“Arte e Censura”, 5º episódio do Podcast: ouça aqui e veja as referências

O quinto episódio do Podcast do PIPA“Arte e Censura”, já está disponível!

O que significa o fechamento de instituições de arte e a perseguição a exposições e trabalhos artísticos no século XXI?

No quinto episódio do Artifício – o podcast do PIPA, conversamos com o curador do Instituto PIPA, Luiz Camillo Osorio, e com o artista Wagner Schwartz sobre a censura recente à arte no país e no mundo. Camillo era o curador do 35º Panorama de Arte, em São Paulo, em 2017, quando convidou Schwartz para apresentar a performance La Bête, trabalho que viralizou e foi extremamente perseguido nas redes sociais. No último dia 10 de março, o artista refez a performance em São Paulo, e contou para o PIPA sobre essa experiência. 

Pela primeira vez, gravamos o podcast remotamente, por meio de videoconferência. Adotamos essa medida por conta da pandemia de Coronavírus que estamos todos vivenciando, que nos leva a praticar o isolamento social, medida imprescindível nesse momento. Portanto, a qualidade sonora ficou um pouco comprometida. Contamos com a compreensão de todos.

Abaixo, você pode conferir breves explicações de referências que são feitas durante a conversa.

Ouça agora o quinto episódio do podcast clicando aqui ou acesse nas plataformas de streaming, como Spotify e Apple podcast, além do nosso canal Prêmio PIPA no Youtube.

R E F E R Ê N C I A S

  • La Betê

A La Betê (“O Bicho”, em francês), é uma performance do artista Wagner Schwartz. Em2017, ela foi apresentada no 35º Panorama de Arte Brasileira, que aconteceu no Museu de Arte Moderna de São Paulo. O nome veio da série de obras chamada “Bichos” de Lygia Clark, importante artista brasileira, e consistia em esculturas metálicas articuláveis que tinham como proposta a participação do público. Da mesma forma, a experiência artística proposta por Wagner precisa da participação dos espectadores para acontecer, e que estes se tornem, assim, participantes da performance. Como escreveu o site El País: “Cada apresentação é diferente da outra porque é o público que conta uma história criada coletivamente, ao manipular o corpo nú do artista como se ele fosse uma das figuras geométricas com dobradiças de Lygia Clark”. Na época da apresentação no Panorama, o artista já tinha apresentado, desde 2005, esse trabalho dez vezes no Brasil e na Europa, porém o episódio do Panorama teve um final diferente. Um vídeo de uma mulher e sua filha criança mexendo no pé do artista foi veiculado na internet e tirado de contexto, o que levou um grande número de pessoas a interagirem, compartilharem e acusarem Wagner de pedofilia. Um linchamento online teve início, agitando grupos de extrema direita, e o debate da liberdade de expressão estava novamente em voga. Até políticos e lideranças religiosas se envolveram no assunto, e o artista chegou a receber diversas ameaças de morte e teve que prestar depoimentos na 4a Delegacia de Polícia de Repressão à Pedofilia.

DIVULGAÇÃO/ HUMBERTO ARAÚJO

  • Livro “Arte Censura Liberdade – Reflexões à luz do presente” 

O livro consiste em uma compilação de 19 textos organizados por Luisa Duarte, sendo 17 ensaios e duas entrevistas. O assunto expresso no título é abordado tomando como base episódios recentes de ataques e de censura, e entre os autores estão pensadores, artistas, curadores e críticos de arte que refletem sobre o conservadorismo que se espalhou pelo Brasil, que levantou questões sobre controle tanto no cenário nacional quanto no global. O curador do PIPA, Luiz Camillo Osorio, participou do livro com o texto “La Bête – Depois da intolerância, alguma conversa”, e, além dele, estão presentes nomes como  Adriana Varejão,  Moacir dos Anjos, Clarissa Diniz e Gregório Duvivier.

  • A arte como aquela que quebra certezas

Durante a conversa, fazemos menção ao primeiro episódio do Artifício, em que discutimos com o Luiz Camillo Osorio, como o título expressa, “O que é arte?”. O episódio tem como base o texto “Arte, não-arte e a partir da arte”, que você pode ler aqui. Nele, Camillo analisa a constante incorporação de novas atividades e práticas, que há algumas décadas não seriam incluídas em museus, no status artístico, tomando como exemplo o coletivo Forensic Architecture, que foi um dos finalistas do Turner Prize de 2018. Camillo discute e questiona o porquê de uma agência de pesquisa originalmente voltada para o fazer jornalístico e forense, ou seja, “não-arte” estar exposta na Tate e, a partir desse questionamento, levanta novas possibilidades para a arte.



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