Regina Parra, "Manter-se/Tornar-se", 2016, neon, 10 x 100 cm e 10 x 125 cm Galeria Amparo 60

Onze mulheres combatem clichês femininos em coletiva

(Recife, PE)

Violência, anarquia, crítica política, mergulhos subjetivos. Temas geralmente excluídos de uma suposta “expressividade feminina” são discutidos por onze mulheres em  “A noite não adormecerá”. A coletiva, em cartaz na Galeria Amparo 60 desde o fim de semana passado, busca romper com os clichês associados ao gênero feminino através de uma seleção de grafites, desenhos, instalações e vídeo-performances – um tipo de arte chamado pela curadora Julya Vasconcelos de “sensibilidade-combate”:

– Não são trabalhos delicados: são ásperos, e essa é definitivamente uma qualidade deles – declara Julya. – O corpo da mulher artista e seus temas não importam, ou são lidos de maneira rasa. Estas livres expressões que estão nessa coletiva são absolutamente urgentes.

Escolhido em conjunto com as artistas participantes, o título da exposição foi retirado de um poema de Conceição Evaristo, “A noite não adormece”, espécie de hino à resistência feminina. Julya afirma, porém, que a exposição não é sobre o feminismo. Na realidade, seu tema é o “feminino”, cujos limites são tensionados e extrapolados por artistas como Virginia de Medeiros e Regina Parra.

A primeira, vencedora do Prêmio PIPA em 2016, explora na coletiva o universo sadomasoquista. Ela exibe peças do projeto “O Jardim das Torturas”, iniciado em 2013 a partir de um convívio com o artista e filósofo Dominador Dom Jaime, que tem duas Escravas. Já Regina Parra apresenta um de seus já famosos letreiros de neon. A artista apropriou-se de uma frase Frantz Fanon, “Manter-se aterrorizado, tornar-se terrível”, transmutando-a para o gênero feminino.

–  É um trabalho que fala sobre como ser transformado pela violência, e sobre a possibilidade do revide – resume a curadora. Veja vistas da exposição:

“A noite não adormecerá”, coletiva com Amanda Melo da Mota, Alice Vinagre, Clara Moreira, Juliana Lapa, Gio Simões, Juliana Notari, Mariana de Matos, Marie Carangi, Virginia de Medeiros, Regina Galindo e Regina Parra
Curadoria de Julya Vasconcelos
Em cartaz de 02 de março a 21 de abril

Galeria Amparo 60
Rua Artur Muniz, 82, 1º andar, salas 13/14 – Boa Viagem
Funcionamento: ter – sex, 10h às 19h; sáb, 11h às 17h
T: (81) 3033-6060
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