Mostra “Natureza Impermanente”, de Kilian Glasner | em São Paulo

A CAIXA Cultural SP inaugurou no dia 13 de março de 2012 a exposição Natureza Impermanente, composta por obras do artista plástico pernambucano Kilian Glasner.

Da série Do Infinito, a mostra traz 40 desenhos em preto e branco, todos em grandes formatos horizontais, medindo aproximadamente 100 x 200 cm cada. Cada desenho é criado a partir de elementos colhidos de fotografias tomadas em diversos lugares. Kilian Glasner sobrepõe paisagens, insere elementos e cria novas perspectivas, por vezes realistas, por vezes fantásticas, em novos universos que podem ser vistos isoladamente ou em conjunto.

Em seu trabalho anterior, o artista desenhou sobre as paredes de uma casa abandonada e em seguida quebrou as paredes, em uma performance com características de demolição planejada, quebrando ilusões passadas e futuras, colocando o espectador no tempo presente. Nesse novo trabalho, as ilusões são questionadas de uma outra forma.
Já no processo de criação de Natureza Impermanente, as fotografias são quebradas, corrompidas e elementos das paisagens fotografadas são desmembrados e em seguida reconjugados e deslocados para o papel, compondo uma nova imagem, desenhada com técnica realista usando pastel seco e borracha.

A partir das obras isoladas, o artista finaliza a idéia agrupando todos os desenhos em uma só sala, combinando as perspectivas, criando uma espécie de labirinto levando o espectador a um universo de infinitas possibilidades. Nesta mostra, o espectador é surpreendido desde o impacto visual da instalação formada pela aglomeração de grandes desenhos até perceber de perto os detalhes milimétricos de cada trabalho e assim mergulhar na leitura dos quadros individualmente e da instalação como um todo.

A repetição das perspectivas provocam que todos os caminhos representados tem origem ou fim no centro da sala, fazendo o visitante valorizar o seu ponto de vista, o seu “aqui e agora”, e descobrir a sua maneira a estrutura do trabalho. O que verdadeiramente vemos é uma paisagem inventada, composta por detalhes de tantas outras paisagens reais. Ao deslocar e recompor os espaços, identificamos que características fisicamente divergentes e contraditórias se transformam em complementares e contrariando leis existenciais passam a ocupar um mesmo espaço nos surpreendendo a cada olhar.

Além de trazer as obras, a grande maioria inédita em mostras ao público no Brasil, a exposição será em si uma instalação. O conjunto dos desenhos em um só espaço atinge o olhar do espectador com as belas e delicadas formas da natureza junto com arrojadas e dinâmicas formas criadas pelo homem. Trabalhando em conjunto com a curadoria, o artista plástico irá “redesenhar” as obras nas paredes da exposição, formando um mosaico em que cada obra será complemento da próxima e, apesar de constituir uma peça única, ganhará força como uma nova obra (desenho-instalação) em conjunto.

A mostra tem curadoria do jornalista e crítico de arte Julio Cavani, que trabalha atualmente no Diario de Pernambuco. Para Cavani, “as imagens direcionam o olhar para ‘pontos de fuga’ posicionados nos horizontes. Como está sugerido no título do projeto, porém, esse destino tem como eixo a impermanência dos objetivos humanos, a inexistência do futuro ou o fato de que o presente, livre das amarras do passado. Ideais dos indivíduos, como a felicidade, estariam neles mesmos, e não em algum ponto distante no tempo ou no espaço. O itinerário da viagem começa dentro da própria mente”.

Esta será sua primeira exposição individual no sudeste brasileiro.

visitação: 14 de março – 22 de abril
terça a sábado: das 9h – 21h | domingos e feriados: das 10h – 21h

CAIXA CULTURAL São Paulo
Av. Paulista, 2083 – Cerqueira César, São Paulo (SP) – Metro Consolação

Informações, agendamento de visitas mediadas e translado (ônibus) para escolas públicas: (11) 3321-4400
Acesso para pessoas com necessidades especiais
Entrada: franca
Recomendação etária: livre
Patrocínio: Caixa Econômica Federal

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