MAM-Rio | Encerramento de exposições

(Rio de Janeiro, RJ)
O MAM-Rio está preparando, para a partir da segunda metade do mês de março, uma programação especial com diversos eventos e exposições.
Enquanto isso, estes são os últimos dias para visitar as seguintes mostras em cartaz no Museu:

“Acervo MAM – Obras restauradas”

Somente até 13 de abril de 2014

É uma grande satisfação podermos oferecer ao nosso público a oportunidade de rever importantes obras de nosso acervo, que há tempo aguardavam restauro. Para os mais jovens será o primeiro contato com estas obras, de ícones da arte brasileira e internacional, desse que é um dos museus mais instigantes e queridos do carioca.

O MAM vem desempenhando seu papel de dínamo cultural, através de esforços que sustentam sua política de preservação de patrimônio, difusão da arte e incentivador na abertura de espaço para jovens artistas.

Desde sua fundação em 1948, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro construiu uma história e um acervo reconhecidos internacionalmente. Quando em suas instalações definitivas, projetadas pelo arquiteto Affonso Eduardo Reidy em um terreno de 40.000 m2, consolidou-se como uma instituição onde a arte podia ser vista, debatida e aplicada com projetos educativos em suas oficinas. Aos 30 anos de existência passou por forte revés com a perda trágica de 90% de sua coleção. Peças significativas puderam ser resgatadas e restauradas; uma pequena parte que não pôde ser recuperada ao longo daquele período foi mantida com zelo e paciência, aguardando uma solução. Hoje esse dia chegou e podemos rever obras de Ivan Serpa, Lygia Clark, Djanira, Manabu Mabe, Wega Nery, Nelson Leirner e Silvia Chalreo, para citar a vertente nacional. Alberto Magnelli, Serge Poliakoff, Oton Gliha, Maria Luisa Pacheco, Michel Patrix e Jorge Páez Vilaró na internacional.

Agradecemos a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro por ter compreendido a magnitude e importância deste projeto, que foi selecionado pelo concurso Pró-Artes Visuais 2012 da Secretaria de Cultura e, também, ao artista Nelson Leirner por ter aceito realizar a réplica de sua obra.Por Carlos Alberto Gouvêa Chateaubriand, Presidente do MAM-Rio

“4×3 – A arte do cartaz de cinema”

Somente até 13 de abril de 2014

O cartaz cinematográfico é uma peça publicitária prosaica e efêmera. Tem por função divulgar o filme e atrair o espectador para a bilheteria e para a sala de exibição. Em sua linguagem particular, constituída nas primeiras décadas do século XX em meio à formação da indústria cinematográfica, antecipa o gênero e por vezes o tom da narrativa, associando-os quase sempre à imagem dos protagonistas. O cartaz cinematográfico se insere também no chamado star system, a política de estrelismo que em geral conduz a relação da produção com o público, mas de forma menos direta do que se pensa. Como elemento de apelo volta-se prioritariamente para a indicação do que será oferecido como emoção pelo produto fílmico.

A liberdade formal alcançada pelo cartaz cinematográfico em seus primeiros tempos deriva de um conjunto de restrições. Papel barato, impressão em escala e baixa definição impediam o uso da fotografia como ícone do filme, permitindo o desenho e a rotogravura como técnicas mais adequadas. Somente após a Segunda Guerra Mundial, com o desenvolvimento das tecnologias gráficas e a supremacia consolidada do filme hollywoodiano no mercado mundial, o cartaz assumiu progressivamente a foto de uma cena ou personagem como elemento visual central.

A imposição de um padrão de produção envolvendo todo o processo de realização e comercialização dos filmes encontrou resistências pela afirmação dos cinemas nacionais, entre os quais o brasileiro. Nesse sentido, o cartaz revestiu-se também de valores particulares. Ao mesmo tempo em que ressaltava a promessa de divertimento/reflexão, reenviava para determinadas tradições locais, quer fosse a da ilustração gráfica, a do modernismo pictórico ou a da iconografia pop. Contra a mesmice publicitária do império, desenvolvia o refinamento contido na cultura visual local, transformando-se em peça artística maior. Em resumo, quanto mais criativo ou “experimental” o cartaz, maior a afirmação política de uma cinematografia frente ao ocupante de seu próprio mercado.

O singular na experiência brasileira é sua extensão mesmo à produção eminentemente comercial, caso dos filmes e cartazes escolhidos para esta exposição. Produzidos entre as décadas de 1950 e 1970, os exemplares se destacam por sua consciência de traço, estilo, síntese temática e sobretudo investigação poética dos tipos humanos e seu contexto sócio-cultural. Jayme Cortez, cartazista preferido do ator-produtor–diretor Amácio Mazzaropi, põe em relevo a figura esquecida da era juscelinista. A riqueza de detalhes na composição dos diferentes trabalhadores proletários ou suburbanos, indica a tentativa de sincronia com a nova era urbano-industrial paulistana e com o público presente nas salas, antes da virada crítica proporcionada pela adesão definitiva ao caipira, consagrada na personagem Jeca Tatu. Tensão e movimento permeiam essas imagens, explorando algumas das virtudes dos quadrinhos admirados e praticados por Cortez.

