Retrospectiva 2020: veja os momentos mais importantes do Prêmio na décima primeira edição

A décima primeira edição do Prêmio PIPA foi marcada por algumas novidades e muitas adaptações. Estávamos nos preparando para experimentar novos lugares no Rio, lançar projetos e repensar algumas categorias do Prêmio. Mas, como o mundo inteiro este ano, fomos freados pela pandemia. O ano de 2020 não foi fácil para ninguém. Enfrentamos lutos, isolamentos sociais e adiamentos de planos em diversos aspectos da vida, pessoal e profissional. Apesar dos desafios, nos esforçamos para manter o incentivo atemporal e contínuo à arte contemporânea brasileira e permanecemos com a missão de oferecer uma importante plataforma de pesquisa à cena atual de arte no país: somamos 480 páginas de artistas.

Preparamos uma retrospectiva dos acontecimentos do Prêmio PIPA 2020 para relembrar alguns dos destaques do ano e desejar um 2021 mais leve e feliz ao nosso público.


PIPA Podcast: O primeiro lançamento do ano foi o PIPA Podcast. Em janeiro, lançamos o primeiro episódio “O que é arte?” com o curador do Instituto PIPA Luiz Camillo Osorio. Até o momento, já tivemos mais de 7 mil downloads em nossos dez episódios, em que convidamos artistas e curadores, como Aleta Valente, Denilson Baniwa, Alice Miceli, Guilherme Gutman, Amanda Abi Khalil, entre outros nomes para discutir importantes temas na arte. Confira aqui todos os episódios.


PIPA em Casa: No primeiro mês de pandemia, o Instituto PIPA decidiu destinar uma verba emergencial de R$50 mil para apoiar e incentivar os artistas durante o isolamento social. Convidamos artistas indicados em todas as edições do Prêmio para enviar trabalhos produzidos antes da pandemia ou  durante a quarentena, em casa. Todos os trabalhos foram expostos na mostra virtual aqui no site. No dia 05 de maio, dez artistas foram selecionados (Agrade Camíz, Armando Queiroz, Castiel Vitorinno Brasileiro, Denilson Baniwa, Grupo EmpreZa, Isaias Salles (Ibã Huni Kuin), Jaider Esbell, max wíllà moraes, Moisés Patrício e Renan Cepeda) pelo Conselho do Prêmio PIPA e receberam, cada um, R$5 mil.


PIPA Online: Isael Maxakali foi o vencedor do PIPA Online 2020 com 4.191 votos. Foram contabilizados, no total da edição, 33.038 votos, distribuídos entre os 56 participantes, um recorde de todas as edições do PIPA Online. O artista vencedor foi premiado com uma doação de R$15 mil após a campanha que movimentou outros artistas indígenas nas redes sociais, como Denilson Baniwa, Jaider Esbell e Arissana Pataxó (vencedores do PIPA Online de edições passadas).

Veja a entrevista de Isael Maxakali com a Do Rio Filmes feita este ano:


Finalistas PIPA 2020: Em junho, anunciamos os quatro finalistas do Prêmio PIPA 2020, Gê VianaMaxwell AlexandreRandolpho LamonierRenata Felinto.

Os quatro finalistas escolhidos pelo Conselho do PIPA entre os 66 artistas participantes desta edição (confira a lista completa) receberam, cada um, uma doação de R$15 mil este ano e no ano que vem, quando está previsto para acontecer a exposição, os quatro recebem mais R$15 mil. Os finalistas concorrem ao Prêmio PIPA, categoria da premiação em que o vencedor é escolhido pelo Júri de Premiação para receber uma doação adicional no valor de R$30 mil. A Exposição dos Finalistas 2020 estava marcada para acontecer no Paço Imperial entre setembro e novembro deste ano. Por conta da pandemia, adiamos o evento e, para promover um encontro possível entre os finalistas de 2020 e o nosso público, convidamos os quatro artistas para realizar a Ocupação dos Finalistas. Gê Viana, Maxwell Alexandre, Randolpho Lamonier e Renata Felinto apresentaram de 12 de outubro a 14 de novembro conteúdos originais, como vídeos, fotos de trabalhos, além de textos críticos e entrevistas.

Veja agora a Ocupação de cada artista:
Randolpho Lamonier
Maxwell Alexandre
Gê Viana
Renata Felinto


Obras adquiridas: Em 2020, anunciamos alguns novos artistas para o acervo do Instituto PIPA, Ibã huni Kuin (Isaías Sales), indicado ao PIPA 2016, e Elias Maroso, indicado ao PIPA 2020. Também adquirimos obras de artistas que já faziam parte da coleção, como Ana Paula OliveiraAndré Griffo.

