Ivani Pedrosa é selecionada para edital internacional

“Muitos devem desconhecer que em suas entranhas fluem tubulações orgânicas que formam uma extraordinária rede por onde navegam secreções exócrinas, expelidas através de dutos. São secreções salivares, lacrimais, sudoríparas, mucosas. Através delas o vírus se prolifera. Tentemos compreender o momento em que nos encontramos, onde o homem vem sendo destituído do lúdico que permeia a sua existência. Diante dessa constatação, crio a figura do biótico-abiótico. Esse ser, meio máquina, meio gente, prolifera no seio flácido da contemporaneidade. O biótico-abiótico possui um coração que pulsa e caspas sintéticas pendem, tremulando-confetes-carnavalização na sanha da hora. É fato que estas estruturas bipartidas se diferenciam de geladeiras ou aspiradores. Claro, afinal,  há sobre os ombros cabeças que decidem entre um tênis da Nike ou da Adidas, pagos em 24 prestações”. – Nelson Ricardo Martins, curador de “Como será o amanhã?”

A plataforma online ART VEINE, que apresenta portfólios de artistas e exposições online, organiza o Edital Internacional “Como será o amanhã?”. A iniciativa convocou artistas do mundo inteiro a enviarem trabalhos com a visão do planeta pós pandemia e entre os artistas, Ivani Pedrosa foi uma das selecionadas. Segundo o curador, “as obras que se encontram na presente exposição apontam para a necessidade de um mundo em que o homem seja senhor de si próprio e, não, escravo do capital; do dinheiro. Um mundo minimalista com valores associados à essência humana em conexão com o divino”. O edital reúne vídeos, fotografias, pinturas, colagem, escultura, entre outros suportes com textos explicativos para cada trabalho. 

Com o trabalho “Intimidade descoberta” (2020), Ivani apresenta um ensaio poético-fotográfico envolvendo o vestido de noiva de seu casamento, guardado há 42 anos em um armário. Com o vestido, “ela busca expressar um novo amanhã pós pandêmico com a construção de paradigmas voltados para um mundo onde se valoriza, sobretudo, o fator humano em detrimento de uma sociedade que esvazia o indivíduo, impondo-lhe uma visão superficial e consumista”.


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