Últimos dias de “Educação pela pedra”, coletiva que parte do poema de João Cabral de Melo Neto

(Recife, PE)

A exposição “Educação pela pedra”, coletiva que conta com Jonathas de Andrade, Cinthia Marcelle, Agrippina R. Manhattan, Marcelo Moscheta, Oriana Duarte, Louise BotkayRandolpho Lamonier e Traplev, entre outros artistas, está em seus últimos dias. A mostra encontra-se, desde 04 de dezembro, na Galeria Vicente do Regô Monteiro, apresentada pela Fundação Joaquim Nabuco, e segue em cartaz até 26 de janeiro. O ponto de partida de “Educação pela pedra”, com curadoria de Moacir dos Anjos, é o poema de mesmo nome escrito por João Cabral de Melo Neto (1920-1999) e publicado em livro homônimo, em 1966.

Estão reunidos na mostra artistas nacionais e internacionais que se voltam às subjetividades do poema, aos “afetos que o poema parece querer mobilizar”, com a ideia de apresentar trabalhos que evoquem a singular experiência transformadora que o mineral promove, como acreditado pelo escritor João Cabral. Segundo o curador, a mostra exibe “uma arte que provoca erosão de certezas, que constrói destruindo, que aposta no que resulta de encontros improváveis entre coisas e corpos”.

O poema que norteia a exposição é curto, de apenas duas estrofes:

“Uma educação pela pedra: por lições;
para aprender da pedra, frequentá-la;
captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
ao que flui e a fluir, a ser maleada;
a de poética, sua carnadura concreta;
a de economia, seu adensar-se compacta:
lições de pedra (de fora para dentro,
cartilha muda), para quem soletrá-la.
*
Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
e se lecionasse não ensinaria nada;
lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
uma pedra de nascença, entranha a alma”.

Na mostra, há dois conjuntos diferentes de trabalhos e documentos: um que remete à pedra enquanto elemento físico – o mineral – ou como figura de linguagem, e outro que evoca as lições ensinadas pela pedra acerca das formas humanas de organizar-se em sociedade, como explicado no texto curatorial de Moacir dos Anjos. Ele destaca que os trabalhos expostos “mais mostram que provam”, apresentando uma arte “que importa, sobretudo, por instaurar uma pedagogia do desaprender; por, paradoxalmente, ‘deseducar’, ensinando qualquer um a examinar de novo o entorno que julgava ser já conhecido. Que deseja o que está por vir, o do que pouco ainda se sabe”.

“Educação pela pedra”, coletiva com diversos artistas
De 04 de dezembro de 2019 a 26 de janeiro de 2020

Fundação Joaquim Nabuco
Galeria Vicente do Rego Monteiro
Rua Henrique Dias, 609 – Derby, Recife – PE
Entrada gratuita



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