Vicente de Mello, "Carbono-14 teste I", 2016

Vicente de Mello vai na contramão da profusão de imagens de hoje em “Monolux”

(Rio de Janeiro, RJ)

O século XXI é o século das imagens. Criadas com uma facilidade jamais vista e compartilhadas nos mais variados canais, elas inundam a nossa vida real e virtual. Em “Monolux”, que começa neste sábado, 17 de março, no MAM-Rio – junto com “ARRUDA, Victor”, homenagem ao artista Victor Arruda, que completa 70 anos em 2018 –, o fotógrafo Vicente de Mello decide ir na contramão dessa profusão imagética. Exibindo 28 fotogramas – imagens obtidas através do contato direto de objetos com o papel fotográfico, sem o uso de câmera –, ele propõe “um novo estatuto da fotografia”:

– No meio da constatação desta espetacular hecatombe de imagens, senti que eu mesmo já estava há anos convivendo com um grande manancial de imagens editadas, conhecidas, exibidas, adquiridas, publicadas, além das arquivadas que nunca chegaram a outros olhos. Eu precisava retornar a um pensamento em que pudesse construir, dominar, e que ele fosse único, sem a possibilidade de estar, enquanto original, em vários lugares.

Selecionados pelo poeta Eucanaã Ferraz, os fotogramas de “Monolux” ora fazem referência a outros trabalhos e autores (caso de “Tentativa Niemeyer”, que emula os traços característicos do arquiteto), ora dispõem poeticamente formas reconhecíveis, como slides fotográficos. Todos usam objetos pessoais do artista (“coisinhas acumuladas, que comprei no mercado de pulgas, objetos de uso doméstico”, descreve) para preencher o retângulo de 50 x 60 cm.

Apesar desta ode à “aura” das obras de arte, Vicente de Mello sabe que a presença de seus fotogramas na mídia é certa. Afinal, mesmo este post reproduz algumas de suas imagens. O fotógrafo não se aflige. Para ele, a experiência do contato direto com os trabalhos ainda é mais forte:

– Para conhecer o original será preciso que o olho humano esteja em frente a ele. Veja alguns dos fotogramas que integram “Monolux”:

“Monolux”, individual de Vicente de Mello
Curadoria de Eucanaã Ferraz
Em cartaz de 18 de março a 17 de junho de 2018
Abertura: Sábado, 17 de março, de 15h às 18h

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio)
Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo
Funcionamento: ter – sex, 12h às 18h; sáb, dom & feriados, 11h às 18h
T: (21) 3883-5600
www.mamrio.org.br



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