Artur Fidalgo

(ultima atualização em fevereiro/2018)

Vive e trabalha no Rio de Janeiro, RJ.
Membro do Comitê de Indicação PIPA 2013.

Com mais de 30 anos de experiência como art dealer e 13 anos como galerista, Artur Fidalgo é hoje referência importante no mapa brasileiro das artes. Sempre atento a descobrir novos talentos no país, Fidalgo revelou e apoiou artistas das gerações de 1980, 1990 e da cena contemporânea. O galerista tem em sua forma de trabalhar o equilíbro perfeito entre mostrar a evolução dos artistas mais tarimbados de seu acervo e também com a preocupação de revelar aqueles que ainda virarão história. Como exemplo, só no segundo semestre do ano passado, Fidalgo fez a exposição da veterana Anna Bella Geiger e deu espaço para a individual do artista da nova geração Danilo Ribeiro. Com essa capacidade de zelar por e acompanhar a produção da arte contemporânea, Fidalgo traz já para este ano o trabalho de Hildebrando de Castro, que abre a próxima exposição depois de Paulo Climachauska, ao passo que tem revelado e investido em artistas mais novos como Fernando de La Rocque, Malu Saddi, Rafael Carneiro e Gabriel Centurion.

Artur começou sua trajetória no Rio de Janeiro no fim da década de 70. Na época, ainda como um colecionador da então efervescente cena contemporânea e entusiasta das artes, reunia amigos e críticos em sua casa para apresentar informalmente o trabalho dos novos artistas que faziam parte de seu círculo de amizade: Mira Schendel, Artur Barrio, Willis de Castro, Hércules Barsotti, Thomaz e Arcangelo Ianelli, Amílcar de Castro, Roberto Pontual, Paulo Roberto Leal, Rubem Breitman, Macaparana, Antonio Maia, Roberto Burle Marx e por aí vai . “As pessoas íam em casa para conversar sobre arte e acabavam me pedindo para comprar trabalhos para elas, isso quando não me imploravam para levar trabalhos da minha própria coleção!”, brinca. Foi assim, meio sem querer, que Artur foi criando sua própria rede de colecionadores.

No fim dos anos 80, resolveu seguir sua vocação. Largou seu trabalho como economista e abriu o Escritório de Arte, no Shopping Cidade Copacabana. “Adorava receber pessoas em casa, mas chega um momento que isso fica inviável. O escritório não era uma galeria, era um espaço para apresentar o que estava sendo feito para amigos e críticos”, conta. Artur ficou com essa sala por 13 anos, no piso térreo do shopping. O escritório ía bem, mas não era um lugar para exposições. “Eu queria exibir os trabalhos dos artistas que gostava, criar um espaço expositivo para instalações de arte contemporânea e visitação do público geral, não só colecionadores e críticos”.

Na virada do milênio, Artur deu mais um passo: inaugurava no segundo andar do mesmo shopping a Artur Fidalgo galeria com uma instalação arrebatadora de Artur Barrio. A exposição nada convencional trazia pó de café espalhado pela galeria enquanto um filtro coava o pó num canto e pingava gotas frescas no chão, em outra área, cabeças de peixe morto exalavam o odor de dentro de um caixote de feira coberto com sal, um colchão embebido em cachaça e mel. “Era hora de quebrar o padrão, não queria abrir um espaço formal e antiquado, mas sim envolver o público para apresentar a nossa arte contemporânea. Ninguém tinha feito uma exposição comercial assim, que não tivesse nada pendurado na parede para vender”, lembra. O espaço marcava uma mudança de comportamento, mostrando o papel de um verdadeiro galerista. Com todos os anos acumulados de experiência, Artur colocava em prática sua visão como dono de galeria de arte.

Depois do barulho com a instalação de Barrio, veio Marcos Bonisson, Ricardo Basbaum, Fernanda Gomes, Antonio Dias, Ivens Machado, Eduardo Sued, Rosângela Rennó, Waltercio Caldas, José Damasceno, Ernesto Neto, Iran do Espírito Santo, Umberto Costa Barros, Marcos Chaves, Albano Afonso, Edgard de Souza, Carlos Bevilacqua… uma exposição marcante atrás da outra. “Deixo os artistas livres para surpreenderem. Eu gosto mesmo do trabalho de quem eu represento e confio. Antes de tudo, eu, pessoalmente, coleciono essa arte”.

Além de ser figura importante na cena contemporânea, Fidalgo nesses 30 anos, virou também marca do Shopping Cidade Copacabana. Basta perguntar para alguém sobre Fildago e as histórias surgem, falando de suas gentilezas, educação e ousadia. Essa maneira como ele trata todas as pessoas é a mesma como ele lida com as artes e cuida de seus artistas, revelando sua ética e compromisso como galerista.

Por: Patrícia Kalil


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