Berna Reale é apontada como investimento de galeria paulista pela revista Valor Econômico

O jornal Valor Econômico publicou essa semana matéria sobre as estratégias existentes dentro do mercado da arte, dando destaque ao investimento da Galeria Millan para dar continuidade ao crescimento da artista Berna Reale.

O marchand André Millan afirma em entrevista que optou por “seguir uma curva ascendente” ao apostar em Berna Reale. A parceria, que existe desde 2013, rendeu bons frutos, tanto para a artista, quanto para a galeria. Berna integrará o pavilhão brasileiro na Bienal de Veneza, em maio. Recentemente, a Galeria Milan também recebeu a primeira mostra individual da performer, “Vapor”, que exibiu seis vídeos que registram performances de Berna em Belém (PA), além de uma série de fotografias de grandes dimensões.

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Sobre a artista

Texto de Catarina Schedel, coordenadora do PIPA, escrito em 2014 próximo ao anúncio da indicação da artista a quinta edição do Prêmio:

“Trabalhando como perita criminal do Centro de Perícias Científicas do Estado do Pará, Berna vive de perto as mais diversas questões de delito e conflitos sociais. Em sua obra, a artista reflete sobre o mundo e a vulnerabilidade humana, tendo na violência seu grande foco de atenção. ‘Não só pelo trabalho que eu faço como perita, mas como cidadã mesmo, me incomoda muito a questão do ser humano não se ver no outro, se desconhecer no outro. E o que me assusta é que a violência se torne intima. A violência não pode nos ser intima.’

Realizadora de performances de incontestável tom politico pensadas com o objetivo de criar um ruído provocador de reflexão, Reale se utiliza de objetos e artifícios nada convencionais, e até mesmo perturbadores, para produzir seus trabalhos. Em performance intitulada ‘Ordinário’, por exemplo, carrega 344 ossos de 40 esqueletos de vítimas de homicídio, numa espécie de carrinho de mão, pelas ruas da cidade, fazendo uma denuncia sobre ações de extermínio e chamando a atenção para o alto índice de criminalidade na capital paraense. Em ‘Quando todos calam’, performance realizada na área externa do Mercado do Ver o Peso, Berna permaneceu por várias horas deitada sobre uma mesa, nua e coberta por tripas humanas, que serviram de banquete aos urubus que habitam a região portuária de Belém. Enquanto permanecia deitada as aves se aproximavam e devoravam a carne que cobria parte do seu corpo nu.

Reale foi indicada pela primeira vez em 2012. À época, não era representada por nenhuma galeria, e ainda não tinha sido descoberta pelos meios de comunicação que mais tarde a apelidariam de ‘Marina Abramović brasileira’, devido às suas performances impactantes. Naquele ano, em uma entrevista exclusiva concedida ao Prêmio, apontou: ‘Eu não gosto de falar do passado, eu não gosto de falar de minhas memórias, eu não gosto de falar do futuro, eu não gosto de falar de sonhos. Eu gosto de falar do que a gente está vivendo hoje, o meu ponto de visão, de interesse, é o presente.’

E foi assim, focada no presente, que logo no primeiro ano em que foi indicada conquistou a vitória do PIPA Online, após travar uma concorrida disputa com o grafiteiro Tinho, que acabou levando a segunda colocação da categoria.

Já no ano seguinte, em 2013, não apenas foi novamente indicada ao PIPA, como conquistou seu lugar entre os quatro finalistas. Passou a ser representada pela prestigiada galeria Millan e foi incluída pela Revista Dasartes em sua lista de ‘Artistas Destaque 2013’, que foi parte da 5ª edição do Guia das Artes. A publicação destacou que 2013 ‘foi o ano em que, definitivamente, o circuito de arte se rendeu à contundência da produção de Berna Reale’, e lembrou que a artista chegava “à final do Prêmio PIPA ao mesmo tempo em que ganhava uma individual no Museu de Arte do Rio”.

Consciente do momento presente, naquele ano Berna assinalou (em entrevista gravada para o PIPA, disponível na página da artista no site do Prêmio) a transformação pela qual seu trabalho passava: ‘Um ano atrás o meu trabalho como artista era praticamente desconhecido das pessoas (…) e nesse ano eu mudei um pouco de ritmo. Essa aproximação com as pessoas me fez criar uma vontade de produzir mais performances que estão na cidade, que vão pra rua. Isso mudou bastante.’

Em 2014, Berna Reale participa novamente do PIPA – ao lado de outros 65 artistas indicados por especialistas de todas as regiões do Brasil e do exterior -, e passa por uma temporada na Europa. A nós resta acompanhar e assistir aos caminhos que a artista percorrerá daqui para a frente, certos de que – não apenas o PIPA pôde estimular o impulso que observamos em sua carreira – como, enquanto público, seremos tocados e transformados pela instigante obra desta que figura entre os principais artistas contemporâneos brasileiros.

Acesse a página da artista para assistir às video-entrevistas exclusivas.



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