“Conversa com Aleta Valente”: ouça o novo episódio do podcast e veja as referências

O quarto episódio doPodcast do PIPA, “Conversa com Aleta Valente”, já está disponível!

“Todo mundo que tem uma persona online está criando uma ficção de si mesmo”. 

Neste quarto episódio do Podcast do PIPA, conversamos com a artista Aleta Valente, ou “Ex-miss Febem”, como é conhecida nas redes sociais. Indicada ao PIPA 2017 e 2019, Aleta usa o Instagram desde 2015 para divulgar autoimagens, fotos produzidas pela artista em que ela se autorrepresenta. 

Durante as conversas com os convidados, alguns termos, nomes de trabalhos e obras, exposições, livros e outras referências são citadas. Para que os ouvintes possam acompanhar o que é dito, é publicado juntamente com cada episódio do podcast um post com as menções feitas no áudio. Além disso, os convidados também podem indicar materiais de leitura e reflexão relacionados aos temas debatidos para que os interessados possam se aprofundar nos assuntos.

Ouça agora o quarto episódio do podcast clicando aqui ou acesse nas plataformas de streaming, como Spotify e Apple podcast, além do nosso canal Prêmio PIPA no Youtube.

R E F E R Ê N C I A S

  • Ex-Miss Febem 

Durante a conversa, Aleta explica porque escolheu o nickname “Ex-Miss Febem” e conta de onde tirou o nome: essa expressão é usada na música “Katia Flávia”, uma parceria de 1987 entre o cantor Fausto Fawcett e o baixista Carlos Laufer. A música conta a história de uma mulher nascida no bairro de Irajá e considerada desejável e perigosa. A canção foi tomada como representativa do momento que o Brasil vivia, quando estava começando a acontecer uma abertura política pós Ditadura Militar. Assim, passava a se tornar comum a temática do sexo. Além disso, Katia Flávia também representava aquele tempo por incorporar, em sua letra, referências a armas de guerra, como o míssil Exocet, muito presentes nos noticiários da época. 

Ex miss Febem, encarnação do mundo cão, casada com um figurão contravenção”. 

  • Panóptico 

O termo é resgatado pelo filósofo francês Michel Foucault no livro “Vigiar e Punir”, de 1975, mas tem origem na ideia desenvolvida no fim do século XVIII pelo inglês Jeremy Bentham. Bentham criou um modelo prisional ao qual deu o nome de panóptico: composto pelo grego “pan”, que significa todos, e “optikós”, que é visão. Esse modelo consiste em uma torre posicionada no centro do pátio da prisão, de onde os vigias ficariam para monitorar os presos nas celas construídas ao redor. A questão central desse modelo é o fato dos detentos não terem conhecimento de quando estão ou não sendo vigiados pelos sentinelas, e essa dúvida criaria nos presos um impulso por disciplina, uma coerção interna. A perfeição do sistema consistiria justamente nos presos serem vigiados a todo momento ou, caso não estivessem sendo vigiados, que mecanismos instituídos os fizessem acreditar na possibilidade de ainda estarem sendo. Esse formato confere ao vigilante total visibilidade e nenhuma ao vigiado. 

Reprodução/Penitenciária da Ilha dos Pinheiros, em Cuba, construída em 1928

  • Adoro Farm

Adoro Farm é uma obra de Aleta que faz referência ao username da marca de roupas carioca, Farm. Durante o podcast, a artista explica a história por trás da foto, que satiriza o nome da marca relacionando-o com sua tradução: fazenda. Assim, Aleta simula estar comendo grama para imitar os animais da fazenda. 

  • Ascensão Social

Como dito pela artista na conversa, essa obra engloba muitas camadas de análise. Na foto, Aleta aparece subindo uma escada e vestindo um biquíni, com a intenção de representar justamente a escalada da ascensão social, ao mesmo tempo em que satiriza a objetificação do corpo feminino. A artista também brinca com a ideia de fazer uma pose supostamente sensual, mas em um contexto sem glamourização. 

  • Material Girl

Nesta obra, Aleta aparece agachada posando em cima de uma pilha de material de construção, assim ressignificando a ideia do termo em inglês “material girl”, que diz respeito a mulheres materialistas, consumistas. No episódio, a artista explica como o material de construção era, também, representativo do momento político que o Brasil estava vivendo.

  • Cambridge Analytica 

Foi uma empresa criada em 2013 que ofereceu um serviço de análise de dados para fins comerciais ou políticos. Entre seus clientes, estava Donald Trump. A empresa se envolveu em um escândalo de vazamento de dados que foi exposto pelos jornais The Guardian e The New York Times: os veículos revelaram que até 50 milhões de norte-americanos tiveram seus dados pessoais coletados irregularmente do Facebook e empregados de forma imprópria para objetivos eleitorais. Como informado pelo portal jornalístico El País, a empresa Facebook “se viu obrigada a revisar suas condições de privacidade e a gestão das informações pessoais que os usuários colocam na rede social”. Christopher Wylie, o ex-diretor de tecnologia da Cambridge Analytica, ainda segundo o El País, “denunciou que a informação obtida foi usada para traçar perfis de eleitores e lhes dirigir propaganda política personalizada e notícias falsas. Isso lhes permitiu, segundo Wylie, influenciar nas eleições norte-americanas”. 

  • Bolsa Zum

A Bolsa de Fotografia ZUM/IMS premia, todo ano, dois projetos inéditos desenvolvidos por artistas brasileiros ou estrangeiros residentes no Brasil. De acordo com o site do Instituto Moreira Salles, responsável pelo prêmio, “o objetivo da Bolsa é permitir que fotógrafos desenvolvam e aprofundem sua produção no campo da fotografia, nas mais variadas vertentes, temas e suportes”. Aleta foi uma das vencedoras de 2019, e seu projeto a ser executado, chamado “Avenida Brasil 24h”, é descrito no site da bolsa como: “um processo imersivo nos motéis da Avenida Brasil para produzir uma série fotográfica que procura tornar explícitas as relações entre corpo e cidade, repouso e movimento, vida e morte ao longo da via expressa mais importante da cidade do Rio de Janeiro”. O projeto terá como resultado final uma exposição pública ao longo da avenida.



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