Foto por Edouard Fraipont

“roçabarroca”: a instalação de Thiago Honório no MAM SP

De 13 de outubro de 2020 a 15 de março de 2021, a instalação “roçabarroca”, de Thiago Honório, toma conta do espaço entre o saguão de entrada do Museu de Arte Moderna de São Paulo e a Sala Milú Villela. A obra foi elaborada para o Projeto Parede que ocupa o corredor do prédio reformado por Lina Bo Bardi (1914-1992) em 1982 para o MAM SP como uma garganta. O trabalho parte da ideia de cobrir paredes com terra, deixando-as em “carne viva”, e é formado, assim, pelo revestimento das duas paredes do corredor do museu com taipa de mão e pau a pique, um procedimento construtivo brasileiro utilizado no período colonial. Em “roçabarroca”, foram empregados terra e galhos secos recolhidos no Parque do Ibirapuera.

Neste trabalho, o artista homenageia duas figuras importantes de sua trajetória: sua avó materna, Maria Boaventura de Souza, que viveu em uma casa de pau a pique no interior de Minas Gerais; e sua falecida tia, Maria de Fátima Boaventura de Souza Andrade, que em 1978 registrou a casa em fotografias. Essas imagens levaram Honório a criar, agora, uma fotomontagem, que foi referência decisiva para a construção da obra.

Abaixo, pode-se saber mais sobre o nome da instalação, explicado no tour online do trabalho:

“o título ‘roçabarroca’ vem do poema ‘Roça barroca’, de Josely Vianna Baptista (1957). A escritora traduz o mito poético da criação do mundo dos Mbyá-Guarani do Guairá, em guarani-português, a partir de três cantos sagrados, frutos do contato de Josely com textos originais da imemorial tradição oral ameríndia, entre os poucos preservados. O poema ‘Roça barroca’, presente no livro e que o intitula, é anterior à tradução dos cantos sagrados feita pela autora. No caso da instalação proposta por Thiago Honório para o Projeto Parede, foi feita uma releitura que consistiu na emenda das duas palavras – ‘roça’ e ‘barroca’ – formando uma só palavra em toda a sua extensão, produzindo um movimento algo análogo à extensão do corredor do museu. Ao atar uma palavra à outra, escrita em caixa-baixa, sua grafia apresenta erres, as, os, ces replicados; além de conter as palavras e elementos presentes no trabalho: roça, mas também roca, mas também oca, barro”. 

Você pode visitar a prévia online da instalação aqui.



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