Mostra coletiva tangencia debates sobre a região amazônica

(Rio de Janeiro, RJ)

O MAR – Museu de Arte do Rio selecionou obras de seu acervo que possuem relação com a região amazônica para a mostra “Pororoca – A Amazônia no MAR”, em cartaz até 23 de novembro. Participam artistas como Armando Queiroz, Berna Reale, Ivan Grilo, Luiz Braga e Rodrigo Braga, cujas obras apresentam vínculos com a Amazônia através de diferentes abordagens.

Formada por mais de 500 obras de artistas amazônicos ou que trabalharam nessa parte ainda pouco conhecida do Brasil, a Coleção Amazônia do MAR tangencia debates ecológicos, cosmológicos, sociais, antropológicos e políticos, abordando a produção estética dessa região em suas plurais dimensões, da iconografia à produção artística contemporânea. A mostra tem curadoria de Paulo Herkenhoff e inclui obras provenientes de diversos fundos da Coleção MAR, como a Fundação Rômulo Maiorana, o Fundo Berna Reale e o Fundo Z.

Entre a visualidade amazônica, a violência social, a arte relacional e o processo de metropolização, dois séculos e meio de história crítica estão retratados em instalações, pinturas, esculturas, fotografias, artes gráficas e decorativas, vestuário, mapas e objetos arqueológicos. Sob um olhar analítico e não cronológico, a mostra oferece uma sobreposição de universos e tempos culturais que vão desde as diversas etnias indígenas à realidade dos centros urbanos da região amazônica brasileira, levando em conta o que o poeta Blaise Cendrars chamou de “caudal amazônico da linguagem”. Entre os registros históricos estão a primeira imagem publicada de uma seringueira – realizada a partir da expedição de La Condamine em 1743 – e documentos pombalinos e imperiais sobre a região. Destacam-se ainda brinquedos do Círio de Nazaré e um álbum com 132 aquarelas do baixo Amazonas.

Perto de uma centena de artistas estão representados em “Pororoca”, muitos com suas obras-primas: Luiz Braga com “Rosa no Arraial”; Miguel Chikaoka e seu “Hagakure”; Elza Lima e a série dos ribeirinhos da década de 1980; Walda Marques e os retratos das vendedoras de ervas do Mercado do Ver-o-Peso; Paula Sampaio e a Transamazônica; o silêncio nas imagens de Octavio Cardoso; e Krajcberg com suas imagens de queimadas. Estão incluídos ainda trabalhos emblemáticos como um tríptico da série “Marcados para morrer”, de Claudia Andujar; “Judeus na Amazônia”, de Sergio Zalis; as imagens de povos indígenas de Milton Guran; a série “Nazaré do Mocajuba”, de Alexandre Sequeira; o vídeo “Antigamente Éramos Muitos”, de Armando Queiroz; a instalação as “Facas do meu pai”, de Lise Lobato; e as procissões e romarias de Guy Veloso, entre outras.

Também estão presentes realizações de artistas da Amazônia, tanto nascidos na região (Ismael Nery, Quirino Campofiorito, Osmar Dillon, Aluisio Carvão, Bené Fonteles, Rodrigo Braga) como viajantes (Wiegandt, Pierre Verger, Marcel Gautherot, Cildo Meireles, Milton Gurán, Valdir Cruz, Adriana Varejão, Arthur Omar, Oriana Duarte, Romy Poczttaruk, Delson Uchoa, Helô Sanvoy, Ivan Grilo).


“Pororoca – A Amazônia no MAR”, com Armando Queiroz, Berna Reale, Ivan Grilo, Luiz Braga e Rodrigo Braga
Em cartaz até 23 de novembro

MAR – Museu de Arte do Rio
Praça Mauá, 5
55 21 30312741
Visitação: terça a domingo, das 10 às 17h



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