Últimos dias de “Cenas de lembranças impermanentes”, coletiva com Matias Mesquita

(Vitória, ES)

“Cada imagem, som, narrativa, teoria, categoria me levaram a um novo encontro. O sublime no banal. A leveza no cotidiano. Eclipse do sujeito, do autor diante do mundo. Tudo se traduziu, por fim, em paisagens.”
Denilson Lopes.

Na exposição “Cenas de lembranças impermanentes”, que permanece em cartaz até o dia 2 de agosto, na Matias Brotas Arte Contemporânea, em Vitória, ES, Matias Mesquita e Raphael Bianco abordam, de maneiras diferentes, “a representação da ilusão e da impermanência”. Enquanto “Matias procura desconstruir o ideal do que perdura na pintura realista e na fotografia, Raphael discute a memória, ativando rastros de uma arqueologia do que não está mais presente, do que poderia estar e do que realmente está. Esta exposição é um convite à contemplação, a observar e relembrar aquilo que não permanece nas formas pictóricas”.

Tradicionalmente, o trabalho de Matias Mesquita é conhecido pela contemplação do céu (entre o efêmero e o duradouro para questionar-se sobre a impermanência) e por constantes registros de nuvens. Porém, indo contra essa interpretação, dessa vez “a produção das obras em exposição demanda uma sobreposição de camadas, de materiais, mas também de passagem do tempo. Para Matias, é importante deslocar a pintura para além da superfície da tela”. O artista utiliza como suporte placas feitas com materiais aparentemente duráveis, como cimento, barro, blocos de concreto ou pedaços de tijolos, fazendo referência à arquitetura. Entretanto, seu processo de criação procura evidenciar uma certa ideia de ruína, principalmente em alguns trabalhos que trazem rachaduras nesses materiais. E, se a imagem da pintura inicialmente nos chama atenção, o que o artista propõe é o inverso: uma experimentação fugaz de ilustrar indícios do que não permanece. 

Raphael Bianco discute o papel da imaginação na ativação da memória, elaborando uma narrativa de uma imagem quase em movimento. Para Raphael, ao contrário de Matias, é importante solicitar o espaço da tela para a pintura. As luzes que colorem suas obras conduzem a um jogo de dar a ver ficções de um passado que reivindica um lugar impermanente. O processo de criação da série presente nesta exposição coincidiu com a mudança de local do ateliê do artista. Nos gestos de desmontagem do ateliê, as memórias também se reorganizam, também são desmontadas. Em suas novas pinturas, Raphael procura perscrutar momentos fugidios de paisagens que embaralham objetos, lembranças e recorrências de trabalhos anteriores. Propõe uma fabulação daquilo que lhe escapa, mas que, talvez um dia, esteve presente. Nessas imprecisões, o óxido de ferro estabelece alterações cromáticas à revelia do artista, ressaltando a subjetividade e a efemeridade da construção da memória. As sombras apagam linhas, mas narrativas fragmentadas podem emergir de uma lembrança de quando a planta floresce, de quando a luz esteve rosada ou de quando uma garça azul pousou. 

“Cenas de lembranças impermanentes”, coletiva com Matias Mesquita e Raphael Bianco
Curadoria de Ananda Carvalho
Em cartaz de 27 de junho a 2 de agosto

Matias Brotas Arte Contemporânea
Av. Carlos Gomes de Sá, 130 – Mata da Praia, Vitória – ES
Horário de funcionamento: seg – sex, das 10h às 19h; Sábados: atendimento com agendamento
Telefone: + 55 27 3327-6966



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