Clipping | Daniel Lannes citado como um dos quatro “hot artists” do Rio, pelo site ArtBerlin

O site alemão ArtBerlin menciona o artista Daniel Lannes como um dos “Quatro artistas do momento” do Rio de Janeiro, e recomenda seu trabalho para aqueles que querem investir em arte.

Os outros artistas selecionados além de Daniel Lannes, pela jornalista são: Joana Cesar, Fernando de la Rocque e Alander Especie.

A autora do artigo, Esther Harrison, argumenta que a cena artística do Rio se inspira na “beleza de seus arredores” e que “você tem que fazer um trabalho muito bom como artista se quiser competir com essa cidade, ou melhor ainda, não tente competir, apenas vá na onda e veja onde ela te leva.”

Leia o que a autora diz sobre Daniel Lannes abaixo (tradução livre):
Quando um amigo de Niterói me indicou Daniel Lannes, eu pesquisei seu trabalho no Google. Tive uma dessas sensações maravilhosas que somente arte consegue provocar. Ela faz seu coração e sua barriga pularem ao mesmo tempo. A obra que me atingiu de um jeito estranho, mas bom, foi uma sem título. Eu estava literalmente intrigada.

O trabalho de Daniel causou desordem dentro de mim. Ao conversar com ele em seu ateliê, cercada por pinturas a óleo enormes que o artista criava para uma grande mostra individual marcada para outubro no Rio, eu lentamente entendi o motivo para a sensação de desordem. Nós conversamos sobre o tempo que Daniel passou em Nova York, onde ele estudou artes plásticas e sobre a sensação extrema e absoluta de realmente ser brasileiro, ou melhor, de ser ambos estrangeiro e brasileiro nos Estados Unidos.

Não entenda mal. Daniel é o completo oposto do clichê carioca. Para começar, ele odeia praia. E não gosta de sol. Na verdade, todas as coisas normais que são realmente importantes para um carioca normal – como malhar o tempo todo, socializar, viver na praia – não importam para ele. E no entanto, pode-se identificar todos os clichês cariocas em suas obras. Esse foi o ponto de correspondência para que eu, a gringa incorrigível, me apaixonasse por essa cidade, seu povo, sua bela natureza e o artista contemporâneo que vive no meio dela sem pertencer à ela de fato – pinturas pesadas a óleo desse mundo idealizado.

Alguns dizem que Daniel Lannes trouxe a pintura figurativa de volta à cena artística do Rio. Modestamente ele diz não saber sobre o que isso se trata, mas admite espontaneamente que causou uma forte impressão com sua primeira mostra individual, ao não vender nenhuma obra. Na série exposta, ele retratou a si mesmo e suas partes íntimas afundadas em vários tipos de fruta diferentes. Como uma oferta derradeira. Eis o que eu tenho. Pegue. Aproveite.

Que coisa mais carioca de se fazer, não posso deixar de pensar. Um modo tão livre e absolutamente revigorante de trabalhar com sexualidade e com seu próprio corpo. Mas apesar de tudo isso, Daniel Lannes é um pintor especialmente impressionante que faz você entender a importância e as profundezas da história da arte e suas ferramentas. A tinta a óleo, a tela, a espessura, que foi transportada através dos anos da história da pintura e da arte.

Certa vez ele disse numa entrevista, ao ser perguntado sobre pintura:

“Eu gosto muito da ideia da pintura estar morta. Isso me lembra uma fala de Luiz Zerbini que, mais ou menos, disse que a pintura está morta mas que gosta quando está sentado na sala e sente aquele calafrio como se fosse um espírito passando. A pintura morreu, legal. De vez em quando ela aparece e nos assombra – e quando ela nos assombra é por que alguém conseguiu fazer uma boa pintura.”

E isso é exatamente o que as obras de Daniel Lannes fazem. Carioca ou não.



O PIPA respeita a liberdade de expressão e adverte que algumas imagens de trabalhos publicadas nesse site podem ser consideradas inadequadas para menores de 18 anos. Copyright © Instituto PIPA