Referências e Recomendações de “O que é Arte?”, o 1º Episódio do Podcast do PIPA

O Prêmio PIPA agora tem seu próprio podcast, que é lançado quinzenalmente nas plataformas de áudio. Durante as conversas com os convidados, alguns termos, nomes de obras de arte, exposições antigas, livros e também outras referências surgem. Para que os ouvintes possam acompanhar o que está sendo dito, será publicado juntamente com o episódio do podcast um post explicando as menções feitas no áudio. Além disso, os convidados também podem indicar materiais de leitura e reflexão relacionados aos temas debatidos para que o ouvinte possa se aprofundar nos assuntos. 

O primeiro convidado, estreando o Podcast do PIPA, é Luiz Camillo Osorio, curador do PrêmioInstituto PIPA e responsável por uma coluna de textos exclusivos aqui no site. A conversa com Camillo girou em torno da discussão “O que é arte?” e das mudanças nessa concepção ao decorrer das décadas.  

Você pode escutar o primeiro episódio aqui. 

 

R E F E R Ê N C I A S

 

  • Duchamp e seu ready-made: “A Fonte”

Os questionamentos sobre o que é arte foram intensificados por “A Fonte”, de Marcel Duchamp. Em 1917, o artista francês levou um urinol assinado como R. Mutt, um pseudônimo, para uma exposição da Associação dos Artistas Independentes de Nova York. 

O urinol de Duchamp integra a categoria chamada “ready-mades”, objetos já prontos e presentes no dia a dia que não têm valor estético, mas são colocados em espaços artísticos como obras de arte. Os “ready-mades” são uma expressão do Dadaísmo, movimento formado por artistas de diversas nacionalidades que eram contrários à participação de seus respectivos países na Primeira Guerra Mundial. O início do século XX foi palco para o surgimento de vanguardas artísticas por conta das transformações que a Europa estava presenciando na época, e uma delas foi o Dadaísmo, um movimento de negação da racionalidade, já que os conhecimentos científicos e filosóficos não foram capazes de impedir a destruição e a guerra. A decepção com o racional gerou essa proposta de uma arte que fosse independente da lógica, sendo guiada pelo acaso e pelo que surgisse no psiquismo. Essa arte era a favor da desordem, do caos e do incoerente como forma de protestar a incapacidade da civilização da época de impossibilitar a guerra. Assim, os “ready-mades” de Duchamp expressavam a essência do Dadaísmo, pois a prática de pegar um objeto ao acaso e torná-lo arte é uma forma de criticar ferrenhamente o sistema da arte. Essa ação provoca reflexões sobre o questionamento “se está no museu, é arte?”, pois o ambiente das galerias tem um caráter legitimador, então até um objeto já pronto, do cotidiano, sem valor estético, pode ser tirado de seu contexto original e se tornar uma obra artística caso ganhe uma assinatura e seja colocado em um museu, por exemplo. 

  • Montanha Santa Vitória, por Cézanne

O monte “Ste-Victoire” fica nos arredores da cidade de Aix-en-Provence, na região de Provença, na França. Mais de mil metros da planície são tomados pelo monte, que foi alvo de grande interesse pelo pintor francês Cézanne. O artista começou a pintar Santa Vitória em 1870, e ao todo a pintou 87 vezes, tendo feito 44 pinturas a óleo e 43 aquarelas, de diversos ângulos. O artista continuou pintando a paisagem até a morte. Cézanne pintava não apenas em seu estúdio, que tinha vista para o monte, mas ao ar livre também – inclusive durante chuvas. 

Ao olhar para as obras sobre o monte, percebe-se que é o modo como as cores são empregadas o que dá definição às figuras, como a montanha e a vegetação. A diferença entre os tons faz com que se consiga distinguir a paisagem, pois há uma simplificação das formas que se intensificava a cada quadro pintado, então cada vez mais os elementos da pintura se tornavam menos explícitos, ou seja, menos realistas, e se aproximavam de uma essência. 

  • Forensic Architecture 

Forensic Architecture é uma agência de pesquisa cuja base fica na Goldsmiths, University of London. Ela realiza investigações avançadas espaciais e de mídia em casos de violações dos direitos humanos, com e em nome de comunidades afetadas pela violência policial, organizações de direitos humanos, promotores internacionais, grupos de justiça ambiental, e organizações de mídia. O nome “Forensic Architecture” diz respeito a um campo acadêmico emergente que foi desenvolvido na Goldsmiths e que se refere à produção e apresentação de evidência arquitetônica – relacionada a prédios, ambientes urbanos – dentro de processos legais e políticos. A agência investiga violência estatal e corporativa, violações dos direitos humanos e destruições ambientais ao redor do mundo. O trabalho envolve, com frequência, investigações “open-source”, que conta com o exame preciso de material disponível publicamente, como imagens de satélite e base de dados online; a construção de modelos digitais e físicos; animações 3D; ambientes de realidade virtual e plataformas cartográficas. Dentro desses ambientes, são localizadas e analisadas fotografias, vídeos, arquivos de áudio e testemunhos para reconstruir e analisar eventos violentos. Os modelos digitais também são usados como ferramentas para entrevistar sobreviventes de violência, encontrando novas formas de acessar e explorar memórias de trauma. Em resumo, o objetivo do Forensic Architecture é desenvolver, disseminar e empregar novas técnicas para a coleta de evidências e apresentação ao serviço dos direitos humanos e de investigações ambientais e no suporte de comunidades expostas às perseguição e violência estatal. Todas as informações foram tiradas do site da agência, traduzidas do inglês.  

