“Fábrica de Ratoeiras Concorde”, individual de Cadu

(Rio de Janeiro, RJ)

Cadu apresenta Fábrica de Ratoeiras Concorde, exposição em cartaz de 04 de setembro a 26 de outubro, na Galeria Anita Schwartz, em que traz cerca de 30 obras inéditas em sua primeira individual no espaço, cujos dois andares serão inteiramente ocupados pelo artista, vencedor do Prêmio PIPA em 2013.

A mostra reúne desenhos, pinturas, esculturas e duas obras interativas, chamadas “Chinese Whisper” e “Pantógrafo”, localizadas no térreo da galeria juntamente com a série “Fábrica de Ratoeiras Concorde”. Esta última é constituída por nove pinturas sobre papel, cujos tamanhos variam entre 1,90m x 1,50m e 1,80m x 1,50m. Cadu parte desses dois objetos construídos pela mente humana, a ratoeira e o avião Concorde, para criar uma imagem poética que resulta em diversas reflexões, como a enunciada pelo próprio artista: “Uma forma pedestre, um objeto rudimentar de caça para controle de pragas, e a outra uma aeronave, uma desobediência aos deuses, da ambição industrial”, que ainda comenta que os dois itens acabaram ficando obsoletos, cada um em seu tempo. A temática em comum das imagens elaboradas, segundo ele, é ter “a ver tanto com esquemas de distorção de espaço, que sugerem circuitos fechados, gaiolas, grades de onde fica difícil escapar”, e essa distorção, para o artista, dialoga com pinceladas abstratas, dando origem a um convívio entre ordem e caos.

Na “Chinese Whisper”, obra interativa cuja tradução é “sussurro chinês” – que, para nós, é a famosa brincadeira do “telefone sem fio”-, o público é convidado a movimentar um lápis conectado a um sistema desenvolvido pelo artista que reproduz o desenho feito, gerando versões aumentadas, diminuídas ou distorcidas do desenho original, em um exercício de pensar essas alterações de imagem e de discurso. O outro trabalho interativo, “Pantógrafo”, é composto por uma mesa de 2m x 2m, na qual os visitantes farão um pequeno desenho em um canto e, no lado oposto, aparecerá a imagem ampliada oito vezes. A peça é cercada, para Cadu, de conexões com a música: o bastão empregado na atividade poderia lembrar uma batuta de maestro, e o som vindo da máquina é “como se fosse o próprio instrumento musical imprimindo a partitura dele no momento de produção da música”, além de combinar gesto, desenho, esculturas e sonoridade. A palavra “pantógrafo”  é uma combinação de duas palavras em grego: pantos, que significa “tudo”, e graphein, que significa “escrever”. O objeto é um aparelho usado para transferir e redimensionar figuras, possivelmente inventado em 1603 pelo astrônomo e jesuíta alemão Christoph Scheiner (1575-1650).

Já no segundo andar da galeria, quatro séries ocupam o espaço: “Ganga” e “Craca Ganga” (com Virgilio Bahde), “Ágata” e “Walden”. A série “Ganga”, feita em parceira com o artista e ourives Virgílio Bahde, é constituída de dez esculturas: ganchos de metal que passaram por procedimentos que levaram meses e que resultaram em aglutinações nas estruturas, assemelhando-as a corais. Na mitologia grega, como lembra Cadu, quando Perseu corta a cabeça de Medusa e a arrasta sobre as águas do mar os corais surgem, que são as pedras do mar que vão ornar os cachos das ninfas. Ele ainda reflete que “Aquela que tudo transformava em pedra, no seu último gesto produz beleza”. A obra é resultado de um interesse do artista nos princípios básicos da alquimia, e também na sua prática de explorar as características telúricas – referentes ao planeta Terra – dos elementos, derivada de sua pesquisa sobre a paisagem e a passagem do tempo. Como explicado por ele, “ganga” é o nome dado na mineração para as impurezas presentes no metal que se pretende refinar. Nestas dez peças em exposição, os visitantes poderão ver a progressiva metamorfose que os metais sofreram no processo do trabalho. Fazendo uma analogia, Cadu reflete sobre a arte a partir do episódio da mitologia grega citado: “Em épocas de Medusa, temos que fazer os nossos escudos de Perseu. Arte é isso. É um escudo para a gente não olhar diretamente para o problema, mas para se olhar de lado, nos protegendo, com nossa esfera imunosimbólica, porque o real petrifica”. A “Craca Ganga” também é em parceria com Virgílio Bahde, na qual oito esculturas são feitas de diversos materiais, entre eles madeira, níquel e pedras semipreciosas, formando uma construção de origens variadas, como mineral e vegetal.

Outra série, a “Ágata”, é composta por 14 trabalhos de pintura em óleo sobre chapas de alumínio em tamanhos que variam entre 60cm x 60cm e 25cm x 25cm e que recebem aplicação de lâminas de pedras semipreciosas brutas, como ágata, granada e quartzo. Cadu explica que as obras confundem o espectador por parecerem uma colagem na qual não se sabe ao certo se a pintura está por baixo ou por cima das pedras. Já a série “Walden” são três gravuras relevo sobre papel, feitas a partir de páginas do livro “Walden ou A vida nos Bosques (1854)”, que formam uma única peça. O livro esteve com Cadu no ano em que ele morou em uma cabana construída por ele mesmo, em 2012, na região serrana do Rio de Janeiro, e o artista quis recriar nas imagens os caminhos percorridos pelos cupins, que comeram as folhas de papel. Para que o ácido criasse nas chapas de cobre o desenho desejado, o artista realizou dois anos de pesquisa e trabalhou com o mestre gravador Agustinho Coradello, que já atuou com grandes nomes, como Beatriz Milhazes.

Fábrica de Ratoeiras Concorde”, individual de Cadu
Em cartaz de 04 de setembro a 26 de outubro

Galeria Anita Schwartz
Rua José Roberto Macedo Soares, 30, Gávea, 22470-100, Rio de Janeiro
Horários: Segunda a sexta, das 10h às 20h; sábados, das 12h às 18h
Contato: (21) 2274 3873 e 2540 6446
Entrada Franca



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