A passagem aos cartazes de Ziraldo e de Benício evidencia algumas rupturas. Em sintonia com sua geração, o primeiro, ao mesmo tempo em que homenageia a tradição de ilustração e de humor que vai de Angelo Agostini a Chico Caruso, vai buscar no modernismo paulistano o traço redefinidor do ingresso em uma nova etapa histórica. O advento de uma classe média brasileira e do hedonismo utópico dos anos 1960 lhe proporcionam o material para investigar sobretudo esse novo homem citadino, que se quer boêmio e mulherengo, mesmo em tempos de ditadura militar. Rebeldes e anárquicos são moldados à imagem e semelhança de uma cultura solar, alegre e libidinosa que emerge na zona sul da cidade do Rio de Janeiro.

Benício continua e aprofunda essas referências, chegando por seu lado a um modernismo carioca, evidenciado na obra de um J. Carlos, e por outro à atualidade de uma sociedade de consumo em formação. Seus cartazes também exibem a consciência do crescente protagonismo feminino em meio a esse país que se quer fazer grande, moderno e rico. A pornochanchada lhe proporciona a moldura perfeita para o jogo de espelhos com os passantes eventuais e os voyeurs da sala escura. Suas mulheres olham diretamente, encaram, interrogam, sem deixarem a sensualidade acabada de fora, muito pelo contrário. A imagem, a sedução e a cupidez quase sempre andam juntas.

A arte dos 3 cartazistas põe em relevo um momento de transição histórica da sociedade brasileira, deslocando a figura central da era industrial, que a rigor ainda nem se instalara de fato, e fazendo emergir novas personagens, mais características de uma etapa pós-industrial, que se constituiu par e passo ao desenvolvimento econômico emanado do ABC paulista. A seleção das 4 personagens matiza as possibilidades artísticas e culturais em torno do padrão típico de composição da peça. Trabalhadores, boêmios, “gostosas” e imagens auto-referentes (do tipo, do ator/atriz, do ícone cultural), este último em salto metalingüístico, ao mesmo tempo indicador da maturidade do discurso visual do cartaz cinematográfico brasileiro e da complexidade de sentidos negociados perante o público, são uma parte da galeria de uma sociedade que procura se afirmar também pelo intrincado labirinto de construção de uma auto-imagem, onde ser “malandro”, em muitos sentidos, já não é mais um ato ingênuo ou chanchadesco.Por Hernani Heffner, Conservador-Chefe e Curador-Assitente.

Seguem em cartaz também no MAM-Rio, duas mostras de longa duração:

“Genealogias do Contemporâneo”

“Genealogias do Contemporâneo – Coleção Gilberto Chateaubriand” é uma exposição panorâmica que reúne artistas fundamentais da arte brasileira entre os anos 1920 e 1970. Faltam nomes importantes que não couberam no recorte estabelecido. Toda curadoria é uma escolha subjetiva pautada em hipóteses objetivas. As obras são agrupadas tendo em vista o valor intrínseco de cada uma delas e as ideias que determinadas relações permitem discutir.

“MAM: Sua história, seu patrimônio”

Ainda parte das comemorações de 65 anos do Museu de Arte Moderna, a exposição “MAM: Sua história, Seu patrimônio” foi aberta no dia 6 de abril de 2013. A mostra, permanente, está montada no hall do Bloco Escola, ao lado da cinemateca, do Bar MAM e da loja Novo Desenho.

Segundo a curadora e responsável pelo departamento de pesquisa e documentação do museu, Elizabeth Catoia Varela, a escolha de montar a exposição num local diferente tem por objetivo mostrar que “o MAM Rio é mais que um local no qual o visitante vem fruir obras de arte”. “Aqui, antes mesmo de se apreciar a coleção do Museu, se tem contato também com o conjunto arquitetônico projetado por Affonso Eduardo Reidy – um dos ícones da arquitetura moderna brasileira –, os jardins de Burle Marx, em consonância com o próprio Aterro do Flamengo, e com a paisagem carioca”, acredita.

Para mais informações sobre as exposições em cartaz acesse o site do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

Horários de funcionamento:
De terça à sexta: das 12h, às 18hs;
Sábados, domingos e feriados: das 12h, às 19hs.

Ingressos:
Inteira – R$8,00
Estudantes maiores de 12 anos – R$4,00
Maiores de 60 anos – R$4,00
Amigos do MAM – grátis
Crianças até 12 anos – grátis
Ingresso família (somente aos domingos) para até 5 pessoas – R$8,00

Av. Infante Don Henrique, 85.
Parque do Flamengo.
Rio de Janeiro – RJ
Tel: (+5521) 2240-4944


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