Paul Setúbal inaugura “Corpo fechado”

(Rio de Janeiro, RJ)

Paul Setúbal inaugurou sua primeira individual no Rio, no dia 8 de novembro, a exposição “Corpo fechado”. A mostra, com curadoria de Daniela Name, revela uma série de trabalhos do artista goiano que se baseia no corpo como linguagem para expressar a própria arte, com autenticidade, mas que transita por diversos meios, desde o “desenho ao objeto, da pintura à escultura, passando pelo vídeo, mas com um fio-condutor reincidente, enfatizado pela curadoria: a presença de um corpo que se transforma em resistência; de um corpo que é capaz de transmutar violência e dor  em energia propositiva e de superação”.

“O trabalho tem um olhar para a energia coletiva social que ronda nosso cotidiano, pensando em um corpo que suporta as adversidades e passa constantemente por processos de transformação e superação”, diz Paul Setúbal.

Setúbal expõe “Náusea” e “Amnésia”, em que utiliza o pigmento vermelho para representar terra e sangue, tingindo duas bandeiras de tecido cru com estas palavras. Ele também reúne esculturas da série “Compensação por excesso”, em que cassetetes policiais são mostrados com retorções, entortamentos e dentadas, como se corpos resistentes tivessem se oposto a eles. Mas uma característica relevante do trabalho do artista é utilizar a técnica do assemblage, “que une referências ou objetos de campos distintos em uma mesma peça, como um mosaico ou colagem, para criar uma espécie de jogo ou diálogo entre as partes que compõem a escultura em suas reverberações simbólicas”, como em “Armas para os deuses”. Nessa obra, ele simboliza espadas através da imagem de plantas, como “espada de São Jorge” e “espada de Santa Bárbara”, que têm grande importância nos rituais de religiões de matriz africana.

“O corpo fechado, na tradição dos rituais afro-brasileiros, é aquele que se blinda e se protege de todo o mal. Um corpo-escudo que, no entanto, não deixa de se iluminar, de cantar, de dançar, diz a curadora de ‘Corpo fechado’. Em sua história artística, já bastante abrangente apesar de sua pouca idade, ele vem trabalhando a ideia e a materialidade dos corpos, tanto o humano quanto o de animais, como reversores energéticos. O corpo é o que absorve pancadas, o que reconfigura as dores e os cortes, o que transpõe o que está doente, o que enfrenta a morte. O corpo é também identidade, território, bandeira. E por isso que esses trabalhos dialogam prioritariamente com as narrativas mitológicas do Brasil e da América Latina. Estão presentes no texto crítico tanto os orixás Omolu, Ogum e Exu quanto a figura do tatu, importantíssima nos rituais xamânicos ameríndios. O tatu é aquele que traz armadura no próprio corpo, e isso já é uma síntese do que poderia ser dito sobre a obra de Paul”. – Daniela Lame

“Corpo fechado”, individual de Paul Setúbal 
Curadoria de Daniela Name
Em cartaz de 8 de novembro a 20 de dezembro de 2018

cgaleria 
Rua Visconde de Carandaí, 19, Jardim Botânico, Rio de Janeiro – RJ
Horário de funcionamento: ter – sex, das 11h às 19h; sab, das 11h às 15h
contato@cgaleria.com

 



O PIPA respeita a liberdade de expressão e adverte que algumas imagens de trabalhos publicadas nesse site podem ser consideradas inadequadas para menores de 18 anos. Copyright © Instituto PIPA