“O MoMA e os novos caminhos de curadoria”: ouça o novo episódio do podcast e veja as referências e recomendações

O terceiro episódio do Podcast do PIPA, “O MoMA e os novos caminhos de curadoria”, já está disponível! 

O que representa a mudança de narrativa de uma instituição de arte moderna? 

O Museum of Modern Art (MoMA), referência em arte moderna e um dos museus mais visitados do mundo, apresentou grandes mudanças em seu projeto de curadoria em 2019. No total, foram investidos US$ 450 milhões nessas transformações, que resultaram na expansão de áreas de convivência e em uma nova disposição dos trabalhos artísticos. 

Baseado no texto “O MoMA caiu na real”, de Luiz Camillo Osorio, conversamos com o curador neste terceiro episódio sobre essas diferenças na curadoria do museu norte-americano e as razões que levam, hoje, as instituições a repensarem a maneira de contar a história da arte moderna. 

Como explicado no primeiro post de Recomendações e Referências, durante as conversas com os convidados, alguns termos, nomes de trabalhos e obras, exposições, livros e outras referências são citadas. Para que os ouvintes possam acompanhar o que é dito, será publicado juntamente com cada episódio do podcast um post com as menções feitas no áudio. Além disso, os convidados também podem indicar materiais de leitura e reflexão relacionados aos temas debatidos para que os interessados possam se aprofundar nos assuntos. 

Ouça agora o terceiro episódio do podcast clicando aqui ou acesse nas plataformas de streaming, como Spotify e Apple podcast, além do nosso canal Prêmio PIPA no Youtube.

R E F E R Ê N C I A S

  • “O banhista”, de Cézanne

Na década de 1870, Cézanne começou a retratar cenas de banhistas em que grupos de homens e mulheres relaxavam, nadavam e ficavam em volta da água, como explicado pelo site do MoMA. O portal ainda descreve que a figura desta obra é um homem jovem que, em comparação aos corpos musculosos e às proporções idealizadas da pintura acadêmica, parece desajeitado. 

  • Les Demoiselles d’Avignon, de Picasso

Uma das mais famosas de Picasso, a pintura de 1907, óleo sobre tela, “Senhoritas de Avignon”, é considerada um marco do Cubismo e uma revolução na arte moderna. A importância da obra que retrata cinco mulheres nuas e desfiguradas se relaciona com a quebra da perspectiva tradicional na pintura e da composição, pelo abandono da preocupação com o que era visto como belo e das proporções, dando origem a personagens compostas por planos achatados. Não há planos ordenados, com noções como “longe” e “perto” bem definidas, e, ao mesmo tempo em que os olhos de algumas figuras são vistos de frente, seus narizes são vistos de lado. São reconhecidos no quadro, também, elementos inspirados pelas máscaras africanas e por esculturas ibéricas. Quanto ao título, “Avignon” se refere a uma rua em Barcelona que era famosa por seu bordel, e as “Demoiselles” são as prostitutas.  

  • “American People Series #20: Die”, por Faith Ringgold

O quadro de 1967 aborda as relações de raça vigentes nos Estados Unidos nos anos 60. A pintura, que tem tamanho de mural, é a última da série e retrata as manifestações que estavam se espalhando pelo país, como explicado pelo portal do MoMA, que escreve: “Na tela, sangue espirra uniformemente em um grupo interracial de homens, mulheres e crianças, sugerindo que ninguém está livre desse problema”. Ainda segundo o site do museu, as roupas das figuras, semi-formais ou de negócios, dão a entender que uma classe profissional abastada está sendo responsabilizada na cena de caos violento. Há também a representação do medo do futuro por meio das crianças se abraçando assustadas perto do centro do quadro, pois a artista temia que a violência de raça continuaria crescendo no futuro. Quanto a influências, a escala, a composição e o fundo abstrato fazem referência explícita ao “Guernica”, de Picasso, obra sobre as tragédias da guerra que foi estudada por Ringgold enquanto a pintura estava emprestada ao MoMA, de 1939 a 1981. 