Ibã Huni Kuin (Isaías Sales) é um txana, mestre dos cantos na tradição do povo Huni Kuin. Na década de 1980, ele se tornou professor e aliou os saberes de seu pai Tuin Huni Kuin aos conhecimentos ocidentais, passando a pesquisar na escrita a sua tradição junto com seus alunos. Em 2008, ingressou na Universidade Federal do Acre, em Cruzeiro do Sul (AC) e criou o Projeto Espírito da Floresta visando, com seu filho Bane, pesquisar processos tradutórios multimídia para esses cantos compondo o coletivo MAHKU – Movimento dos Artistas Huni Kuin. O artista é pesquisador e utiliza diferentes linguagens, chamadas por ele de desenho-canto-vídeo, para disseminar práticas, conhecimentos e vivências indígenas.

Abaixo, foto do trabalho adquirido recentemente pelo Instituto,“YUBE NAWA AIBU” [povo mulher jibóia], 2020, caneta sobre papel, 30 x 40 cm. O desenho foi executado por Cleber Pinheiro Sales Kaxinawa, participante do MAKHU (Movimento dos Artistas Huni Kuin) e coordenado por Ibã Sales Huni Kuin.

Elias Maroso desenvolve pesquisa individual em artes visuais voltada ao objeto, à intervenção urbana e à eletrônica aplicada. Especialista em arte e tecnologia, Elias é membro-fundador do projeto Sala Dobradiça, a partir do qual participou da 7ª e 8ª Bienal do Mercosul. Atualmente, é Doutorando em Artes Visuais (PPGAV/UFRGS) com ênfase em Poéticas Visuais. Sua formação transita entre as Artes Visuais, estéticas contemporâneas (Universidad de la República – Montevidéu, Uruguai), Design de Superfície – Especialização (PGDS/UFSM).

Duas obras de Elias foram adquiridas pelo Instituto, “Ok/Cancel”, 2020, 17,5 cm (altura) x 18,5 cm (largura) x 8,5 cm (profundidade) e “Criptocromo”, 2019, 90 cm (altura) x 105 cm (largura) x 16 cm (profundidade).

André Griffo foi indicado ao Prêmio PIPA nos anos de 2014, 2018 e 2019. Em 2018, o Instituto já havia adquirido duas pinturas do artista para a coleção: “O Golpe, a prisão e outras manobras incompatíveis com a democracia” e “Aproximação Forçada”. A primeira foi emprestada pelo Instituto para participação em exposições em outras instituições. Este ano, adquirimos mais uma obra, a pintura “O vendedor de miniaturas”.

Ana Paula Oliveira foi indicada ao Prêmio PIPA em 2010 e 2014. Em 2010 foi eleita a primeira vencedora do PIPA Online. Em 2017, doou para o Instituto o livro objeto “Vouindo”, livro de artista resultado do Prêmio Edital Proac 2016. O Instituto sempre acompanhou o trabalho da artista e finalmente em 2020 adquiriu as 4 obras abaixo.

  • “Porninho”, 2013, vidro e ninho de passarinho metalizado, 40 x 140 cm
  • ‘Da série Vistanã”, 2016, vidro e pássaro taxidermizado, 100 x 40 cm
  • ‘Da série Vistanã”, 2013, vidro e pássaro taxidermizado, 60 x 60 cm
  • “Indo adentro”, 2010, metal e pássaro taxidermia, 90 x 180 cm


Textos da coluna de Luiz Camillo Osorio: Além das tradicionais entrevistas com os finalistas do Prêmio, Luiz Camillo Osorio, curador do Instituto PIPA, publicou alguns textos durante este ano, como “Isso é arte? Sei lá”, “Luiz Camillo Osorio e Hans-Michel Herzog conversam sobre arte latino-americana no mundo atual”, “Aleta Valente: jogos de cena”, “Luiz Camillo Osorio conversa com Isabela Souza e Aruan Braga” e “Curadoria-filme e outras bifurcações curatoriais: resposta ao Guilherme Gutman”. Confira a lista completa de textos aqui.


Agradecemos aos artistas e ao Comitê de Indicação por fazerem parte desta edição do Prêmio, ao Conselho por mais um ano de parceria e, claro, ao nosso público por acompanhar a missão de incentivar a arte contemporânea brasileira. Um bom 2021 a todos!



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