Crédito: Fabio Cordeiro, Veja Rio

Uma homenagem do PIPA a Nelson Leirner

Faleceu no dia 07 de março de 2020, aos 88 anos, o artista intermídia e professor universitário brasileiro Nelson Leirner. O artista era conhecido por suas obras repletas de reflexão e de polêmica. Nós do PIPA gostaríamos de prestar uma homenagem a ele, que foi um dos mais influentes nomes da arte contemporânea, fazendo uma retrospectiva de sua trajetória.

Nelson Leirner nasceu em São Paulo, em 16 de janeiro de 1932, filho da escultora Felícia Leirner e do empresário Isai Leirner, dois dos fundadores do MAM/SP. Leirner só começou sua carreira artística, por meio da pintura, já adulto. Ele morou nos Estados Unidos entre 1947 e 1952 para cursar engenharia têxtil no Lowell Technological Institute, em Massachusetts, mas nunca completou o curso. Ao voltar ao Brasil, estudou pintura com Joan Ponç em 1956 e, 10 anos depois, em 1966, fundou o Grupo Rex, com Wesley Duke Lee, Geraldo de Barros, Carlos Fajardo, José Resende e Frederico Nasser. Já em 1967, ele realizou a chamada “Exposição-Não-Exposição”, um happening de encerramento das atividades do grupo na qual o artista ofereceu obras suas de graça ao público. Naquele mesmo ano, Leirner enviou um porco empalhado ao 4º Salão de Arte Moderna de Brasília e questionou publicamente, no Jornal da Tarde, os critérios que levaram o júri a aceitar a peça. Foi, também, na década de 60 que Leirner fez seus primeiros múltiplos, utilizando, entre outros materiais, outdoor e lona. Nos anos 70, como lembrado pelo site do G1, o artista recusou convites para participar de duas bienais internacionais de São Paulo e começou a representar o contexto político do Brasil em suas obras, utilizando-as para contestar a Ditadura Militar (1964-1985). Por sua série, “A rebelião dos animais”, que fazia crítica dura ao regime militar, Leirner recebeu, em 1974, um prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA).

O artista foi professor durante 20 anos na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo, de 1977 a 1997, quando teve grande relevância na formação de diversas gerações de artistas. Em 1997, ele se mudou para o Rio de Janeiro  e coordenou o curso básico da Escola de Artes Visuais do Parque Lage – EAV/Parque Lage até o ano seguinte. Como informado pelo site do Itaú Cultural, a partir dos anos 2000, o trabalho de Leirner se apropriou de imagens artísticas banalizadas pela sociedade de consumo: “De maneira bem-humorada, lida com as reproduções da Gioconda [Mona Lisa] (1503/1506), de Leonardo da Vinci (1452-1519), e a Fonte (1917), de Marcel Duchamp (1887-1968), como tema artístico. Com a mesma ironia, o artista replica sobre couro de boi imagens da tradição concreta brasileira, na série ‘Construtivismo Rural'”.

Frase do artista, compartilhada pela Enciclopédia Itaú Cultural:

“Toda arte é provocadora. A sociedade e a instituição aprenderam a desmitificar o artista, consumindo o que ele faz. Não fazer concessão estética é o que me coloca, ainda, perante a sociedade, nesse tipo de redoma, da contestação”.

Você pode conferir abaixo o vídeo “Voando pra Pegar o Pássaro debaixo do Braço”, produzido pela Matrioska Filmes com exclusividade para o PIPA. Nele, Nelson fala sobre o projeto que teve de fazer uma réplica de uma de suas obras, a “Homenagem a Fontana”, um dos mais conhecidos trabalhos da Pop Art brasileira, para uma mostra no MAM-Rio composta por treze obras, todas danificadas pelo incêndio que atingiu o museu no fim dos anos 70. Além disso, Leirner também traz, no vídeo, um pouco de sua perspectiva crítica sobre o sistema da arte:

Confira, abaixo, algumas de suas obras:



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