Encontro ocorrido há 17 anos inspira nova individual de Joana Cesar

(Rio de Janeiro, RJ)

Apesar dos carros em movimento, um homem cruza a rua. Usa um chapéu feito de caixa de papelão, moletom roxo, calça jeans mijada, mochila com estampa infantil, uma sandália plataforma diferente em cada pé. Com uma corda, arrasta um galão vazio de plástico. Intrigada, a artista Joana Cesar resolve segui-lo. Salta do carro, saca a câmera. Filma aquele que, ela descobre, chama-se José Carlos Telefônica Mundial. Até que, em determinado momento, Mundial para, senta-se no galão, e tira um espelho do bolso. Encara o mundo através do objeto: o entorno, os ônibus, a rua.

A cena marcou, ainda que de maneira inconsciente, a indicada ao Prêmio PIPA 2015. Tanto que, há mais ou menos dois anos, andando pelo local do acontecimento, ela sentiu uma sensação estranha. Começou a fazer diariamente o mesmo percurso, o trajeto de um quilômetro entre o Jardim Botânico e Jockey Clube, em busca de respostas. Apelidou-o de “ponte”, já que, uma grande reta, o caminho tem a função de ligar os dois bairros: “As pessoas usam aquele trajeto para cruzar de um lugar a outro, como uma ponte”, explica.

Foi só depois de muito tempo, e cerca de 20 obras inéditas inspiradas no trajeto, que Joana lembrou-se do acontecido com o morador de rua. Uma outra ponte se materializava: a da artista com os próprios registros, realizados há 17 anos atrás. Nascia, então, “A ponte (onde ele disse que eu não posso ir)”, que Joana inaugura nesta quinta-feira, 27 de abril, na Galeria Athena Contemporânea. Apresentando colagens, fotografias e vídeos, a exposição faz uma espécie de “mapeamento” afetivo da via entre Gávea e Jardim Botânico.

Para o curador da mostra, Germano Dushá, trata-se de obras que existem por vias objetivas e outras, menos claras. Em ambos os casos, “fica marcada a autonomia da artista em suas andanças, e suas relações mais intensas com a imaginação possível, a fantasia extravagante, impregnada na rua. São ações que dão conta do momento em que o acontecimento, o evento, se abre para quem quiser o perceber”, afirma.

Confira abaixo algumas das obras que fazem parte de “A ponte (onde ele disse que eu não posso ir)”:

“A ponte (onde ele disse que eu não posso ir)”, individual de Joana Cesar
Curadoria de Germano Dushá

Em cartaz de 28 de abril a 17 de junho
Abertura: Quinta-feira, 27 de abril, às 19h

Galeria Athena Contemporânea
Av. Atlântica, 4240, 210/211(Shopping Cassino Atlântico) – Copacabana
Funcionamento: seg – sex, 11h às 19h; sáb, 12h às 18h
T: (21) 2513-0703
www.athenacontemporanea.com



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