenha nascido livre, Zumbi foi capturado aos sete anos de idade e entregue a um padre católico, do qual recebeu o batismo e foi nomeado Francisco. Aprendeu a língua portuguesa e a religião católica, chegando a ajudar o padre nas celebrações de missas. Porém, aos 15 anos, voltou a viver no quilombo, pelo qual lutou até a morte, em 1695. Zumbi é considerado um dos grandes líderes de nossa história. Símbolo da luta contra a escravidão, lutou também pela liberdade de culto religioso e pela prática da cultura africana no País. O dia de sua morte, 20 de novembro, é lembrado e comemorado em todo o território nacional como o Dia da Consciência Negra”. (Texto extraído do portal Palmares).

  • Chica da Silva

“Chica da Silva é uma interessante figura histórica do Brasil que foi alvo de muita especulação ao longo dos séculos XIX e XX. Filha de um português branco e uma escrava, Chica, que era também uma escrava, conquistou sua alforria e ficou marcada por se relacionar com um dos homens mais ricos do Brasil durante a fase da mineração. A influência de seu relacionamento garantiu-lhe status e ascensão social em uma sociedade escravista e abertamente racista”. Para saber mais e para ler o texto completo, clique aqui.

  • Cristo negro

Em seu mais recente desfile – Mangueira, 2020 – Leandro enfrentou a resistência conservadora ao apresentar a biografia de Cristo com nuances político/sociais contemporâneas. Abaixo, você pode conferir a representação de Cristo como um homem negro da favela, com tiros de bala em seu corpo:

“Cristo negro”, 2020, foto de Alexandre Cassiano

 

  • Produção de Carrancas do Rio São Francisco

“Segundo os historiadores, as barcas que circulavam pelo rio São Francisco foram as únicas embarcações primitivas de povos ocidentais que usaram figuras de proa ou carrancas. Essas esculturas surgiram na cultura nordestina, mais propriamente no meio da civilização ribeirinha do Médio São Francisco por volta de 1875/1880 e durou até o ano de 1940, quando se encerrou o ciclo das embarcações no Brasil. Essas figuras ocupam lugar de destaque na arte popular nordestina, pela expressividade artística e pela originalidade tipicamente brasileira. (…) A característica plástica predominante em todas as carrancas, corresponde ao fato delas apresentarem fisionomias de animais, cabeças de humanos e vice-versa. E o traço mais marcante dessas figuras são as vastas cabeleiras e os olhos de humanos que elas possuem. (…) Com o declínio do ciclo das barcas no Brasil, em 1940, essas esculturas artesanais deixaram de ser figuras de proa e passaram a ser objetos de arte popular presentes nos museus, exposições, feiras artesanais e coleções”. Para saber mais e ler o texto original, clique aqui.

Não foi encontrado o crédito da foto.

  • Produção Artística da Ilha do Ferro

“Distante dos grandes centros, a Ilha do Ferro é espaço de criatividade e fertilidade cultural, inspirada nas paisagens e características locais que se concentram nas mãos e no imaginário dos artistas que por ali residem. (…) Como saber popular repassado de geração em geração, na Ilha do Ferro a matéria-prima morta descartada na natureza vira instrumento e inspiração, dando forma às peças de decoração e utensílios como cadeiras, objetos de arte, mesas, bancos e o que mais o impulso criativo de cada artesão permitir”. Este parágrafo faz parte de uma matéria publicada em 2016 sobre a arte da Ilha do Ferro no portal do Governo do Estado de Alagoas, e você pode lê-la na íntegra clicando aqui.

Foto por Itawi Albuquerque, retirada do portal Agência Alagoas



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