“Mostra carioca: A impureza como mito” em seus últimos dias na capital paraense

(Belém, PA)

O MAM-Rio leva a exposição “Mostra Carioca” ao Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, em Belém, e ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza. “Mostra Carioca: a impureza como mito” tem curadoria de Luiz Camillo Osorio que reúne obras emblemáticas de um conjunto de artistas brasileiros cuja produção vincula-se às especificidades da cena cultural do Rio de Janeiro dos anos 1960 até o presente.

Esta mostra não pretende “tematizar” o Rio, mas revelar o quanto a cidade foi e permanece sendo um espaço ao mesmo tempo caótico e criativo que alimentou uma vontade de arte que combina improvisação e rigor.

Do final do modernismo, passando pelo concretismo, pelo neoconcretismo, pela pop e pelo conceitualismo, e chegando ao momento contemporâneo, uma espécie de “espírito carioca” se deixou insinuar.

Este “espírito” se bifurca, depois do advento da abstração, entre o gesto informal e a estrutura geométrica, a percepção de ritmos gráficos e simbólicos, que se deixam conduzir pelo lirismo interior, e uma via na qual o fazer do corpo (a mão do artista, o olhar do espectador) quer se desdobrar em uma espécie de pulsação do espírito.

A cidade está, obviamente, presente neste recorte. Muitas das imagens que aqui se apresentam dão a ver o espaço da sociabilidade carioca a contrapelo do clichê da “cidade maravilhosa”. Fazem-nos perceber a “Cidade Partida” de Zuenir Ventura, entre o morro e o asfalto, entre o gesto informal e a estrutura geométrica, onde atritos e afetos se complementam e as identidades permanecem em trânsito.

Desta forma, os trabalhos foram escolhidos pela sua capacidade de propor imagens reconfiguradas do Rio de Janeiro e da sua vida urbana enquanto espaço de experiência cultural. Artistas reconhecidos tais como Lygia Clark, Helio Oiticica, Iole Freitas, Raymundo Colares, Antonio Dias, e artistas de uma geração mais nova tais como Adriana Varejão, José Damasceno, Gustavo Speridião, Cabelo, Paula Trope, Marcos Cardoso, entre tantos outros.

O sentido desterritorializado do espírito carioca em que o local e o global alimentam-se de desafios e inquietações comuns permitiu, com naturalidade, incorporar trabalhos do acervo do Museu das Onze Janelas, e fortalecer esta parceria institucional. Seguidamente a exposição viajará para o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Fortaleza), no âmbito da itinerância Petrobras Cultural 2012.

Mostra carioca: “A impureza como mito”, com Gustavo Speridião
Curadoria de Luiz Camillo Osorio e Marta Mestre
Em cartaz de 26 de julho a 21 de setembro em Belém, PA
De de 8 de outubro a 30 de novembro em Fortaleza, CE

Museu Casa das Onze Janelas
Praça Frei Caetano Brandão, s/n
Cidade Velha
55 91 40098821

Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
Rua Dragão do Mar, 81
Praia de Iracema
(85) 3488-8600



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