“O lugar a que se volta é sempre outro”, individual de Sonia Andrade com curadoria de Raphael Fonseca

(Rio de Janeiro, RJ)

Raphael Fonseca, membro do júri de premiação do Prêmio PIPA 2019, pesquisador e curador do MAC Niterói, assina a curadoria da exposição “O lugar a que se volta é sempre outro”, individual de Sonia Andrade na Galeria Athena. A mostra tem sua abertura amanhã, dia 26 de outubro, às 16h, e conta com trabalhos dos anos 70 e obras recém-produzidas e inéditas.

A produção de Sonia ocupará três salas da galeria com trabalhos de diferentes momentos e percursos da carreira da artista. São, no total, cerca de 30 obras em sua maioria nunca antes mostradas, que abordam não apenas diferentes relações com a noção de tempo, mas também criações de diversos momentos da pesquisa de Sonia, que acontece desde 1972 até hoje em dia. O título da exposição reflete justamente essa ideia dos trabalhos revisitados e finalizados este ano que receberam novos olhares, significações e entendimentos. Ele é parte do poema “Là-bas, je ne sais où…” (“Lá, não sei onde”), publicado em 1944 por Alvaro Campos, que corresponde a um dos heterônimos de Fernando Pessoa. Como explicado no release da mostra, o poema sugere uma reflexão sobre um futuro próximo para qual se vai e do qual não é possível voltar.

Sonia é reconhecida por seu pioneirismo na videoarte no Brasil, e ganhou renome internacional por suas produções vanguardistas criadas em um momento ditatorial no país. Suas obras são de diferentes formatos, estão presentes em exposições ao redor do mundo e fazem parte de coleções notáveis. A curadoria de Raphael optou por ressaltar a produção artística que vai além do suporte audiovisual, selecionando também os variados meios explorados pela artista ao longo de sua carreira, como desenhos, fotografias, objetos e instalação. A ideia da mostra é apresentar um panorama heterogêneo de obras da artista: não é uma retrospectiva, pois não está ligada apenas ao passado, mas também ao presente, já que muitas das obras que estarão expostas foram finalizadas este ano.

Um dos trabalhos exibidos é a instalação “Naufrágio” na sala Cubo, obra produzida em 2019 que consiste em uma caixa de vidro transparente, como um aquário, formada por pedaços de vidro, peças inteiras e cacos de um conjunto de porcelana japonesa. Os objetos são da coleção da artista, e são típicos do ambiente doméstico, como xícaras e louças, que na instalação estão naufragados em vidros quebrados. Sobre o trabalho, o curador Raphael Fonseca reflete: “A instalação parece estar em diálogo com a tradição do memento mori: imagens alegóricas que nos lembram da morte. Passa o tempo, ficam os objetos, esvai a água e nos tornamos pó”.

Raphael comenta sobre outra obra da artista, a série “Sob os céus”, exposta nas salas da Casa. Ela consiste em um mosaico formado por composições de recortes de fotografias produzidas na Europa entre os anos de 1979 e 1984, todas com a notável presença do céu. Raphael analisa: “Coladas uma ao lado da outra, essas fotografias parecem compor um calendário e podem se aproximar da noção de um diário: coleções de céus, coleções de dias e noites”.

“O lugar a que se volta é sempre outro”, por Sonia Andrade com curadoria de Raphael Fonseca
De 26 de outubro até 21 de dezembro

Galeria Athena
Rua Estácio Coimbra, 50, Botafogo, Rio de Janeiro – RJ
De terça a sexta-feira, das 11h às 19h, sábado, das 12h às 17h
Telefone: (21) 2513.0703
Entrada gratuita



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