  • Turner Prize 

O Turner Prize (“Prêmio Turner”) é um prêmio concedido anualmente para artistas britânicos de artes visuais, e sua primeira versão ocorreu em 1984. O valor do prêmio é de £40,000 no total, sendo que £25,000 vão para o vencedor e £5,000 para cada um dos outros 3 artistas selecionados. A escolha dos 4 é feita pelos jurados a partir de sua própria lista de indicações, mas também pela lista de artistas nomeados pelo público, através do site do Tate. 

O nome “Turner Prize” vem do artista do século XIX, J.M.W Turner, que era uma figura encarada como inovadora e controversa em sua época, e hoje ele é considerado um dos maiores artistas britânicos, e ele mesmo já quis estabelecer um prêmio para jovens artistas. O prêmio foi fundado por um grupo chamado “Patrons of New Art” (Patronos da Nova Arte), com a intenção de encorajar um maior interesse na arte contemporânea e ajudar o Tate a adquirir novas obras. O grupo pensava que a Grã Bretanha deveria ter seu próprio prêmio de artes visuais, um equivalente do Booker Prize (prêmio literário britânico). 

Quanto a ser concedido para um artista britânico, isso significa artistas que nasceram na Grã Bretanha ou residentes na ilha. Além disso, o Tate seleciona um novo painel de jurados todo ano. Este é composto por diretores de galerias, curadores, críticos e escritores, e pelo menos um membro é estrangeiro, visando equilibrar aqueles que focam na arte britânica ou que trabalham na Grã Bretanha, com aqueles que vêem a arte britânica a partir de um contexto mais amplo. Sempre é uma celebridade que apresenta o Turner Prize, e alguns dos apresentadores anteriores incluem Richard Attenborough, Paul Smith, Nick Cave, Yoko Ono, Mario Testino e Madonna. 

Todas as informações foram tiradas do site original do Turner Prize, em inglês.

  • Goldsmiths Prize 

O Goldsmiths Prize (Prêmio Goldsmiths) foi estabelecido em 2013 para celebrar as qualidades da ousadia criativa associada com a Universidade de Londres e para premiar ficção que foge ao convencional ou que estende as possibilidades do romance. Seis livros são selecionados e o prêmio é concedido anualmente no valor de £10,000 a um livro que é considerado genuinamente um romance e que incorpora o espírito de invenção que caracteriza o melhor do gênero. Assim, o Goldsmiths Prize busca encorajar e premiar escritores que fazem melhor uso dos muitos recursos e possibilidades do romance e estimular um debate mais amplo sobre ficção. Para contribuir com esse debate, o Goldsmiths Writers’ Centre (Centro de Escritores Goldsmiths) sedia uma série de eventos relacionados ao prêmio a cada ano, incluindo leituras de romancistas contemporâneos aclamados pela crítica e dos escritores selecionados. Os romances enviados para concorrer devem ser escritos em inglês por autores que residem no Reino Unido (Grã Bretanha e Irlanda do Norte) ou na República da Irlanda há pelo menos três anos antes da data de inscrição para o prêmio, e devem ser publicados por uma editora estabelecida no Reino Unido. 

  • Goya e seus “diários da guerra”

Francisco de Goya y Lucientes, conhecido como Goya, era um pintor espanhol que nasceu em 1746 e morreu em 1828. Ele pintou “Los Desastre de la Guerra” (Os Desastres da Guerra), uma série de 82 gravuras realistas feitas entre 1810 e 1815 que retratam os horrores da invasão napoleônica e a resistência dos espanhóis, mostrando crueldades praticadas na época e consequências dos conflitos, como violência e miséria. Nesse período, Goya trabalhava como pintor da Corte para os franceses. 

“El tres de Mayo de 1808” ou “Los fusilamientos de Príncipe Pío”, 1814, Óleo sobre tela

  • Livro “After Art”, de David Joselit

Neste livro, David Joselit descreve como a arte e a arquitetura estão sofrendo transformações na era Google e reflete sobre como trabalhos de arte emergem da condição atual de sobrecarga de imagem.

  • Diderot 

Denis Diderot (1713 – 1784) foi um importante escritor, enciclopedista e filósofo francês, e é também considerado um dos grandes pensadores do Iluminismo. Ele foi responsável pela criação de uma enciclopédia que pretendia apresentar um panorama dos conhecimentos humanos, abordando as novas ideias em circulação no período. Questões das artes e das ciências eram trabalhadas como forma, também, de se posicionar contrariamente ao pensamento da Igreja e do Estado, e o trabalho contou com mais de 100 colaboradores, entre eles Montesquieu, Voltaire e Rousseau. Diderot também escrevia críticas de arte, peças de teatro, romances, comédias e novelas.

 

R E C O M E N D A Ç Õ E S

 

Materiais de aprofundamento recomendados por Luiz Camillo:

  • Livro “After Art”, de David Joselit
  • Texto “Kant depois de Duchamp”, de Thierry de Duve (disponível aqui)
  • Texto “O ator criador”, de Marcel Duchamp, disponível no livro “A nova arte”, organizado por Gregory Battcock


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