Finalistas

Os quatro finalistas da nona edição do Prêmio foram escolhidos entre os 70 artistas participantes deste ano. Arjan MartinsEli SudbrackRomy Pocztaruk e Vivian Caccuri concorrem a uma doação total de R$130 mil – incluindo uma residência artística de três meses na Residency Unlimited, em Nova York – caso vençam a categoria principal da premiação, o Prêmio PIPA.

Além desta categoria, em que o vencedor é escolhido por um Júri de Premiação, os finalistas serão ainda avaliados pelo público visitante do MAM-Rio, onde realizam uma exposição de 1 de setembro a 28 de outubro de 2018. Nela, o público vota no vencedor da categoria Prêmio PIPA Voto Popular Exposição, em que o vencedor recebe uma doação de R$24 mil.

Assista ao vídeo em que Luiz Camillo Osorio, curador do Instituto PIPA, revela quem são os quatro finalistas da nona edição do Prêmio.

Saiba mais sobre os finalistas 

Arjan Martins

Arjan Martins, “O Estrangeiro XIX”, 2017

Manchas amareladas de aquarela. Fragmentos de corpos negros. Uma menininha que, retirada da capa de um álbum de Oscar Peterson, parece esconder o sorriso com uma das mãos. Os elementos se repetem na produção recente de Arjan Martins, como é conhecido Argentino Mauro Martins Manoel. Depois de vender pão na Escola de Artes do Parque Lage, para sustentar sua formação, nos anos 1990, o carioca tornou-se um dos nomes mais representativos da pintura brasileira contemporânea.

Sua produção gira em torno da incorporação de signos e códigos excluídos da história, recontando a história da colonização e da escravidão do ponto de vista dos oprimidos. Pinturas que falam, assim, “do meu, do teu, do nosso tempo”, como contou ao curador do Instituto PIPA, Luiz Camillo Osorio em uma entrevista em maio do ano passado.

O “lugar de fala” de Arjan é visível nas últimas exposições que apresentou. No Brasil, fez parte de “Ex-Africa”, coletiva do CCBB que reuniu artistas brasileiros e africanos de oito países diferentes na maior coletiva de arte contemporânea africana já realizada nacionalmente. Lá fora, só no ano passado, inaugurou duas exposições: uma individual em Basel, na Suíça, resultado de uma residência na Fundação Brasileia; e uma coletiva em Lagos, na Nigéria, onde, junto de artistas brasileiros, alemães e nigerianos, pôs-se a discutir sobre as relações comerciais entre África, América e Europa durante o período colonial.

Eli Sudbrack (assume vivid astro focus)

avaf, “Shada shada la chatte”, 2007, performance com La Chatt

Em um cruzamento entre diversas linguagens, as enormes instalações imersivas do avaf – ora um projeto coletivo, ora individual tocado por Eli Sudbrack, são, ao mesmo tempo, ambientes multimídias e afirmações políticas. Elementos como música, performance, pintura, projeção e objetos envolvem o público em uma experiência sensorial e coletiva que o mergulha em cores, luzes, sons e imagens. Os trabalhos do avaf estão carregados de influências variadas, desde a cultura pop, os quadrinhos, os night clubs, até a política, a sociologia e a arte, e discutem questões como os direitos civis e a liberdade de expressão e questionam as classificações normativas de gênero e identidade.

A variação da composição do grupo desafia os pressupostos de autoria e se torna um projeto sempre em mudança, aberto à colaboração de outras pessoas, como arquitetos, grafiteiros, performers, músicos, designers, dançarinos e outros artistas.

 

Romy Pocztaruk

Romy Pocztaruc, “A última aventura, Fordlândia II”, 2011

Uma pequena ilha abandonada ao sul do bairro do Bronx, EUA, a Rodovia Transamazônica e as vilas olímpicas de Berlim e Saravejo são alguns dos lugares imprevisíveis onde Romy Pocztaruk já desenvolveu trabalhos, que geralmente se desdobram em fotografia e vídeo.

A ideia de jornada é recorrente na produção da artista, que percorre geografias distantes para registrar os vestígios de lugares abandonados que foram, um dia, projetos faraônicos. Menos interessada em um retrato político e documental desses espaços, Romy lança seu olhar sobre as pequenas falências e pequenas memórias e ruínas desses territórios, revelando os resquícios de uma utopia.

Além da exploração de lugares desabitados, que se dá quase como uma aventura, uma experiência “meio Julio Verne”, como a própria artista fala, Romy também explora os cruzamentos possíveis entre arte e outros campos e disciplinas, como a ciência e a comunicação.

 

Vivian Caccuri

Vivian Caccuri, “TabomBass”, 2016

Uma série de alto-falantes é empilhada e disposta em meia-lua. A formação poderia remeter aos “paredões de som” das festas de rua, não fossem as velas à sua frente. À medida que o som sai dos alto-falantes, composto apenas por tons graves, as chamas das velas dança. Esta é “TabomBass”, instalação sonora apresentada por Vivian Caccuri na 32ª Bienal de São Paulo, em 2016. Produzida em colaboração com grupos de músicos brasileiros e africanos (de Acra, em Gana, cidade que acolheu imigrantes afro-brasileiros depois da Revolta dos Malês, em Salvador, em 1835), a obra é representativa da trajetória de Vivian, que busca unir experimentação sonora com questões relacionadas a condicionamentos históricos e sociais.

Nascida em São Paulo, Vivian mora no Rio de Janeiro desde 2007. Apenas três anos depois da mudança, foi uma das principais responsáveis pela reocupação da Fábrica Bhering, no bairro do Santo Cristo, onde instalou seu ateliê. Mas é, sobretudo, uma cidadã do mundo: antes de realizar um curso em produção musical e design sonoro na Dubspot, em Nova York, no ano passado, ela já tinha passado pela Universidade de Princeton, também nos Estados Unidos, onde escreveu o livro O que faço é música, de 2013, e exposto em diversas cidades do Brasil e do exterior. A lista, longa, inclui locais como Manaus, Helskinki, Riga, Varsóvia, Oslo, Valparaíso, Acra, Veneza e Carlsbad, nos Estados Unidos. É lá que ela atualmente exibe a coletiva “Ojalá”. No Brasil, a artista deve em breve abrir uma individual na Galeria Leme.

Os quatro finalistas também são convidados a participar do Prêmio PIPA Online, categoria aberta a todos artistas participantes que terá início daqui a exatamente um mês, no dia 15 de julho. Não perca.

Para saber mais sobre os finalistas e os demais 67 participantes do Prêmio PIPA 2018, visite suas páginas no site do Prêmio PIPA, contendo fotos de trabalhos, entrevistas, currículo e muito mais.


O PIPA respeita a liberdade de expressão e adverte que algumas imagens de trabalhos publicadas nesse site podem ser consideradas inadequadas para menores de 18 anos. Copyright © Instituto PIPA