Zé Carlos Garcia apresenta obras inéditas em “Torto”

(Rio de Janeiro, RJ)

Desde o dia 21 de novembro, até 9 de janeiro de 2019, “Torto”, individual de Zé Carlos Garcia , indicado ao Prêmio PIPA 2018, na Cassia Bomeny Galeria apresenta, com curadoria de Paula Borghi, 13 pares de esculturas de 26 obras produzidas este ano na qual o artista repete a tradição de utilizar penas de animais como vem fazendo desde 2004. Garcia defende que aprecia a arte plumária indígena principalmente pela longa duração.

“A produção de Zé Garcia nos sugere pensar as artes visuais em diálogo com a antropologia e a história nacional. Entretanto, isso não significa que Garcia seja um artista etnógrafo ou historiador, pelo contrário, sua produção abre espaço para uma nova percepção dos estudos originários e contemporâneos ao encontro da emoção e da crítica nas artes visuais. São trabalhos que traçam reflexões acerca de conceitos
que envolvem as relações entre natureza e cultura no campo da subjetividade antropológica e da potência poética”, diz a curadora Paula Borghi.

Nas obras da exposição, Zé Carlos Garcia apresenta uma redefinição da noção moderna de escultura, retirando-lhe o sentido de volume estático, presente na linguagem ao longo da história da arte, e atribuindo-lhe organicidade e dinamismo através da arte plumária. Na exposição, as obras serão apresentadas em pares. Cada dupla terá o mesmo formato e tamanho, sendo uma escultura feita com penas e outra em couro, com uma lança em madeira, esculpida por ele. Ao utilizar a madeira, o artista apropria-se de itens de mobiliário doméstico, alterando sua função tradicional e agregando a escultura um aspecto híbrido.

“Como a plumagem, a madeira e o couro também constituem os elementos originários das esculturas aqui presentes, logo, das culturas originárias brasileiras e da cultura hegemônica. Pois, se por um lado se pode pensar a plumagem como adorno, o couro como atributos corporais e a madeira como a representação da floresta, por outro, esses mesmos elementos podem ser lidos como ícones do carnaval, do ruralismo e da
estratificação. São materiais naturais com representações simbólicas extremamente determinantes para o entendimento e a construção da(s) cultura(s) brasileira(s), tanto em seu sentido hegemônico, como plural (de entender a diversidade dos povos indígenas)”, ressalta a curadora Paula Borghi.

Porém, diferentemente dos trabalhos anteriores, as novas esculturas não têm uma relação direta com a anatomia dos pássaros.  “Torto”, nome que representa esse antagonismo, “Não é um corpo real, são volumes, é a abstração em si; não é um pássaro, são corpos tortos. Os materiais continuam os mesmo, mas mudam as anatomias, que não são mais visíveis. São corpos que estão fora do padrão e este trabalho tem a ver com a negação do diferente”, conta o artista.

“Torto”, individual de Zé Carlos Garcia 
Curadoria de Paula Borghi
Em cartaz de 21 de novembro a 9 de janeiro

Cassia Bomeny Galeria
Rua Garcia D´Avila, 196 – Ipanema
Horário de funcionamento: seg – sex, das 10h às 19h; sab, das 10h às 15h
Telefone: (21) 3085.3000
www.cassiabomeny.com.br



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