Últimas semanas para conferir exposição de Ivan Grilo

(Ribeirão Preto, SP)

Se aproxima o fim a exposição “Morrer para Germinar”, de Ivan Grilo, realizada no Centro de Arte Contemporânea W, em Ribeirão Preto, São Paulo. O espaço apresenta exposições de artistas residentes na América Latina e propõe aproximações entre obras e reflexões de distintas gerações e lugares. Até 23 de fevereiro, são destacados artistas do interior do estado de São Paulo, como Grilo, que vive e trabalha em Itatiba. Entretanto, o espaço também faz questão de desenvolver relações desta cena cultural com artistas de diferentes países e cidades brasileiras.

 

Com curadoria de Josué Mattos, a exposição apresenta obras relevantes de Grilo, como Saiba, meu amor”, inspirada num cartão postal:

“Saiba, meu amor, há algo desmoronando, e há também algo que está nascendo. Nós escutamos o barulho do carvalho que cai, mas não escutamos o barulho da floresta que brota.” Mas isso era coisa do Leloup, não sei se estava mesmo no cartão. Essa última noite fez muito calor em Itatiba, e também choveu. Imagino que essa combinação tenha estimulado algo entre uma determinada espécie de insetos. Quando saí correr logo às seis da manhã, talvez pensando em Fidípedes, reparei muitos pequenos insetos pelo chão. Deveriam voar, mas estavam caídos, enganchados um no outro, provavelmente copulando. Foram cenas seguidas. Se repetiam como minha respiração ofegante. No ano de 490 a.C., os persas planejavam tomar o território grego; ingressariam pelo mar Egeu e seguiriam por terra até Atenas. Temendo saques e violência a mulheres e crianças, a orientação para as atenienses era de sacrificar seus próprios filhos e, em seguida, cometer suicídio caso a notícia da vitória grega não chegasse. Quando o sol já começava a aparecer comecei a ver pássaros – alguns muito bonitos – se alimentando dessas duplas de insetos. Talvez ambos morressem para o pássaro germinar. Talvez apenas o macho estivesse se tornando alimento e a fêmea seguiria germinando. Talvez eu tenha inventado tudo isso. Assim como inventei que hoje era um solstício. Não era. Os gregos saíram vitoriosos e impediram a invasão persa, entretanto levou mais tempo do que se imaginava. Era preciso correr para comunicar e abortar a situação de emergência. Fidípedes ficou responsável pela missão de percorrer os quarenta e dois mil cento e noventa e cinco metros que restavam até Atenas. Chegou a tempo. Salvou mulheres e crianças, mas morreu logo após o anúncio da vitória.
Em tempos difíceis, a gente morre um pouco todo dia. A gente e o país. Mas o Gil me ensinou que tem que morrer para germinar. A gente e o país.
Saiba, meu amor, a gente é o país”.

 

 

“Morrer para Germinar”, individual de Ivan Grilo
Curadoria de Josué Mattos
Em cartaz de 06 de outubro de 2018 a 23 de fevereiro de 2019

Centro de Arte Contemporânea W
Rua Nélio Guimarães 1300, Alto da Boa Vista, Ribeirão Preto, São Paulo
Horário de funcionamento: qui-sex de 14h ás 18h e sábado de 10h ás 14h



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