Camden Sentido e PIPA – Alexandre Vogler e Arthur Scovino

O Instituto PIPA, em parceria com Camden Sentido, exibe uma mostra de vídeos online, com curadoria de Luiz Camillo Osorio, com o tema “Brasil, um país, muitos mundos”. Dez artistas foram selecionados e seus trabalhos estão sendo exibidos em pares de acordo com o tópico descrito abaixo por Camillo. Os vídeos selecionados para a mostra, exclusiva em nosso site, poderão ser vistos entre junho e outubro.

O terceiro vídeo irá mostrar os trabalhos “Base para unhas fracas” de Alexandre Vogler e “Recanto dos Aflitos, de Arthur Scovino


‘Brasil, um país, muitos mundos’

“Ser um país continental onde coabitam megalópoles como São Paulo e florestas como a amazônica, misturar religiões e etnias, fundir cozinhas e peles, fazer conviver, aos trancos e barrancos, ameríndios e japoneses, negros, pardos e brancos, ser simultaneamente pós-tudo e medieval, faz do Brasil um caldeirão de mundos. Em um momento crítico, no qual o abismo cresceu, cabe aos artistas ser uma voz de atrito e resistência. Um pouco disso aparecerá nessa seleção de artistas, onde todas as geografias se fazem presente e as muitas sensibilidades entram em combustão. Para ganharmos alguma objetividade na determinação das duplas – mantendo a questão de um país, vários mundos e a composição diversidade/adversidade – selecionamos quatro referências conceituais que irão balizar o diálogo entre as duplas. 1: pós-colonialidade e altermodernidade; 2 – religião e política; 3 – tropicalismo e gênero; 4 – conflitos sociais em uma sociedade fraturada.”


Alexandre Vogler “Base para unhas fracas”, 2010. Duração: 9’11”.

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Arthur Scovino “Recanto dos Aflitos”, 2014. Duração: 5’00”.


Introdução de Luiz Camillo Osorio.

“Os videos “Base para unhas fracas” de Alexandre Vogler e “Recanto dos aflitos” de Arthur Scovino, mostram ritmos contrastantes de um mesmo país: a urgência de uma cidade desencontrada de seu tempo e a lentidão expandida de uma natureza exuberante. Vogler vê na cidade, na região central e antiga do Rio de Janeiro, um espaço de conflitos escondidos. Seus cartazes lambe-lambe, como tantos outros anônimos espalhados pelos muros da cidade anunciando espetáculos e consumo, desconcertam pela forma como explicitam o que normalmente se esconde. O erótico se entrega junto à fragilidade, na contramão das convenções do bom gosto. A mulher nua que anda pela cidade espalhando os cartazes, deixa de ser objeto do desejo alheio e se assume como sujeito de sua própria deriva noturna.
A natureza tropical pode ser um dos clichês mais óbvios do Brasil. Entretanto no video de Scovino, ela passa a ser lugar de uma metamorfose de formas e cores. O tempo que vai se desenrolando na tela resiste à produtividade cotidiana e é pura doação de beleza. Uma beleza gratuita e que só visa a experiência de se estar diante dela. Não é uma natureza domesticada, é vida que se transforma. Estes dois vídeos de Vogler e Scovino mostram um Brasil de contrastes que não cabe nos clichês”.

Luiz Camillo Osorio (Curador do Instituto PIPA, ex curador chefe do MAM-­Rio e Diretor do departamento de filosofia da PUC-­Rio)).


Alexandre Vogler, artista plástico que há 15 anos desenvolve trabalhos em contexto público e sistemas de comunicação, individualmente ou ligado a coletivos artísticos.Professor do Instituto de Artes da UERJ e Mestre em Linguagens Visuais, Pós-EBA/UFRJ (Rio de Janeiro, RJ). Organizou o coletivo Atrocidades Maravilhosas (2000). Recentemente dirigiu o curta metragem “Base para Unhas Fracas” (35mm, 2011) e dirigiu o espetáculo “Aplique de Carne” (2013).Participou recentemente das mostras X Bienal do Mercosul (Porto Alegre, RS, 2015), “Capacete” (Portikus. Frankfurt, Alemanha, 2013); “RUA” (MUKA, Antuérpia, Bélgica, 2011); “Flying Down to Earth” (MARCO, Vigo, Espanha, 2010); X Bienal de Havana (Cuba, 2009) e as individuais “Base / Tridente NI” (Centro Cultural São Paulo, SP, 2009) e “Abre Caminho” (Galeria A Gentil Carioca, Rio de Janeiro, RJ, 2007) Trabalhou como artista residente na Cidade do Porto, Portugal, em 2000 e Amsterdam – Flat Residency, Holanda, em 2011.

Nascido na região metropolitana do Rio de Janeiro, RJ, Arthur Scovino mudou-se para Salvador, BA, em 2008 para estudar na Escola de Belas Artes da UFBA. Desde então, desenvolve suas pesquisas artísticas em torno do ambiente, da cultura e das relações afetivas e sociais na Bahia, sobretudo em Salvador.Trabalha com performance, instalação, fotografia, vídeo e desenho. Investiga estética e pensamento artísticos contemporâneos através de ações performáticas e relacionais. Atualmente investiga símbolos do imaginário religioso e da miscigenação brasileira.Em 2013 recebeu o prêmio do Salão de Artes Visuais da Bahia e em 2014 participou da 3ª Bienal da Bahia e da 31ª Bienal de São Paulo.

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O Instituto PIPA, em parceria com Camden Sentido, exibe uma mostra de vídeos online, com curadoria de Luiz Camillo Osorio, com o tema “Brasil, um país, muitos mundos”. Os vídeos, exclusivos para nosso site, poderão ser vistos entre junho e outubro. Veja a programação completa.

Camden Sentido é um programa anual de artes organizado pela Borough of Camden, Londres. Para coincidir com os Jogos Para/Olímpicos de 2016 e o São Paulo Arte Bienal, este ano Camden irá destacar todas as coisas do Brasil unindo o espírito do Brasil com o espírito de Camden através dos sons, cheiros, gostos, visões e sentimentos que os conectam. Camden Market será a casa de um programa central que inclui performances, shows, palestras, exposições e workshops de parceiros, incluindo Central Saint Martins, Wembley ao Soweto Foundation, Mais Um Disco, Paredes em Paredes, Argent e Camden Tour Guides. Camden Sentido também irá produzir projetos em parceria com Roundhouse, Latitude, PIPA e a Frieze de Londres.

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