  • Louise Bourgeois

Foi uma artista nascida em Paris, em 1911, criada por pais que tocavam um negócio de restauração de tapeçaria. Inicialmente, Bourgeois trabalhava com pintura e com gravura, tendo se voltado para a escultura apenas no final dos anos 40, e a carreira da artista teve, ainda, intervalos na produção quando ela foi imergindo na psicanálise. Louise alternava entre formas, materiais, escala, figuração e abstração, enquanto abordava temas recorrentes: solidão, ciúmes, raiva e medo. Ela usava a arte como forma de lidar com eventos traumáticos de sua infância e com sentimentos difíceis, como uma terapia. Isso fica evidente em sua famosa frase “Art is a guarantee of sanity” (Arte é uma garantia de sanidade). Suas criações mais famosas envolvem esculturas de aranhas enormes, cujo um dos significados é a figura maternal, feminina, protetora, e que, no caso da mãe de Louise, era tecelã, assim como uma aranha. A artista morreu em 2010 em Nova York, aos 98 anos. 

Foto: Rodrigo W. Blum

  • MoMA PS1

O MoMA PS1 é descrito, em seu próprio portal, como um lugar que “apresenta a arte atual mais experimental e instigante. Fundado em 1971, é o primeiro centro de arte sem fins lucrativos nos Estados Unidos voltado somente para arte contemporânea”. Um dos seus objetivos é estimular o debate da arte atual, sendo dedicado à apresentação, produção, interpretação e disseminação do trabalho de artistas inovadores, fomentando a criatividade e a exploração artística desinibida. 

  • Pompidou na Oca:

Em outubro de 2001, ocorreu a exposição “Parade” no Pavilhão Lucas Nogueira Garcez (Oca), no Parque Ibirapuera, em São Paulo, com obras vindas do Centro Pompidou, de Paris. Algumas destas, mencionadas por Camillo no episódio, foram:

  • “Viagem à Lua”, de George Méliès

Chamado “Le Voyage dans la lune” no título original, o “Viagem à Lua” é um curta-metragem de 1902 do diretor francês George Méliès. O filme de 14 minutos é considerado o primeiro do gênero ficção científica, e é inspirado no livro “Da Terra à Lua” (1865), de Júlio Verne; nas ilustrações de “Voyage Dans la Lune Avant 1900”, por A. de Ville d’Avray, em que a lua tem uma face humana; e os extraterrestres têm influência das criaturas na capa do livro “Os primeiros homens da lua”, de H. G. Wells. O curta acompanha astronautas em sua viagem à lua por meio de uma cápsula que é disparada por um canhão, indo da Terra à superfície lunar. Ele se tornou um clássico do cinema mudo e apresentou técnicas inovadoras para o fazer cinematográfico. 

  • “A fonte”, de Duchamp

Essa obra foi abordada no post de Recomendações e Referências do primeiro episódio do podcast. Você pode ler sobre ela aqui.

  • Monumento à Terceira Internacional, de Tatlin

Vladimir Tatlin (1885-1953), arquiteto e pintor soviético, criou um projeto para um monumento em homenagem à Terceira Internacional, cujo principal objetivo era criar uma União Mundial de Repúblicas Socialistas Soviéticas. O projeto, criado entre 1919 e 1920, também ficou conhecido como “Torre de Tatlin” e foi inspirado na Torre Eiffel, mas, por ser muito custoso e complexo, apenas modelos em menor escala foram construídos, mas nunca o monumento em si. Os materiais empregados eram vidro, ferro e madeira, comuns de um ambiente industrializado, do cotidiano. Os princípios de Tatlin, que envolviam uma ideia da arte como construção, e não como representação, deram origem ao Construtivismo.

R E C O M E N D A Ç Õ E S

Texto “The New MoMA is here. Get ready for change”, de Jason Farago para o The New York Times (leia aqui)

Texto crítico “With a $450 Million Expansion, MoMA Is Bigger. Is That Better?”, de 

Artigo sobre a renovação do MoMA, escrito por Helen Molesworth (leia aqui)

Livro “Alfred Barr Jr and the Intellectual origins of the Museum of Modern Art”, de Sybil Kantor, publicado pela MIT Press



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