Últimas semanas de “Jardim do Éden”, de Patrizia D’Angello

(Rio de Janeiro, RJ)

No próximo sábado, dia 14 de dezembro, a exposição “Jardim do Éden”, da artista Patrizia D’Angello, será inaugurada na Galeria do Lago, no Museu da República. A mostra conta com 25 pinturas recentes e inéditas, cujo conceito foi pensado a partir dos numerosos banquetes feitos no Palácio do Catete, que foi sede do Governo Federal entre 1896 e 1960. A mostra fica em cartaz até 15 de março.

O trabalho foi fruto de muita pesquisa: a artista se debruçou sobre o acervo do Museu, nos documentos relacionados ao tema, como uma coleção de convites e menus das recepções realizadas ali, assim como fotos, vasos, pratarias e mobiliário pertencentes ao Palácio do Catete, elementos que aparecem nas obras juntamente com o repertório poético da artista. O trabalho de Patrizia sempre foi permeado pela comida, ela que é de família italiana e que cresceu tendo encontros ao redor da mesa; e também por questões do feminino e do feminismo, com humor e com referências da Pop Art e da Tropicália. Sobre tais questões, a artista explica: “Retrato mulheres insurgentes e empoderadas a debochar desse mundo constituído sob valores alheios e desfavoráveis, piqueniques, mesas, comidas, doces, vasos e ornamentos onde tudo parece estar onde deveria estar exceto pelo fato de que essa afirmação resvala numa bem humorada crítica”.

Na pintura “Jardim do Éden”, que dá nome à exposição, a artista relaciona, ao mesmo tempo, como explica o release da mostra, “a idealização, a objetificação, a exploração e toda uma narrativa milenar escrita por homens sobre o que foi e qual deve ser o papel da mulher”. Na obra, é retratado um piquenique feito sobre uma canga com a imagem de “O nascimento da Vênus”, famoso quadro de Botticelli do renascimento que é uma dentre muitas imagens de idealização da mulher na História da Arte. Em “Jardim do Éden”, a Vênus serve de base para o piquenique, no qual sobre seu corpo é servida a comida e perto de seu peito está uma faca.

As obras expostas fazem críticas de forma bem humorada e sutil. O título dos trabalhos, por exemplo, traz novos sentidos, pois muitas vezes remetem a questões que não estão diretamente presentes nas imagens. Um desses casos é a “Canavial”, que retrata um açucareiro de prata, remetendo à riqueza, e que, com o título, relembra a exploração e a escravidão. Por isso, à primeira vista o que se percebe são imagens belas, mas diversas camadas vão aparecendo conforme a observação, e a curadora Isabel Portella explica: “Se o feminismo, a sensualidade erótico-sensorial, o patriarcado, a exploração são questões que interessam à artista explorar, ela o faz com humor, numa crítica que expõe engrenagens perversas e desnuda atitudes machistas, sem perder a doçura”.

“Jardim do Éden”, individual de Patrizia D’Angello
De 15 de dezembro a 15 de março

Galeria do Lago, Museu da República
Rua do Catete, 153, Catete – Rio de Janeiro
De terça a sexta, das 10h às 17h. Sábados, domingos e feriados, das 11h às 18h.
Telefone: (21) 2127.0324



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