Rommulo Vieira Conceição em cartaz na coletiva “In Tandem”

(Porto Alegre, RS)

Rommulo Vieira Conceição participa da coletiva “In Tandem”, no Espaço Cultural – ESPM/RS, junto com os artistas Fernando Bakos, Ío, Jander Rama, Marcela Morado, Mariana Silva da Silva, Ricardo Moreno e Sandra Rey.

Texto de Sandra Rey

Esta exposição se respalda na coerência interna ao processo de criação de cada artista e na relação entre produção artística e uma perspectiva de investigação no campo teórico.

As obras expostas não são resultantes de técnicas pensadas como sistemas fechados que predeterminam a criação, nem se organizam por um conceito ou tema que as uniformizem. Muito pelo contrário, dizem respeito a temas e conceitos diversos, resultam de procedimentos cruzados que buscam responder com maior eficácia aos pensamentos, ideias e conceitos que cada artista aspira colocar em trabalho através da criação de um objeto antes inexistente.

A expressão colocar em trabalho é cara à pesquisa em arte. Daí o título da exposição “In Tandem” que evoca duas coisas operando juntas, muito articuladas, uma impulsionando a outra. Na língua inglesa “In Tandem” indica duas peças de equipamentos — ou pessoas — trabalhando juntos, muito perto, e especialmente bem.

“In Tandem”, assim pensamos a articulação do fazer na arte (processo investigativo de colocar em forma, de dar forma) com estudos no campo teórico. Assim se intercalam, se aliam e, principalmente, se impulsionam, experiência e experimentação no contexto dos projetos de Poéticas Visuais, uma vez que a pesquisa (em arte) funda seus alicerces na noção de experiência.

Se na vida a noção de experiência tem como base o conhecimento empírico do que os acontecimentos ou objetos representam, na arte, é preciso aprender a lidar com a ambivalência da qual a experiência estética é dotada: ao mesmo tempo experiência direta — perceptiva, sensível — do mundo, e experimentação, isto é construção das condições para explorar o mundo. O objeto de arte expõe o funcionamento dessa ambivalência, em ação.

Digamos que os artistas desenvolvem a capacidade de agenciar um processo pessoal a partir da maneira como se sentem afetados pelos acontecimentos ou objetos, e isso passa a constituir um campo exploratório que dará existência ao objeto de arte. A constituição do campo exploratório, com seu recorte referencial, suas implicações procedurais e conceituais, é o que constitui o objeto dos projetos de pesquisa em Poéticas Visuais.

O trabalho da arte é instauração, isto é, processo de formação, invenção de novas maneiras de trazer à consciência, sensações e emoções percebidas; sensações essas que não se pode alcançar exclusivamente através do pensamento racional e discursivo.

A matéria prima da arte é a instabilidade proveniente do impacto que o artista recebe do mundo e daquilo que percebe como real. O trabalho da arte, longe de o reduzir — o real — busca colocá-la em forma e, assim fazendo, amplificá-lo.

Veja algumas obras anteriores de Romulo Vieira Conceição:



“In Tandem”, com Romulo Vieira Conceição
Em cartaz até 11 de abril
De segunda a sexta-feira, das 8h às 22h, e sábado, das 9h às 15h

Espaço Cultural – ESPM/RS
Rua Guilherme Schell, 268



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