Hoje: Encontro com os artistas da exposição “Lugar nenhum”

Encontro com os artistas da exposição Lugar nenhum:
[A fotografia para os pintores]
14/05, terça-feira, às 20h, com Ana Prata, Marina Rheingantz e Rodrigo Andrade
[A pintura para os fotógrafos]
15/05, às 20h, com Celina Yamauchi, Luiza Baldan e Sofia Borges


“Lugar nenhum”, com Ana Prata, Celina Yamauchi, Lina Kim, Luiza Baldan, Marina Rheingantz, Rodrigo Andrade, Rubens Mano e Sofia Borges

O Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro apresenta a exposição Lugar nenhum, com 56 obras, entre pinturas e fotografias, produzidas por oito artistas contemporâneos brasileiros: Ana Prata, Celina Yamauchi, Lina Kim, Luiza Baldan, Marina Rheingantz, Rodrigo Andrade, Rubens Mano e Sofia Borges. A exposição tem curadoria do crítico de arte Lorenzo Mammì e da coordenadora de artes visuais do Instituto Moreira Salles, Heloisa Espada, e fica em cartaz no IMS-RJ até 2 de junho.

Para compor a mostra, os curadores partiram da constatação de que um número significativo de fotógrafos e pintores contemporâneos brasileiros se interessam por assuntos comuns: lugares quase sempre vazios e anônimos, objetos e situações triviais. Por isso, o título da exposição está diretamente ligado ao conceito de terrain vague (terreno vago) – cunhado pelo arquiteto catalão Ignasi de Solá-Morales –, que são espaços aparentemente esquecidos, vazios, que no presente evidenciam um resquício do passado.

Lugar nenhum reúne artistas com percursos e referências distintas que, postos lado a lado, sugerem um sentido comum. Os três pintores que participam da exposição – Marina Rheingantz, Ana Prata e Rodrigo Andrade – trabalham a partir de imagens fotográficas retiradas de livros, revistas, jornais, arquivos pessoais ou da internet. Embora a fotografia seja para eles uma potente fonte de ideias, a técnica detona um processo criativo que visa a desafios próprios à pintura. Os fotógrafos, por sua vez, cada um a seu modo, demonstram a mesma liberdade do pintor para interferir na cena registrada, seja modificando o lugar fisicamente, como faz Rubens Mano, seja por manipulações digitais, como fazem Lina Kim, Celina Yamauchi e, em alguns trabalhos, Sofia Borges.

A história da fotografia é indissociável da história da pintura. Desde os primeiros registros fotográficos, na primeira metade do século XIX, observa-se uma série de influências mútuas entre as duas formas de representação. Ao longo do século XX, as trocas se tornam cada vez mais complexas, não sendo possível, muitas vezes, determinar uma origem única para soluções formais engendradas por artistas que trabalham com essas técnicas. “A exposição foca num aspecto específico de como essas trocas entre fotografia e pintura estão se dando no terreno da arte contemporânea brasileira. Percebemos que fotógrafos e pintores estão interessados em situações e lugares muito semelhantes entre si”, explica Heloisa Espada.

Leia abaixo um resumo sobre o que será exibido de cada artista.

Fotografia:

– Lina Kim: as obras expostas fazem parte da série Rooms (2003-2006), um de seus únicos trabalhos exclusivamente fotográficos. São três imagens de instalações – hoje abandonadas – do Exército Soviético, na antiga Alemanha Oriental.

– Luiza Baldan: serão exibidas fotografias das séries Lagos (2004-2007), De murunduns e fronteiras (2010), Insulares (2010), Pinturinhas (2009-2012), A uma casa de distância da minha (2012) e Diário urbano (2004-2012). “A artista procura as diagonais que conduzem o olhar, os objetos próximos às margens do enquadramento, as coisas que andam em pares, como se dialogassem”, analisa Mammì.

– Rubens Mano apresenta dois dípticos, um deles é “Entre”, que retrata uma construção abandonada já prestes a ser reabsorvida pelo mato. Há em Lugar nenhum mais quatro imagens de sua autoria, entre elas “Construção da paisagem” (2010), que deriva de uma intervenção feita no Museu de Belas Artes de Córdoba, na Espanha. O artista trabalha com registros de cenas que encontra ou modifica fisicamente os lugares (pintando ou destruindo parte de construções) antes de fotografar.

– Celina Yamauchi adota a fotografia em branco e preto como tema, mais do que como meio. Serão apresentadas 12 imagens produzidas entre os anos de 2011 e 2012, todas com planos muito fechados, com a câmera apontada para o chão para um canto ou para uma parede. A artista fotografa com câmera digital e, posteriormente, elimina as cores da imagem. O resultado são cenas de um colorido tênue e delicado. São as imagens mais intimistas da exposição.

– Sofia Borges fotografa objetos e lugares, mas também reproduz fotografias de família, imagens de livros, painéis explicativos de museus científicos. Ela apresenta imagens de diferentes naturezas lado a lado, confundindo suas origens e usos. Seu trabalho investiga e questiona a fotografia como representação da realidade. “Há uma fotografia de Sofia Borges que talvez possa ser tomada como mote dessa exposição: nela, uma menina, diante de uma parede cheia de fendas ao ponto de parecer um mapa hidrográfico, aponta para outra menina uma cortina espessa de ciprestes. Não sabemos o que vê nela, ou o que imagina que esteja atrás dela”, analisa Loranzo Mammì.

Pintura:

– Ana Prata: a artista não pinta as coisas, mas as imagens das coisas: Sete Lagoas (2012) é um cartão postal, Grande circo (2011) é uma transmissão televisiva, Rua (2012) se parece com uma foto tirada de um celular. Seu processo criativo, rápido e diversificado, aproxima sua pintura da versatilidade própria da fotografia.

– Rodrigo Andrade: o artista também trabalha a partir de fotografias retiradas da internet, de mídias impressas ou de seu arquivo pessoal. Em uma das telas apresentadas na mostra, ele faz referência a uma fotografia do japonês Daido Moriyama. Rodrigo Andrade transpõe imagens fotográficas para a tela por meio de uma pintura sofisticada e diversa para, em seguida, cobrir parte dessa pintura com camadas espessas de tinta à óleo.

– Marina Rheingantz: para Lorenzo Mammì, “se há uma pintora do terrain vague, é ela. (…) Os seis óleos sobre tela apresentados nessa exposição não apenas representam terrenos baldios, lugares abandonados em que a história continua correndo, ainda que num ritmo mais lento: eles são um desses lugares, se comportam como eles”.

Luiza Baldan, Marina Rheingantz, Rodrigo Andrade e Sofia Borges são artistas indicados ao PIPA. Para saber mais sobre suas carreiras e obras, acesse suas páginas:

Luiza Baldan
Marina Rheingantz
Rodrigo Andrade
Sofia Borges

“Lugar Nenhum”
de 2 de março a 2 de junho de 2013
De terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada franca – Classificação livre
De terça a sexta, às 17h, visita guiada pelas exposições.
Visitas monitoradas para escolas: agendar pelo telefone (21) 3284-7400

Instituto Moreira Salles
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea

Tel.: (21) 3284-7400/ (21) 3206-2500



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